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Gateheaven

outubro 15, 2018

Capítulo 10: “Imagine”

“E foi assim que as verdades sobre o meu passado foram reveladas… da forma mais cruel e dramática. Eu me tranquei na prisão que construí, no paraíso acima das maldades da Terra, fui para dentro da minha mente brilhante, onde só eu poderia reinar absoluta, onde os meus sonhos se tornariam verdadeiros e onde a realidade seria mais amena e mais singela que as rodas frias da minha cadeira.

Foi ali, no coração de Gateheaven, que encontrei o futuro desejado, mesmo sabendo que havia sido feito a partir de um passado inventado. A dura realidade da vida nos encontra, onde quer que estejamos, por onde quer que vaguemos… e essa realidade me trouxe até o Vale do Silêncio, onde os tons da vida feliz não tocam e onde os ecos da minha dor gritam mais alto o sofrimento que insiste em me visitar.

Fui até o Vale e passei longos sete anos por lá. Esperei que as vozes se acalmassem até conseguir voltar. Quando voltei, tudo estava exatamente da forma como eu havia deixado. Jason e eu nos casamos em uma cerimônia linda, com flores bluebonnet por toda a extensão da Pequena Capela. Mandei limpar a lateral com mofo e refazer a lápide da mamãe, depois que descobri que as iniciais “Lu”significavam: “Aqui Jaz Trycia Myers, Mãe amada de Luanna Myers”. Algumas tulipas negras insistiam em crescer próximas ao túmulo da mamãe e, sempre que eu percebia sua presença, as arrancava com toda a força.

O tempo passou rápido por mim nessa vida encantada e segura. Tivemos um filho que chamei de “John Lennon”, em uma singela homenagem ao meu eterno ídolo e cujas músicas foram entoadas em nossa cerimônia de casamento. John Lennon Myers seria o herdeiro de toda Gateheaven, o senhor das terras e detentor dos sonhos de toda uma geração. Meu filho é lindo, possui sardas, covinhas e um cabelo ruivo encaracolado. Ele tem os olhos azuis da mamãe e os traços finos do Jason. Também puxou à avó paterna, a Sra. Louise, que não conseguiu sobreviver à dor da minha descoberta e foi sepultada ao lado de mamãe. Janete se desintegrou totalmente, no fatídico dia das revelações, restando apenas os restos das suas roupas, que foram encontradas à beira do Rio das Almas… ”

 

Para ler a história completa acesse: https://www.wattpad.com/story/139222363-gateheaven?utm_source=web&utm_medium=email&utm_content=share_myworks

 

Eu Calo, Tu Calas

outubro 5, 2018

Eu calo, tu calas, todos nós calamos… onde quer que estejamos, é diretamente para o abismo do silêncio que encontraremos o espaço que refletirá a nossa paz. Para longe dos holofotes que jamais sugerirão uma harmonia nas diretrizes das nossas conturbadas vidas.

Somos todos exemplos da nossa cultura, do meio em que sobrevivemos e das expectativas frustadas a que somos submetidos. Somos resultado dos sonhos que nos apresentam quando ainda não temos discernimento para definir o que nos emociona; somos esse final mal-acabado do querer de outros, protagonizado em nós, mas com um corte de cabelo mais moderno e atual.

Calemos nós, sempre que o outro for inimigo do nosso querer. Não sabemos ao certo para onde estamos caminhando, mas sabemos que o conflito será inevitável; da mesma forma que sabemos que nossos preciosos cabelos vão cair depois das sessões de quimioterapia, mas, ainda assim, seguimos para ela, com os braços abertos e o coração apertado. Queremos a cura, mas nos maltrata saber que teremos que nos calar diante do apocalipse que se aproxima. 

E, depois de tantas dores, depois de tantos discursos inóspitos e vazios, de concorrentes que antes compartilhavam doses geladas de álcool e sorrisos artificiais em papos informais, percebo que o silêncio nos abraça com mais cuidado e menos violência. Mas insisto em desdobrar o que há do outro lado, o que vem depois do tratamento e sigo tentando emplacar o “nosso discurso”.

