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No Seu Dia…

março 24, 2019

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No seu dia, espero que esteja pronta. Pronta para entrar no picadeiro da vida adulta, aquela que todos dizem ser a melhor, mas que é a mais perigosa… espero que esteja pronta para se aventurar no mar de rosas que sua cama se tornará cada vez que você precisar refúgio, e espero que esteja pronta para as guerras de controle, espaço e direitos que se inicia neste novo ciclo. 

Saiba que, de todos os caminhos que desejar seguir, o caminho mais suave será o do “consenso”, porque não adianta planejar uma caminhada com apenas uma bússola. O Mundo a dois é muito maior que as rotas pré-definidas e quase todas as opções são válidas, se você se sentir completa. 

Entenda que a linha de chegada é o que menos importa na verdade; importante é saber caminhar nesta estrada torta, que por vezes te mata de sede, em outras te mata de amor. É certo que a paixão termina em algum ponto sombrio, mas sempre que você se lembrar de como se sentia quando estava apaixonada, poderá reviver este sentimento, em todas as vezes em que se imaginar de volta ao seu “grande dia”…

Não pense que a vida a dois será fácil, saiba que ela será fácil, se você quiser. E se o peso de todas as mágoas e desentendimentos não for suportável, existe sempre aquela rota de fuga que veio junto com o kit de salvamento, aquele que você ganhou junto com a sua reluzente aliança. Não hesite em usá-lo caso as suas lágrimas sejam mais constantes que seu sorriso largo e sua gargalhada espontânea. 

Lembre-se, todos os dias desta sua caminhada a dois, que você estará acompanhada, mas  que a caminhada ainda é só sua. Então é você quem decide o caminho que quer seguir, e você também deve escolher o ritmo dos passos e a frequência das paradas para se abrigar da chuva ou tomar um pouco de sol.

Voltando ao seu grande dia, espero que ele seja apenas mais um dos grandes dias que você desfrutará na sua vida colorida e cheia de amor. Espero que você esteja pronta neste dia, mas se não estiver, tudo bem. O importante mesmo é que esteja “feliz”, porque “pronta” é algo que a vida se encarrega de preparar…

Fui! (Desejar sorte no caminho…)

As coisas que eu vi…

março 18, 2019

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Eu vi o tempo passar por mim como se eu não estivesse ali… vi pessoas me julgando, pessoas que queriam meu bem e outras nem tanto. Vi o Mundo se mover de forma estranha, de forma cruel; vi muitas brigas pelo caminho, desentendimentos e orgulhos feridos. Vi a desilusão no rosto de quem jurava acreditar, a descrença de quem pregava a sua fé em todo dia santo, na casa de contemplações, na famosa praça do Centro.

Vi os sonhos de alguns familiares caírem por água quando o filho pródigo mostrou que não era tão especial assim, nem tão bom e nem tão devoto quanto se esperava. Vi as mazelas de tantas traições consumirem os órgãos perfeitos dos que eu amava e os transformarem em produtos da doença do século, daquela que mata mais de desgosto e desamor do que de nicotina ou outras químicas…

Vi a angústia tomar conta dos mais velhos, que já não encontravam razão nas palavras de ordem desta nova sociedade, cheia de objetivos bonitos e preconceitos velados. Vi os álbuns de fotografia serem substituídos por artefatos digitais, desses que nos fazem enaltecer uma beleza que estava aí, mas que não refletia a nossa verdadeira emoção. 

Vi episódios de louvor e clemência; vi derrotas e falhas, choros e lamúrias, mas vi também histórias de fé e superação; vi nos olhos dele a vontade de mudar, de fazer tudo diferente, se tivesse outra oportunidade…

Vi o tempo passar  tão rápido que parece que não consegui aproveitar direito a beleza que é viver ao lado deles, dos meus amores mais plenos. Porém, vi seus sorrisos quando pensavam na história que construímos, quando se lembravam de nós em todos os momentos alegres que desfrutamos, no breve espaço de tempo que nos foi permitido compartilhar nosso amor, e isso bastou para acalmar meu coração angustiado por perfeição.

