Mais Abraços

Um post antigo que retorna agora para abraçar virtualmente todos os meus amigos e seguidores neste momento tão difícil da nossa existência. Sintam-se abraçados!!!

abracos

Mais abraços. É o que eu desejo ganhar de presente. Mais abraços apertados, mais abraços corridos e mais abraços sinceros. Preciso sentir o cheiro e o toque áspero da pele desidratada nas dobras que se encontram com minhas mãos, igualmente calejadas e cansadas. Sou mais próxima dos que quero protejer em meus braços do que os que me acobertam de calor e carinho. 

Prefiro abraçar. Prefiro entregar o meu apreço genuíno para quem é importante pra mim. Não recuso seu abraço, porém, peço que espere até a próxima parada. Para me ter em sua sintonia preciso me abrir para você, me desconectar um pouco de mim e sobreviver a enxurrada de amor que você me passa cada vez que me toca.

Seus abraços são apertados, demorados e intensos. Não consigo entender o real significado deles, se é proteção, amor, carinho ou tudo junto. Prefiro pensar que é a forma mais singela de dizer “eu gosto de você” e dessa forma, recebo sua declaração de amor, menos direta que um olhar, mas mais terna e acolhedora.

Te devolvo o abraço que não entreguei antes, desejando voltar a ter seus abraços ao meu redor.  Penso em como a vida passa rápido e em como nós não nos damos conta da importância desses abraços… espero que não seja tarde para dizer que adorei te ter tão perto de mim, em um abraço que não vai terminar nunca.

Fui! (abraçar todos que amo…)

 

Aos que se foram…

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Aos que se foram, os que partiram e que deixaram esse imenso eco na sala cheia de lembranças inoportunas, declaro a eternidade das minhas emoções, todas pontuadas com risos e frases de efeito, e quase sempre, amadurecidas na seriedade do tom de voz de cada um de vocês, com toda delicadeza que minha mente inquieta consegue expressar.

Suplico em uma cadência repetida, que vocês me devolvam um pouco de mim, em todas as vezes em que estive na companhia de vocês, quando deixei um pouco da minha ingênua alegria salpicar o espaço sagrado que dividimos, em meio aos barulhos do cotidiano agitado, que se passava lentamente por nós, como meros expectadores da nossa sintonia.

Peço paz e tranquilidade para seguir descalça nesta estrada enlameada, cheia de resíduos e fragmentos da nossa história, agora dirimidos em escassas frações dos sons e das cores que marcaram a nossa vida.

Esqueço, por alguns segundos, que vocês se foram e encontro-me com seus semblantes sorridentes a espera do meu discurso de sempre; mas não consigo proferir palavra alguma neste luminoso instante em que nossos olhares se encontram. Limito-me a dizer, unicamente: obrigada. E sigo de volta para a realidade assustadora, que é acordar todos os dias sem o tempo presente do seu ser…

Fui! (Reverenciar os meus amores do passado e do futuro…)

Enfim, em Paz

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Enfim, encontro a paz que tanto busquei. Retiro a maquiagem despropositada e sem utilidade para enxergar o rosto que desfrutou comigo tantas alegrias fugazes e desgostos que demoraram mais do que eu gostaria para partirem em busca de um outro lar rancoroso…

Encontro em meu tempo vago razões para não fazer nada, exatamente da forma que planejei há muitos e muitos anos atrás. Agora posso usufruir da minha companhia sem medo do que vou encontrar depois que atravessar a próxima esquina dos desafetos que conquistei e dos amores que desperdicei; sou eu, em uma versão milhões de vezes mais forte que se depara com a menina e a senhora, ambas mais complexas e irritantemente perfeitas, cada uma com suas vantagens paradoxais e nenhuma com a incrível sensação de plenitude que hoje desfruto.

