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O Que Eu Quero

junho 12, 2019

beijo

Se você me perguntar o que eu quero neste momento, te responderei apenas com meu corpo. 

Quero beijar a superfície carnuda e macia dos seus lábios generosos; quero abraçar seu corpo inteiro, com a fartura das suas dobras e peles, com a maciez das partes molhadas e a aspereza das partes mais acessíveis.

Quero encontrar as dobras que se escondem dos olhares curiosos de todos que convivem com o seu carisma, e quero salpicar um pouco da minha saliva para marcar esses espaços com o meu gosto mais peculiar, aquele que tem um cheiro doce e um paladar amargo…

Quero vasculhar seus sentidos até encontrar aquele ponto que faz você se contorcer com pequenos espasmos musculares e que faz seus olhos flutuarem sozinhos nas órbitas que geralmente estão cheias de imagens do cotidiano,  mas que nesse momento estará plena de mim, enorme e envolvente.

Quero entrar dentro do seu corpo com uma pequena dose de brutalidade, que vai fazer você gemer de prazer na mesma intensidade em que você vai se entregar para mim, em movimentos possíveis e reais, em um ritmo constante e vulgar.

Quero te deixar desconcertado, cheio de vontade de mim, com uma temperatura mais quente no centro do seu corpo e com as suas extremidades mais frias, com lampejos de tesão, com gotas de prazer e com lágrimas de alegria…

É isso que eu quero.

Fui! (buscar…)

O Preconceito do Brasileiro

maio 24, 2019

preconceito

Já dizia a vovó: “só quem sabe a dor do calo é quem calça o sapato”… e ela, mais uma vez, estava certa. Só sabemos a dor de sofrer preconceito, seja ele qual for, quando somos nós, ou os nossos, as vítimas desta injúria. Sabemos que ofende, mas somente quando sentimos queimar em nós as palavras que são direcionadas para o nosso corpo, é que nos damos conta do quanto esse mundo é cruel e de quanto ainda temos que caminhar para chegar a algum lugar digno para nos receber.

E a hipocrisia maior é ouvir de brasileiros, histórias contra negros, gays e deficientes. Isso porque eles, os “brasileiros” são um povo miscigenado, feito à imagem e semelhança de vários, com histórias de macumba escondidas dentro das saias rodadas das damas da sociedade católica, que vislumbravam o título de burguesa, mas que dentro de quatro paredes sempre foram terríveis devassas que se embebedavam do cálice branco dos seus infiéis maridos para continuar usufruindo do título, mas sabiam elas que as criadas negras tinham mais ginga e mais bossa que seus duros “quadris de parideiras”… 

São os brasileiros o povo de genética duvidosa, que se procriou a partir dos mártires e criminosos que fugiram do velho continente para saudar a vida de esbórnia providencial nesta terra cercada por lindos índios saudáveis que não falavam seu idioma estranho e com acento carregado. Foram eles, os brasileiros, que descobriram o samba, em rodas de vivência, sempre à margem dessa sociedade tosca e mesquinha, que entoava os hinos que os generais brancos do lado de cima do oceano gostavam. E esses moços brancos entraram aqui, nessas terras tropicais, com artefatos de plástico, cujas imagens dos personagens nada tinham a ver com os brasileiros, que insistiam em gostar daquela que tinha o corpo esguio e os olhos claros, mas que evidenciava a nítida falta de melanina brasileira em sua desbotada pele alva.

São eles, os “brasileiros”, que  se esqueceram que aqui nessa terra ser gay não é algo raro, visto que todos eles, e todos nós, nos formamos na mesma escola: a que pregava que o sexo é sujo, não importa realmente com quem ou com quantos você está fazendo. Então é hipócrita ser preconceituoso se em algum momento da sua vida você foi assediado, molestado, desvirginado ou até mesmo estuprado; é hipocrisia julgar o gozo dos outros quando você mesmo não tem competência para falar abertamente sobre o que te emociona em uma cama, com um homem, com uma mulher ou mesmo sozinho. Isto porque, muitas vezes, alguns brasileiros nunca souberam o que é um orgasmo de verdade…

E para finalizar a minha fala, em meio a tanto preconceito: os brasileiros, todos eles, sofrem preconceitos desde o dia em que nasceram, só pelo fato de serem brasileiros. É um povo latino, com estirpe e sobrenome latinos, com cara, corpo e genética de latinos, embora alguns ostentem altura e cores dignas dos outros povos, em algum lugar lá dentro tem sangue de brasileiro correndo nas veias deles, nas nossas, e nas de todos que habitam essa vida dentro desta grande nação verde e amarela, que poderia ser linda se não fosse manchada pelo preconceito que assola a todos: os que sofrem e os que fazem sofrer.

