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Roda Gigante

setembro 17, 2019

fun in the lunapark, people on the rollercoaster and big wheel,

Passeando por este parque imenso sinto meu peito apertar do lado direito e lembro-me porque cheguei até aqui… são infinitas as voltas que esta roda gigante há de me proporcionar, mas é ao lado dos que amo que pretendo cumprir a maior parte delas, todas em um ritmo bem suave e constante, mas nada devagar o suficiente para me fazer cansar do passeio que tanto me emociona, nestas alturas díspares e proporções assimétricas quando vistas ao largo…

São pequenas as recordações que ficaram em voltas antigas, aquelas que não puderam acompanhar-me no percurso que cisma em não findar e que insiste em continuar certeiro e pontual. E a cada nova volta, sinto um calor insuportável do chamado que clama pela minha presença, ainda que eu saiba que não estou pronta para abandonar meu assento neste enorme brinquedo… mas reconheço que outros esperam para entrar nesta enorme roda, então, aproveito todas as voltas que me restam, com suas descidas e subidas emocionantes, e com o vento fresco que abraça meu rosto cansado a cada novo movimento, e a cada novo sonho (meu ou dos que tanto amo).

Mesmo de longe, consigo observar a maravilha que é a descoberta das voltas jovens pelos que ainda não têm tanta história para contar neste parque diverso e encantador; preocupo-me com a falta de segurança que enseja machucar um dos meus, e estranho o fato de nunca ter percebido este perigo antes, mas parece-me apropriado dizer que a esta altura da roda, é nos detalhes que me apego cada vez mais, naqueles detalhes sorrateiros que se disfarçam com o brilho do amanhecer e que se mostram somente ao entardecer de um dia cheio de voltas. 

E à medida em que sinto a grande roda acelerar para os que estão com seus pulmões cheios de ar, percebo a desaceleração do meu banco, que começa a se desprender do todo, em um compasso de alegria e exaustão, embalados pelo motor já gasto de tantas voltas que proporcionou, com tantas visões e com tantas emoções, agora anestesiadas de tanto viver…

Fui! (aproveitar o passeio enquanto minha roda ainda gira…)

Redemoinhos

setembro 14, 2019

redemoinhos

Caminhando por estes vales sombrios, deparo-me com minha imagem refletida em um pedaço de espelho quebrado em mais de mil pedaços. Vejo-me pequena em uma imensidão de faces, em um transbordo de ideias e sentimentos, em um vácuo de saudade que não consigo entender, mas que sinto como uma lança encrustada em meu peito frágil.

São fragmentos de mim que gritam para que eu me conforme com as atitudes que não tive, com os pensamentos que deixei fluir e com os momentos que não aprisionei em minha mente esquecida… são todas as versões de mim, umas melhores e outras nem tanto, mas todas, um real exemplo do que fui e do serei, na linha tênue deste tempo que parece enorme, mas que é tão curto quanto esta estrada que sigo sem parar, em passos consoantes com as exaladas profundas que permito-me dar, a cada curva e a cada subida íngreme.

Mas é a cada encruzilhada que encontro um pouco do meu olhar sedento por sonhos tão inimagináveis quanto minha mente esperançosa ousou querer, e é ali também, que consigo vislumbrar as rugas de satisfação por cada afeto genuíno que angariei pelo caminho, todos amparados pelas palavras sábias dos que me amaram apesar de tudo e apesar de mim…

E é com esses olhares que entrego-me ao infinito propósito de ter vindo e de ter deixado nos estilhaços de espelhos o reflexo do meu mais afetuoso gostar, sempre embalado com minúcias de mim em versões expontâneas e seculares de todo amor que consegui recolher durante esta rápida caminhada.