E essa sensação que hoje saúdo se deve à liberdade dos meus passos, que hoje parecem deslocar-se do piso frio que reveste os poucos metros quadrados da casa que me serve de lar. E é irônico pensar que, justamente no momento em que eu deveria sentir-me mais presa e enclausurada, encontro meu mais profundo regozijo e renuncio aos males que carreguei por tantos anos a fio. Desfaço-me das culpas fortuitas e abraço a falta de comprometimento com o mundo para agarrar-me a única ideia que prevalece forte em minha mente: o meu mais profundo bem-estar.

Entrego o incômodo que anunciava minhas palpitações, devolvo as ingratidões que sofri e ignoro os incômodos pela falta de aplausos no percurso do meu caminho. Já não me importam as palavras ditas com desdém ou as palavras jamais ditas em hora nenhuma, que fizeram tanta falta um dia…

Quase não reconheço-me em cores tão suaves, com um semblante tão sereno… já não busco dar minha opinião a quem não clamou por elas e avalio se o peso das angústias de outrem vai ser saudável para o meu equilíbrio. Lembro-me de tudo que havia programado e percebo que agora, nesse momento infinito, já não me importa concluir todos os itens da minha lista, apenas alguns deles ou mesmo nenhum. Percebo que esses itens, na verdade, não importam mais. Porque a única coisa que me importa fazer neste tempo sagrado é contemplar a maravilha que é minha vida, frente a esta própria realidade, a minha.

Não lamento mais a dor dos que ficaram sós e não angustio-me pelos fatos que não posso mudar. E é claro, peço que não me enxergue como uma pessoa fria ou egoísta… sou apenas um alguém que precisa tirar um tempo longe do mundo para dedicar-se única e exclusivamente aos seus caprichos pessoais e intransferíveis, como perceber a intensidade dos raios solares que entram pela fresta da minha janela no meio da manhã.

Fui! (Sentir-me…)

“Mãe”

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De todas as pessoas que busquei neste mundo, de todas as que quis estar perto, foi você quem eu escolhi para compartilhar a maior experiência da minha vida: a minha transformação em matéria, a minha formação como ser humano, a base para a minha jornada neste plano que costumamos chamar de  “vida”.

Você foi a ponte que fez meu diálogo com o mundo, que me apresentou as coisas boas e que suportou ao meu lado todas as ruins. Você foi meu alicerce, minha casa e o sopro de alívio para todas as minhas feridas.

Você buscou me dar tudo o que você teve, tudo o que não teve, tudo que eu quis e tudo que você achou que seria importante para mim. Você tentou me dar “tudo”; e nesse tudo veio junto a sua dedicação, a sua preocupação e, até mesmo, a sua chatice em tentar me transformar em um alguém perfeito. Sim, você sempre disse que eu era perfeito para você, exatamente da forma que eu vim para o mundo, mas que você precisava que eu superasse ainda mais as minhas expectativas, para que o mundo conseguisse enxergar o que você via de forma tão clara e transparente…

Você me incentivou e me estimulou a ultrapassar todos os limites que eu ou eles me impuseram, você acreditou em mim quando eu mesmo já havia perdido as esperanças e chorou em silêncio cada vez em que meu fracasso era inevitável. Você encontrou palavras para me encorajar e me fazer seguir, mesmo quando você já não tinha forças para se levantar; e você me disse que era fácil, mesmo com tantas dúvidas na sua mente.

Você errou muito também… ah! como errou. Mas eu não posso julgar seus erros, pois eles foram feitos por uma pessoa que tentava acertar; eles foram o resultado do amor extremo que você sentia, que acabou se transformando em medo. Então, chego a conclusão de que até seus erros estão embasados na categoria de amor, aquela que transforma tudo de ruim em algo bom demais, assim como quando escutamos o som do seu nome, que é tão universal quanto particular para você: “Mãe”.

Fui! ( Comemorar minha vida dentro e fora do seu corpo…)

Assista a crônica no Canal do Youtube: Link para a Crônica “Mãe”

Que Bom!