Porque só o fato de serem “brasileiros” já os coloca na mesma posição de desvantagem perante o resto do mundo mais rico e dito “mais culto”: a posição de ser inferior segundo a ótica de uns que pensam ser melhores que outros…

Fui! (tentar sobreviver nesta selva de ignorantes preconceituosos… )

Obs: Eu tenho muito orgulho de ser brasileira e mais orgulho ainda de ser livre dos preconceitos cotidianos que assolam esta nação. Cris Coelho

O Que Aprendi…

maio 22, 2019

oqueeuaprendi

Pelas minhas andanças por essa vida tão cheia de percalços e desafios, encontrei razão nas palavras dos velhos sábios, que carregavam o estigma de senhores dos bons modos e moderadores da boa convivência, mas que no final, eram apenas velhos mortais que tentavam ensinar o que nós não queríamos aprender…

Entendi que, por mais que eu goste de alguns, jamais serei digna do seu colo ou do seu alento, pois sou menor que sua ganância em se destacar ou em delimitar os seus espaços nos patamares mais altos. Entendi também que sou elegante demais para frequentar os mesmos bares que aqueles outros, que insistem em embriagar de vulgaridade o seu ganha-pão de todo dia.

Aprendi a ser mais generosa com todos que me rodeiam, mesmo sendo algum deles menos amáveis do que eu mereceria ou menos solidários, ou ainda, menos recíprocos… aprendi a não discutir por nada mas, ao mesmo tempo, entendi que, às vezes é necessário retrucar alguma dose de malcriação, seja para se impor, seja para expurgar os demônios que correm revoltados em minha mente com tamanha ignorância alheia…

Entendi que os trilhos são mais lisos que meu salto fino aguentaria, mas que a graça reina justamente aí: em fazer-me equilibrar nas barras escorregadias desta sociedade melancólica que insiste em rir de si mesma, em descompasso com os que tentam permanecer em pé, eretos e firmes em seus propósitos.

Aprendi a amar sem culpa os que me cativaram pelo caminho e entendi que não importa o quanto eu tente, jamais vou conseguir ser indiferente aos meus amores do passado, aqueles que me ensinaram a caminhar e a mentir para sobreviver, antes mesmo que eu percebesse que estava sendo eu a enganada, durante todo o caminho. Mas eles permanecem ali, como feridas exposta e cicatrizes mal curadas, até o dia em que eu deixar que sequem; até o dia em que eu deixar que se vão…

E os novos? Estes me dizem todos os dias que eu devo continuar a caminhar por estes trilhos escorregadios, cambaleando e rezando, com todo o medo que se acumulou no meu peito durante o percurso, depois de ver tudo o que vi e de viver todas as dores que vivi; são eles, meus novos que me pedem um pouquinho mais de mim, em doses de clemência e abnegação, e em forma de conselheira velha, daquelas que primam pelo bem estar dos que chegam recentes ao picadeiro da vida, saltitantes de alegria, esfuziantes de vontade e ignorantes das verdades que encontrarão pela frente, nesta estrada chamada “aprendizado”…

Fui! (Equilibrar-me nos trilhos desta vida incrível e ao mesmo tempo perigosa…)

Meus Desejos…

maio 20, 2019

guarda-chuva

Desejo que seus dias sejam repletos de cor, de sorrisos e de sabores doces. Desejo que a chuva que caia sobre seu corpo molhe você com gotas de inspiração, daquelas que limpam e energizam, sempre com as melhores vibrações que os nossos guias podem trazer. 

Desejo que você se lembre dos melhores momentos que você viveu ao meu lado, e que você os reviva todas as vezes em que a sua memória chamar pelo meu nome. Desejo que você esteja plena de si, em sua melhor versão, para que, na hora em que precisar se despedir, não sofra tanto; para que consiga até esquecer o quanto era bom ficarmos guardados dentro desse enorme guarda-chuva, que tinha a difícil tarefa de nos deixar secos e prontos para a festa, que começava sempre antes do combinado…

Desejo que você compre novas roupas, daquelas bem modernas e elegantes, mas que conserve algumas poucas peças da época em que seu corpo era inexplorado pelo gosto do mundo que nos cerca; da época em que esses sabores ainda eram novos amigos de caminhada, prontos para serem explorados em cada nova parada…

Desejo, por fim, que seu final seja atrasado e que que seus passos sejam certeiros e gentis, assim como suas palavras, que trazem conforto a quem é presenteado por elas, mesmo quando apenas se escutam as notas graves da sua voz em pequenas saudações matinais. 

E desejo ainda, sem mais delongas, que você use seu fone cada vez que cruzar contra o vento gelado, que traz as agonias que eles sussurram, sorrateiros, nos seus ouvidos delicados. Use-os como um amuleto da sorte e encontre razão nas melodias dos antigos compositores, que não explicam muito bem o propósito de algumas canções, mas que nos agasalham como nossas roupas antigas e nos protegem como aquele enorme guarda-chuva que costumávamos usar nos dias de tempestade…

Fui! (Desejar sorte para você…)

maio 17, 2019

fé

De todos os caminhos que percorri, de todos os pontos que conquistei, de toda a vida que vi renascer nas margens do meu sofrimento, foi ali, nos braços dela que encontrei a razão de toda a minha busca. Ela, a minha paz interior, só me estendeu suas mãos em poucos momentos de plenitude, quando eu pensava ter conquistado, finalmente, a minha verdadeira vocação. Mas ela foi embora todas as vezes em que eu pensava ser onipotente e superior aos defeitos que me acompanharam por toda uma jornada.