Vi muitas coisas nesta jornada deliciosa chamada “vida”. É certo que o caminho nem sempre foi fácil, mas continua sendo foi muito, muito prazeroso percorrê-lo ao lado deles, dos meus amores…

Fui! (Continuar minha caminhada…)

“Eu Mesma”

março 12, 2019

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Quero acreditar que posso ser melhor que eu mesma; quero poder ser aquilo que sonhei: a melhor de todas, a mais rápida, a mais esperta… e sempre que chego nesta bifurcação, encontro milhões de razões para duvidar dos meus planos. 

Não são metas ousadas, mas, muitas vezes, são obstáculos muito distantes para as minhas pernas curtas, e são difíceis de alcançar porque uma parte de mim não quer realmente seguir este caminho, o caminho que os outros traçaram e me seduziram a seguir nele. Lá no fundo da minha alma, anseio por um caminho mais suave, um com sombra e brisa para me aconchegar nos momentos em que eu me sentir cansada, naqueles em que eu estiver pensando em desistir.  

Não vou desistir de trilhar o caminho que eu escolhi, mesmo sendo mais distante da casa dos meus amigos de caminhada, afinal, é o caminho que me leva ao lugar que eu escolhi chamar de “lar”.  Esse lar que em nada se parece com a casa dos sonhos deles, faz com que eu me lembre a todo momento o quanto sou melhor que eu mesma, em um duelo que parece não terminar nunca, onde a única pessoa que precisa de clemência ou, ao menos, uma “trégua”, sou eu mesma.  Porque eu posso sim ser tudo aquilo que sonhei, posso ser a melhor de todas as minhas versões, incluindo a mais esperta e a mais rápida. 

Basta querer e parar de duvidar de mim mesma. Porque o tempo inteiro sempre foi sobre isso: “eu mesma tentando encontrar meu caminho”. 

Fui! (Acreditar…)

Não me dê parabéns…

março 8, 2019

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Não me dê parabéns, me proteja.

Não me congratule pelo dia de hoje, me respeite.

Não me dê sua cortesia, me entregue minha carta de alforria.

Não me homenageie, me promova.

Não me coloque em um pedestal, me entregue suas armas e lute ao meu lado.

Não me classifique como frágil, me dê coragem.

Não me intimide, me aceite.

Não me diga o que fazer, me diga como você gostaria que fosse feito e eu te digo se será desta forma.

Não me cale, me escute.

Não me classifique, me dê neutralidade.

Não me coloque em um lugar restrito, me liberte do seu egoísmo.

Não me demonstre esse desejo explícito, me olhe, me corteje e espere que eu te diga “sim”.

Não me bloqueie, me deixe seguir.

Não me anule, me permita ir além.

Não me machuque, me deixe viver.

Fui! (Lutar…)

Nós

fevereiro 26, 2019

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Quando escuto sua voz, lembro-me de quem eu sou e do caminho que percorri para chegar até aqui. Percebo que fui mais forte do que imaginei, mais suave do que precisava e mais corajosa do que sensata. Não pude ver meus méritos porque estava ocupada demais para me vangloriar das pequenas vitórias que angariava pelo caminho torto que minha vida havia me levado.

Era eu, em uma versão muito mais dura, que tentava gritar dentro de uma bolha de vidro chamada lar; e era esse mesmo lar que me acorrentava e me prendia a você, em lembranças de tempos que não voltam, mas que também não entardecem e não envelhecem. Sou eu, sua amiga que agora clama por um pouco mais da sua companhia, envolta em memórias e conversas sem importância, com tempo de sobra para jogarmos fora, nesse imenso vaso de rolhas de vinho colecionáveis, que vão durar mais que nós mesmos e menos que nossas histórias…

Tornamo-nos plenos nesses momentos que parecem durar uma eternidade, mas que se vão em segundos. Tornamo-nos grandes no amor que nos conecta, no elo simples que liga nossas almas a uma imensidão de nós mesmos e tornamo-nos gratos quando percebemos o quanto foi bom estarmos aí, ao lado um do outro, mesmo com tudo que enfrentamos, apesar da vida e apesar de nós…

Fui! (amar você…)