Não me calo, não me conformo. Vivo aqui, no caos dessa pátria, que também é minha. Cala tu porque eu não me calo, minha voz continuará a ecoar, ainda que rouca…

Fui! (gritar…)

“Me Desculpe se te Ofendi”

setembro 18, 2018

 

Corri tanto, com tanta vontade, que me esqueci de olhar para o lado, para verificar se você estava bem, se havia ficado parado em algum ponto do trajeto, se tinha se machucado com alguma queda ou com alguma ofensa perdida…

Sinto muito, muito mesmo, se não te vi ou não te ouvi. Sinto pelas palavras que disse, através da minha própria voz ou pela voz que deixei replicar através das teclas do meu acesso ao seu mundo.

Não tive a intenção de ofender seus ideais de liberdade, de bater tão fortemente em suas convicções ou de imprimir um tom de ódio às causas que você apoia. Não queria diminuir os alicerces que sustentam a sua fé nas organizações, nas definições de caráter ou de conduta apropriada. Realmente não queria me interpor no espaço sagrado do que você considera digno.

Sou uma admiradora de tudo o que espelha a sua dinâmica, respeito suas escolhas e convivo com as suas verdades, que não necessariamente conversam com as minhas.

Gosto de ganhar a corrida, sou boa na arte de defender meus lugares no pódio, mas descobri que sou melhor ainda na função de “amiga”.

Portanto, sugiro corrermos juntos, em direção aos melhores lugares e com a certeza que que não haverão desgastes durante o percurso. 

Porque a corrida vai passar, mas a nossa amizade continuará por muitas eleições!

Fui! (Respirar um pouco…)

Será?

setembro 17, 2018

Às vezes, quando estou sozinha no meu canto, refletindo no mundo que me cerca, penso no que as pessoas sentirão a meu respeito. Penso se serei capaz de comovê-las com a simplicidade do meu olhar, com a vontade genuína que tenho de acertar ou com a minha presença “semi-onipotente” no meio de tanta gente mais importante que eu…

Penso se serei compreendida, mesmo com tantos argumentos contra. Se serei ouvida e seguida; penso se serei reverenciada e aplaudida. Porque a vida trata muitas vezes disso: de buscarmos nossos aplausos no meio de uma multidão barulhenta. 

E assim, eu sigo nadando nesse mar tão confuso quanto a nossa própria história, onde buscamos nele a paz para um descanso que jamais vai acontecer ali, pois ele está sempre em movimento. Aprendemos a contemplá-lo de longe, entendendo a dificuldade que é, mergulhar nele, mas amando-o com a mesma imensidão do seu infinito.

Voltando para o meu ego, transformo-o em borboletas, que sairão de mim todas as vezes em que expurgar da minha alma as falas incômodas, para transformá-las em liberdade colorida, no espaço sagrado de outra pessoa que não concorda comigo. Mas, que de alguma forma, reconhece meu talento em expor as verdades, que não são absolutas, mas que são minhas…

Fui! (tentar explicar o que eu mal aprendi…)

Meu Mundo

setembro 11, 2018

MeuMundo

No meu Mundo existem apenas algumas pessoas que sobrevivem ao caos que é viver ao meu lado. Nele estão meus amores e algumas dores que recolhi no caminho, entre sorrisos e lágrimas, entre vitórias e fracassos.

No meu Mundo só entram os desamores que eu permito me lembrar, em poucos e raros momentos de nostalgia e sempre que me sinto mais enfraquecida. Porque nele eu procuro guardar só o que há de melhor na despensa da minha casa, o que há de mais doce, de mais saboroso e de mais raro sabor. O que é caro não entra necessariamente na minha lista de desejos, tem que saciar a minha fome, o que nem sempre é uma missão fácil, eu sei…

No meu Mundo, meus sonhos estão enfileirados, prontos para servirem de destaque na prateleira principal; só espero a mudança de clima para trazê-los para a frente. Meus projetos vencedores também têm destaque no meu Mundo, eles adornam minhas roupas e cumprimentam o meu ego cada vez que os visto. São as memórias mais libertadoras, aquelas que me tiram o peso do “ter que” e me revelam a leveza do “já fiz”.