E todas as vezes em que duvidava de mim, da minha capacidade de me superar, de enfrentar os obstáculos que encontrava pela frente, era uma outra versão de mim que me saudava pelo caminho, aquela que nunca me abandonava, mas que pedia resiliência e paciência, sempre que o desespero aparecia, carregando a angústia e a descrença. Essa versão era aquela que eu chamava de “fé”, a minha fé que sempre me segurou, todas as vezes em que eu tentava olhar para o abismo do precipício mais servil e fácil. 

Caminhei por tanto tempo, por tantas estradas e, quando parei, vislumbrei um alguém pleno de perdão e repleto de histórias incríveis, com respingos de ensinamentos e arquivos lotados de aprendizados, sempre em consonância com o que eu buscava, mesmo quando não sabia exatamente o que era… 

E a minha fé? Estava ali, bem ao meu lado, me mostrando o quanto eu pude mais quando contei com ela.

Fui! (me conectar…)

Você Fez A Minha Vida Tão Maravilhosa…

maio 11, 2019

Você me emprestou seus batimentos por alguns meses, me ensinou a ficar acordada de madrugada, me tirou a paz das tardes silenciosas e me deu um novo corpo. Você ultrapassou todos os limites da minha paciência e fez sucumbir a última gota de animação que eu ainda tinha para sair com meus amigos.

Você me mostrou um novo universo, cheio de desafios e enigmas impossíveis de decifrar; você impôs o seu ritmo e fez com que eu precisasse me ajustar, me pediu mais quando eu pensava já ter te dado tudo… e não parou por aí: você me fez rever todos os conceitos que eu tinha arquivado na estante da minha sala de estar, aqueles que são “imutáveis”, ou que eram, até você chegar.

Você espalhou todas as peças deste grande quebra-cabeças chamado vida e me fez remontá-lo inteiro ao seu lado. E depois de pronto, você trouxe um novo, cheio de novas peças, cheio de novas formas de ver a vida.

E assim vamos seguindo, nesse jogo eterno que não vai terminar nunca, nem mesmo quando a jogadora master sair de cena. E quem terá ganho? Nós dois, em uma troca que se eternizará em todos os batimentos compartilhados, em todas as horas não dormidas, em todos os jogos não concluídos, em toda a vida que vivemos juntinhos. Porque você fez a minha vida tão maravilhosa, que uma existência é pouco para definir a sua importância nela…

Fui! (Agradecer…)

Minha Fortaleza

maio 10, 2019

rezademae

Você pensa que eu sou forte? Sim, sou. Na verdade, não sabia o quanto eu sou forte até o dia em que enfrentei a dor de te ver sofrendo e não consegui te livrar imediatamente daquele sofrimento. Percebi que sou forte em todas as vezes em que vivenciei o seu fracasso e, mesmo assim, continuei de pé, pronta para a próxima vitória que chegaria para você, porque eu sempre acreditei nas suas futuras vitórias, eu as via com uma enorme clareza, mesmo quando você não conseguia vislumbrá-las…

Fui tão forte quando lutei contra meus demônios internos para não me descontrolar com aqueles que te machucaram com palavras, intrigas ou mesmo verdades. Fui mais forte ainda, quando dominei minha ira e contive minhas mãos impulsivas, que insistiam em devolver daquele empurrão que você levara ou aquele xingamento fortuito… e fui além: controlei a vontade que tive de destruir a imagem daquele que eu passei a odiar, mas que sabia que você amava tanto; passei a falar bem do meu desafeto, só para acomodar seu coração inquieto pela permissão de poder amar abertamente quem você tanto se importava.

Sim, percebi que sou muito forte quando te vi ir embora da minha casa, de um dia para o outro, simplesmente porque você tinha uma outra história para viver, que não era necessariamente ao meu lado. E fui forte quando, aos prantos, menti sobre a minha alegria cotidiana longe da sua comida de todo dia, da bagunça do seu quarto ou do volume da sua televisão; jamais gostei de mentir para você, mas precisei mentir um milhão de vezes para não te preocupar, para não te aborrecer, para não te atrasar… menti e mentiria mais um milhão de vezes para que sua vida se tornasse plena e independente de mim. 

Mas, a verdade é que a minha força vem mesmo de você. De quem que me mostrou um lado que eu desconhecia completamente, um lado em que me torno onipotente, toda vez que escuto seu nome…

Fui! (agradecer a você, a fortaleza em que você me transformou…)