Diversidade

fevereiro 18, 2019

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Ainda espero por seu sorriso, pelo abraço apertado e pelo olhar condescendente, cheio de afeto e concordância. Queria ouvir, ao menos uma vez, que eu estava certa sobre as minhas convicções. Queria poder admirar a passividade das suas ações frente à assertividade das minhas verdades, daquelas verdades que deveriam ser universais, se o mundo não fosse um lugar tão complexo para se viver…

Seria eu mais feliz, se pudesse andar livre ao lado dos meus iguais, todos com o mesmo pensamento e vivência; todos colocados dentro do mesmo universo mágico e dolorido que compartilho com as lembranças de uma infância especialmente desenhada para mim. E dentro dessa alma livre eu iria semeando minhas palavras com todas as exclamações possíveis e, claro, sempre ocultando as estrofes dos discursos dos outros que não combinassem com a melodia das minhas rimas, que estariam entre aspas ou entre parênteses providenciais…

Porque o mundo, com certeza, seria bem melhor se tivesse o mesmo tom para todas as peles e o mesmo estilo de roupa para um único armário. Esse seria o mundo ideal criado dentro da minha mente egoísta e cujas cicatrizes de desamor deveriam ser revestidas pelo pó da vergonha, já que não existiriam barreiras a serem ultrapassadas, em uma sociedade de um mesmo indivíduo sistematizado em vários “iguais”.

Mas o mundo não é do tamanho da minha prepotência, o “Mundo” é muito, muito maior, que os limites que eu insisto em impor aos outros habitantes desta mesma terra chamada vida. E por esse mesmo motivo, ele não pode ser unificado em uma única nação, com o mesmo hino e apenas um “perfil adequado”. 

Fui! (Agradecer as enormes diferenças que me cercam e me ensinam…)

Penélope Distraída

fevereiro 15, 2019

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Tantas vezes procurei no fundo o que estava bem à vista, na margem mais acessível. Tantas vezes quis alcançar o éden do prazer, aquele que exprime o melhor momento de toda uma vida, como orgasmos múltiplos entoados em um mesmo ritmo, e acabei descobrindo, quase sem querer, que ele sempre esteve aqui, no aconchego do meu lar…

Tantas vezes quis o seu toque, o toque do amor da minha juventude, que havia sido borrado com a névoa das lembranças distantes, até o dia em que vi uma foto sua e me espantei como aquele olhar já não conversava com a minha alma inquieta por desejos obscenos e proibidos. Vi-me indecente diante da sua vida puritana e simples; vi-me complexa demais para me encaixar na sua rotina exaustivamente entediante, e, por fim, vi-me madura o suficiente para encontrar razões para buscar um outro toque, de um outro alguém mais acessível e mais meu.

Tantas, mas tantas vezes, quis ser o centro das atenções de outros, quando na verdade, a atenção que eu mais precisava buscar era a minha própria; o olhar cuidadoso que me fazia falta quando não estava prestando atenção nas pequenas dores que meu corpo acusava: eram elas que me diziam o que eu me recusava a escutar, e quando parei para ouví-las, já era tão tarde que preferi fumar só mais um cigarro, só mais um…

Hoje visto minhas roupas com mais vontade de usá-las, aproveito a música que toca incessantemente no meu aparelho de cinco polegadas e imagino que o mundo é mesmo muito intenso para uma vida de apenas algumas décadas fortuitas… quero sempre mais da vida que ganhei sem esforço, embora saiba que não posso pleitear mais do que o que está reservado para mim, na curta jornada que encaramos toda vez que nos olhamos no reflexo de um espelho qualquer.

Tantas vezes quis ser o que não era, ter o que não tinha e fazer o que jamais faria, que desperdicei uma grande oportunidade de aproveitar a vida que eu tinha, aquela que não era tão colorida, mas que tinha a luz mais real para o meu tom de pele…

E agora, escolho melhor o vinho para me acompanhar toda a noite, ao lado dos meus. E são eles que enaltecem meu orgulho e fazem meu coração transbordar de alegria  toda vez que escuto suas declarações com a verdade de que sou e que fui “suficiente”.

Fui! (Fazer as pazes com meus desejos não-realizados…)