As lembranças quentes eu revivo no meu Mundo mais particular, aquele no contorno da minha cama, embebidas pelo cheiro ácido dos desejos de quem muito me quis, ainda que por alguns poucos minutos, ou mesmo por uma vida inteira.

No Meu Mundo eu sou plena de mim, em uma versão tão, mas tão ousada, que não poderia compartilhar com mais ninguém, a não ser com as minhas várias versões de mim, todas acompanhadas de um sentimento diferente, que vão do regozijo ao desgosto, mas todas vivas nesse caos particular e maravilhoso, que eu costumo chamar de vida…

Fui! (para o meu Mundo…)

Etéreo

setembro 9, 2018

Volto à superfície cada vez que escuto o seu chamado. É o olhar doce, aquele que contempla meu rosto cansado, que me faz refletir sobre a minha importância nesse espaço sagrado. É a sua forma de dizer que me ama, somente com o seu toque, tão delicado e sutil, que me enternece de nostalgia pelos anos vindouros, que ainda não chegaram, mas que já comovem meu coração ansioso. E é a sua presença etérea que me faz entender o verdadeiro significado de Deus.

Ele se faz presente quando vejo em você a realização de todos os meus sonhos: os realizados e os que não concretizei. Porque em você está a resposta de tudo que foi pensado para mim; você explica o quão maravilhosa a vida é, mesmo sem nunca ter chegado no destino que eu havia planejado. Você me mostra que o primeiro, o segundo e o terceiro lugar só são especiais para quem precisa deles, ou, ainda, para quem não tem uma razão como você para explicar a importância real de cada sonho.

É etéreo o contato que tenho com você, em todas as vezes em que vejo sua alegria, em todas as vezes em que percebo sua gula ou em todas as vezes em que você espera sorrindo que eu lhe repreenda, como se estivesse testando a minha capacidade em ser dura com um alguém cujo amor que sinto, transborda pela minha pele.

Percebo que esse amor também é etéreo, assim como tudo que se refere à você, a nós ou ao Deus que nos juntou nesse mundo. E, todas as vezes em que eu voltar à superfície, vou admirar você em milhões de versões infinitas, em um tempo que não terminará nunca, em uma sintonia que será eterna…

Fui! (agradecer…)

 

 

Não Me Chame de Guerreira

setembro 4, 2018

Naomechamedeguerreira

Por favor, não me chame de guerreira. Me chame do que quiser, até com adjetivos que eu não gosto muito, mas jamais de “guerreira”. Minha vida não é um ringue de luta nem um campo de batalha para que eu me consagre desta forma. Minha vida é, simplesmente, minha vida. E só. Como deve ser a vida de todas as mulheres e homens que vivem intranquilos uma vida de preocupações cotidianas, de amores desencontrados e de stress acumulado.

Somos todos seres reais e existentes, todos vítimas e vilões, dependendo da forma que abordamos nossas emoções. Somos todos: “humanos”.

Minhas guerras não são travadas no cenário que meus olhos enxergam, não estão ali, expostas como grandes cicatrizes em praça pública. Minhas guerras estão escondidas dentro de mim, em um lugar que só eu consigo encontrar. E minha inimiga não é a violência, o descaso e o julgamento de uma sociedade inteira; minha inimiga é a angústia que me acompanha todos os dias, que me obriga a enfrentar o dilema que é ser eu, de uma forma mais otimista e menos penosa do fardo que carrego.

Então, de novo, não me venha com esse papo de “guerreira”,  eu não aceitei lutar. Eu aceitei viver, e isso é bem diferente…

E se quiser me chamar de algo, me chame de linda. Vai me cair bem melhor!

Fui! (simplesmente viver!)