Que bom que você resolveu voltar… bom saber que ainda somos um em meio a tantos. Que bom que não nos perdemos de nós, como fizeram nossos pais e os amigos deles. Bom pensar que ainda temos motivos para acreditar no caminho que escolhemos, aquele mais íngreme e tortuoso, mas igualmente encantador.

Bom poder me olhar no espelho e encontrar seu rosto, aquele que me acalma e me traz serenidade. Que bom ser completa em um dia tão complicado como esse… que bom que tenho você para escutar as músicas antigas que tanto gosto e que nos envolve como uma sintonia inebriante.

Que bom estarmos juntos nesse quarto frio, assistindo os programas sem graça e comendo aquela comida gordurosa que satisfaz meu corpo cheio de impurezas cotidianas, mas redondamente feliz por absorvê-las. Que bom saber que você não me abandona quando a vontade de estragar mais um pouquinho minha rotina rígida, toma conta de mim . E que bom saber que você está aí, quando eu retomo as boas práticas que estabeleci para a minha vida.

Bom saber que você me acompanha, na suavidade das cores claras que envolvem minha aura feliz e na escuridão dos tons negros que envolvem minhas tristezas profundas, que estão escondidas lá no fundo da minha alma, mas que insistem em sair para passear de vez em quando…

Que bom ter você ao meu lado, durante todo o percurso, do começo ao fim, desde sempre e para sempre. Para você, meu amigo imaginário, também chamado de “autoestima”, te peço um pouquinho mais de paciência… a quarentena já está acabando.

Fui! (Ficar quietinha ao meu lado…)

A Vida no Novo Mundo

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Nosso mundo acabou e agora temos que seguir com novas roupas e um novo protocolo. Somos obrigados a mudar e a nos adaptar em meio aos caos que se instaurou na nossa rotina.

Somos nós quem vamos ditar as cores da nova estação que estará estampada nas roupas que usaremos nas próximas décadas; provavelmente a moda será um mix de várias coleções passadas, repaginadas para o novo momento de consumo mundial, onde o novo será um reflexo de tudo que já foi criado e experimentado.

Seremos nosso próprio salão de beleza ambulante, que faremos as vezes de cabeleireiros, manicures e depiladores; de certo, não faremos muito bem nenhum dos papéis propostos, mas nos esforçaremos para encontrar um meio termo entre uma tintura mal-feita e uma cutícula maltratada. Nossos cortes ultra-modernos e os tons loiros serão artigo de luxo, para um mercado que certamente estará acima do nosso nível financeiro.

Nos tornaremos cozinheiros de mão cheia e inventaremos nossas próprias receitas. Aprenderemos a cozinhar o que antes acreditávamos ser impossível. E, quando for mesmo impossível nos sobressairmos melhor que aquele restaurante famoso, teremos a opção de encomendar sua deliciosa e já não tão cara comida, afinal, todo produto e serviço vergonhosamente caro será transportado a uma nova realidade econômica, para um mundo onde só os justos sobreviverão.

O conceito de marca será transformado, assim como o conceito de luxo e conforto. Será valorizada a empresa que optar pelo conceito do reciclável, do verde, do saudável. Será visto com bons olhos pela nova sociedade as marcas que expuserem sua preocupação com a qualidade de vida de uma sociedade sustentável, que se alimenta de insumos mas que não os extermina para isso.

A preocupação com o bem-estar estará ligada aos pilares do afeto, da moradia confortável e da segurança com a saúde. No quesito afeto serão a família e os amigos mais próximos que preencherão o vazio da solidão, e que, ironicamente, se conectarão com mais frequência dentro da própria casa, através de um contato visual genuíno do filho com a mãe, ou através dos vários contatos virtuais com os amigos de longa data, que sempre estiveram ali, a dois toques do celular…

As moradias serão transformadas em lugares de referência, onde ainda restará um consumo legítimo, ainda que consciente, em prol do conforto e da estabilidade emocional dentro das poucas paredes que conterão os sonhos de liberdade que sempre sonhamos. A liberdade será absorvida de outras formas e com outros moldes. Por certo, existirão viagens, aviões e hotéis. Mas serão artigos de luxo, desenhados para momentos super importantes, em um ou dois episódios durante a jornada de vida dos novos humanos.