Fui! (buscar meus melhores reflexos…)

Imersa

setembro 1, 2019

imersa

Imersa no meu mundo sombrio, destaco o que há de melhor na minha essência singela para tentar agradar ao máximo, os poucos que sobreviveram à minha ira. Sou eu, em um turbilhão de sentimentos explosivos, que tenta resgatar um pouco da boa fé alheia, aquela que ainda não foi perdida depois de tantos rompantes e desacatos… 

Peço perdão aos que amo e sigo em busca de um sorriso ou um afago, transformando em palavras o gosto ácido que deixei pelo caminho, e transferindo meu afeto às cicatrizes recém-empossadas de sua nova capa. Faço minhas as palavras dos antigos profetas, tentando ser mais gentil com quem nunca demonstrou tanta simpatia ou mesmo por quem menosprezou minha continência sincera depois de uma batalha sangrenta.

Acreditem, não fiz por mal. E, se fiz, já me arrependi faz tempo… sou assim, uma eterna personagem de mim mesma tentando frear o impulso automático que salta na minha frente para defender meus pontos de vista ou para não deixar que a minha voz esmoreça. E não descanso enquanto não for ouvida, ainda que por quem não queira ou não mereça escutar o que tenho a dizer.

E sempre ao final do dia, sento-me rodeada por meus pensamentos traiçoeiros que não se calam dentro da minha mente inquieta, onde também me atormentam as verdades amargas de todos que machuquei no dia de ontem ou em um passado distante do hoje. Mas, ao revisitar estes rostos corados do sol que minha imaginação os aquece, perdoo-os no mesmo compasso em que concedo-me este mesmo perdão; é o descanso providencial para uma alma que adora brigar, mas que também ama fazer as pazes. 

E se você ainda não foi alvo dos meus desafetos em forma de briga, é porque, muito provavelmente, você não foi alguém tão importante para mim…

Fui! (Emergir de mim…)

Esse Nosso Mundo…

agosto 30, 2019

luz

Você acha que perdeu a esperança? Eu te trago a razão.

Perdeu a inspiração? Eu te mostro outro motivo para sorrir.

Perdeu sua motivação? Vem comigo que juntos encontraremos outra.

Porque o Mundo pode parecer injusto na maior parte do tempo, mas é ele quem te permite viver para se lembrar de tudo o que te aqueceu a alma nos dias em que você precisava estar agasalhada, mas havia se esquecido de se cobrir. É ele, o Mundo, quem te mostra o quão insignificante você é quando as luzes se apagam e você não consegue fazer o tempo voltar, para curar a dor dos que você ama e que também se machucaram no meio do caminho…

Esse Mundo injusto é o mesmo que te possibilita compartilhar o ar cheio de poluição e nicotina com aqueles que você admira e reconhece em seus diversos talentos; é esse Mundo que te coloca à prova todas as vezes em que você acha que não vai conseguir, ou que realmente não consegue, desiste e é obrigada a mudar de rumo. E esse Mundo te entrega mais desafios e mais obstáculos, só para que você possa ultrapassá-los ou, apenas, para rir um pouquinho do seu esforço sobre-humano em escalar essa montanha enorme para, depois, se deparar com a mesma vista que outras pessoas desfrutam sem nenhum sacrifício.

É este Mundo, o nosso Mundo, que consegue eternizar aquela música, que é de todos, mas que dentro da sua mente sedenta por alívio, se torna completamente sua, em uma sintonia que jamais irá parar ou mudar de tom. Na cadência suave dos seus sonhos e no volume ideal da sua intensidade…

Então, de novo, se você perdeu algo no caminho até aqui, você pode voltar por onde passou ou tentar outro jeito para chegar mais longe; o importante, contudo, é que você continue…

E se precisar de ajuda, não hesite em me chamar. Não poderei fazer muito, mas consigo te lembrar daquela canção que te sustentará até o próximo sinal vermelho… 

Fui! (Acender as luzes e escutar a minha música…)

“Forever Young”

agosto 25, 2019

Forever Young

Se eu quero viver para sempre? Não.

Se quero viver sempre jovem? Sim.

Quero viver um pouco da forma como viveu Fernanda Young, a jovem irreverente que quebrou paradigmas enquanto respirou o ar cheio de nicotina desta terra chamada Mundo. 