Será a saúde, o passaporte mais desejado na nova era pós-pandemia. A forma com que as pessoas se relacionarão, a forma com que farão suas transações econômicas, com que trabalharão, como se alimentarão e praticarão exercícios, tudo será relativizado em função do pilar da saúde. O monitoramento de todo sistema do indivíduo será compartilhado e o custo da sua saúde determinará a sua sobrevida neste planeta. Sua genética alinhada aos hábitos saudáveis, sua capacidade em se adequar às novas circunstâncias, seu contentamento diante do que não pode ser mudado e, por fim, a qualidade da sua saúde mental determinarão seu espaço na nova sociedade.

O ser humano terá sua habilidade em fornecer ajuda avaliada com sua necessidade em absorver essa mesma ajuda. Serão escolhidos os que conseguirem atingir um equilíbrio dentro da nova cadeia de consumo; aqueles que melhor se adaptarem e que melhor entenderem como será a nova vida que se apresenta, serão os que ditarão o ritmo do novo século que foi recém-inaugurado.

E os que não o entenderem? Esses ficarão para trás, obsoletos e ultrapassados, como um “bip” que já não terá utilidade nem energia para dialogar com os futuros humanos que  habitarão este novo mundo.

Fui! (Atualizar-me e continuar…)

 

Pelo Amor de Deus

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Se Deus existe, se é real, eu peço com todas as minhas forças: por amor, livrai-nos deste mal que nos tira o ar e nos enclausura dentro do nosso mais profundo desespero. Salva-nos a mente inquieta e poupa-nos das notícias amargas que recebemos todos os dias.

Traga luz para esta imensidão de escuro em que nosso mundo descendeu; faz-nos acreditar novamente que tudo será fácil e tranquilo, que os nossos dias serão ternos e que nossos filhos sobreviverão a esse holocausto da nossa humanidade.

Sabemos que somos fracos e mesquinhos, que carecemos de aprendizados e de honestidade; que mentimos e destruímos os sonhos dos mais frágeis, mas ao depararmo-nos com as feridas que agora se apresentam no leito frio dos que possuem a nossa imagem e semelhança, entendemos, enfim, que estamos inevitavelmente ligados a todos, e que constituímos um único organismo vivo, que agora carece de ar em seus debilitados pulmões.

Deus, Senhor de toda a vida, Detentor de Muitos Nomes, abraça seus filhos e os ajude a encontrar o caminho. Guia-nos por este labirinto de alternativas e dai-nos a compreensão necessária para acabar com este mal invisível que assola a humanidade em pleno tempo da tecnologia, onde tudo parecia ser possível e simples.

Ajuda-nos a compreender que podemos perder mais, sem que para isso percamos de fato. Poupe a todos, e em especial, os meus amores. Rogo, em um singelo pedido egoísta, completamente desprovido de maldade, mas repleto de honestidade,  que guarde e conserve os que compartilham da minha comida, do meu teto e das minhas risadas. E, após as aspas humanas deste pedido, junto-me aos demais companheiros de estrada para cantar o mesmo hino em forma de oração…

Suplicamos, Deus, que faça com que o sofrimento cesse e o regozijo impere; que acolha todos os Seus Filhos em Seus Braços Misericordiosos e que poupe-os de enfrentar a calamidade que os aflige. Entrega-nos a cura de todos os males, com o poder da Sua Oração, que tem muitos nomes e é proclamada em vários idiomas, mas que se refere ao mesmo propósito. 

Seja Deus com toda a sua divindade, que é infinita e brilhante, assim como as lágrimas que derramamos no seio desta Sua Terra devastada por nós, humanos.

E por fim, perdoa-nos, Deus. Pois não sabemos o que fazemos nem como aqui chegamos…

Fui! (Conectar-me…)