Viveu pouco para os nossos padrões, mas muito se pensarmos que conseguiu esticar sua juventude até o final dos seus dias; com suas várias tatuagens espalhadas pelo seu corpo fresco e com suas palavras ácidas, hilárias e cheias de ironia, ela conquistou a simpatia de uma enorme nação através do seu talento, que era exprimido pela ousadia em colocar no papel o que observava no mundo ao seu redor.

Era ela, Fernanda Young, uma representante das letras vermelhas, aquelas que não se calam quando anoitece ou quando a audiência muda. Seu olhar meticuloso a fazia articular as palavras que saíam facilmente dos lábios carnudos e provocantes, na mesma sintonia dos seus irrequietos dedos, que acompanhavam de perto a sua genialidade.

Fernanda não morreu, ela continua viva em seus textos, em sua forma provocante de nos emocionar, de nos fazer pensar fora da caixa hermética em que fomos colocados, no seu atrevimento constante em dizer ao Mundo que ela sempre seria jovem.

Fernanda passou para outro patamar, aquele onde vivem os grandes pensadores e artistas da nossa humanidade. Mas sua assinatura agora possui uma nova escrita: “Forever Young”.

Fui! (Reverenciar sua existência…)

O Vento

agosto 25, 2019

menina.jpg

O vento que passa por mim congelando minhas extremidades e ofuscando minha respiração, limpa minha mente de tudo o que que me faz triste. Este vento, que é rápido e fagueiro, traz um compasso de felicidade nos poucos segundos em que invade meu corpo machucado de tantas cicatrizes que carrego pelo caminho…

É ele quem dita o ritmo da chuva de pensamentos que vão vigorar fortes em um compasso de alegria e dor, em relances de boas recordações e pinceladas de abandono e negação, todas encobertas pelo manto sagrado da minha autoestima, que me faz valente em meio aos medos de reprovação dos que amo.

Junto-me ao vento que insiste em soprar novas memórias, de bons momentos que estão chegando, dos passos que serão dados rumo a algum lugar que ainda desconheço, mas que anseio por ele com a mesma vontade com que me sinto confortável nessa nuvem congelante que me abraça sem pudor até alcançar a parte mais profunda da minha alma melancólica e carente. 

Ao final, despeço-me dele como se suas bênçãos, por fim, tivessem surtido efeito, ou como se estas me fizessem acreditar que a brisa quente, que chegará em breve, será mais amena e menos forte que a tarde fria que limpou minhas feridas e renovou minha fé na vida…

Fui! (Abraçar o vento…)

Ainda Sinto…

agosto 16, 2019

balanco

Ainda sinto aquele seu abraço quente, exalando carinho e bem-querer; ainda sinto seu cheiro fresco de limpeza, que exala hortelã com notas doces de alfazema. Sinto seus cabelos molhados respingarem gotas geladas no contorno do meu rosto jovem,  e sinto suas mãos me segurarem firmes para que eu não caia, para que eu não me machuque…

Ainda sinto você, tão presente e tão viva, que não consigo entender como você pode não estar aqui, cantando suas músicas melancólicas e cheias de dor e saudade… sinto sua presença nos momentos mais abstratos e mais calados, naqueles em que eu estou em paz com a minha teimosia, em paz com a minha alma inquieta e cheia de projetos a serem feitos e conquistas a serem alcançadas. 

E são nesses momentos que encontro seu olhar cuidadoso, aquele que enxergava em mim uma versão melhor, que sempre esteve aqui dentro, mas que até hoje eu não consigo acessar… só alcanço essa versão através do seu olhar e, desta forma, me sinto completa. Me sinto “eu” de um modo mais intenso e mais pleno, como se estivesse sentada novamente naquele balanço, como se estivesse voando baixo com os empurrões que você costumava me dar, com aquele sol do final das tardes frias do outono, que esquentavam o corpo sem queimar a pele…

Sim, ainda sinto sua energia, sinto sua presença e sinto seu olhar acompanhar de longe e brevemente, meus passos barulhentos em busca do meu sucesso; e quando paro, fico em silêncio e não penso em nada, me sento novamente naquele balanço e sinto intensamente aquele momento em que dividimos o mesmo bronzeado…

Fui! (sentir você, um pouquinho mais…)