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Não Me conte Seus Segredos

dezembro 3, 2018

Por favor, não me conte seus segredos. Mantenha-os quietos, fechados dentro de suas caixas de vidro, cuja proteção é tão hermética e, ao mesmo tempo, tão frágil… são eles, os senhores da justiça, que balançam o pêndulo da dúvida sobre a sua moral e que decidem quem pode ou não viver nesta selva de egos chamada “vida”. E somos todos nós, robôs idealizados à imagem e semelhança do próximo, sempre que esse próximo representar o que há de mais lindo. 

Porque não há nada melhor do que aparentar ser melhor do que você jamais foi, e ser perfeito na definição de quem procura esse “algo a mais”; não há nada melhor do que ser, simplesmente, completo aos olhos dos estranhos que rodeiam a sua vida com a intimidade de locutores de rádio, que dissipam as verdades com milhões de tons mais reluzentes que os cinzas opacos do seu acordar sonolento e cansado…

Faz tempo que queria dizer a você as verdades intocadas da vida que nos acomoda em seu colo, itinerante e faceira como toda boa brisa que vem do mar gelado direto para os nossos corpos: ela nos refresca e umedece, mas não nos mostra sua verdadeira temperatura, até que entremos por inteiro no mar.

Então, minha doce menina, seus segredos devem sempre ser camuflados debaixo das camadas de pó que intoxicamos nossa pele viva; devem ser contidos nos alicerces da sobrevivência servil, nos arredores desta cidade de máscaras e devem, por fim, reinar absolutos no espaço sagrado da sua mente, sempre que você conseguir atingir o sono mais profundo, onde ali, você poderá deixá-los vagar livremente na sua própria escuridão…

Fui! (Visitar meus segredos…)

Em Seus Braços

novembro 22, 2018

Em seus braços me sinto livre; neles estou completa. Sou eu, na minha melhor versão, que se encontra com você nos arbustos da nossa vaidade e nas dobras dos nossos pecados. É ali, entre seus braços, que me sinto enorme, pronta para enfrentar meus mais ardilosos demônios e pronta para encarar a vida que planejei ao seu lado. 

Seu abraço é um alicerce que sustenta o peso da minha alma cansada; que grita por socorro em sussurros ao pé do ouvido; que geme em espasmos que imitam orgasmos, mas que na verdade são meros reflexos do meu corpo lhe dizendo para ficar.

E quando estou ali, dentro dos seus braços, sinto-me homenageando Deus, em um compasso de alegria e gratidão. Sinto-me eterna, como se esse tempo fosse mero acaso do destino, como se a minha vida toda tivesse sido um teste para chegar até aqui. 

São nossos corpos que se contorcem em forma de oração, que entregam a tão desejada paz que nossa alma precisa; que se formam em uma onda de plenitude e entrega, que costumamos chamar de amor, mas eu sei que é mais que isso…

Fui! (para seus braços…)

Gateheaven

outubro 15, 2018

Capítulo 10: “Imagine”

“E foi assim que as verdades sobre o meu passado foram reveladas… da forma mais cruel e dramática. Eu me tranquei na prisão que construí, no paraíso acima das maldades da Terra, fui para dentro da minha mente brilhante, onde só eu poderia reinar absoluta, onde os meus sonhos se tornariam verdadeiros e onde a realidade seria mais amena e mais singela que as rodas frias da minha cadeira.

Foi ali, no coração de Gateheaven, que encontrei o futuro desejado, mesmo sabendo que havia sido feito a partir de um passado inventado. A dura realidade da vida nos encontra, onde quer que estejamos, por onde quer que vaguemos… e essa realidade me trouxe até o Vale do Silêncio, onde os tons da vida feliz não tocam e onde os ecos da minha dor gritam mais alto o sofrimento que insiste em me visitar.

Fui até o Vale e passei longos sete anos por lá. Esperei que as vozes se acalmassem até conseguir voltar. Quando voltei, tudo estava exatamente da forma como eu havia deixado. Jason e eu nos casamos em uma cerimônia linda, com flores bluebonnet por toda a extensão da Pequena Capela. Mandei limpar a lateral com mofo e refazer a lápide da mamãe, depois que descobri que as iniciais “Lu”significavam: “Aqui Jaz Trycia Myers, Mãe amada de Luanna Myers”. Algumas tulipas negras insistiam em crescer próximas ao túmulo da mamãe e, sempre que eu percebia sua presença, as arrancava com toda a força.

O tempo passou rápido por mim nessa vida encantada e segura. Tivemos um filho que chamei de “John Lennon”, em uma singela homenagem ao meu eterno ídolo e cujas músicas foram entoadas em nossa cerimônia de casamento. John Lennon Myers seria o herdeiro de toda Gateheaven, o senhor das terras e detentor dos sonhos de toda uma geração. Meu filho é lindo, possui sardas, covinhas e um cabelo ruivo encaracolado. Ele tem os olhos azuis da mamãe e os traços finos do Jason. Também puxou à avó paterna, a Sra. Louise, que não conseguiu sobreviver à dor da minha descoberta e foi sepultada ao lado de mamãe. Janete se desintegrou totalmente, no fatídico dia das revelações, restando apenas os restos das suas roupas, que foram encontradas à beira do Rio das Almas… ”

 

Para ler a história completa acesse: https://www.wattpad.com/story/139222363-gateheaven?utm_source=web&utm_medium=email&utm_content=share_myworks

 

Eu Calo, Tu Calas

outubro 5, 2018

Eu calo, tu calas, todos nós calamos… onde quer que estejamos, é diretamente para o abismo do silêncio que encontraremos o espaço que refletirá a nossa paz. Para longe dos holofotes que jamais sugerirão uma harmonia nas diretrizes das nossas conturbadas vidas.

Somos todos exemplos da nossa cultura, do meio em que sobrevivemos e das expectativas frustadas a que somos submetidos. Somos resultado dos sonhos que nos apresentam quando ainda não temos discernimento para definir o que nos emociona; somos esse final mal-acabado do querer de outros, protagonizado em nós, mas com um corte de cabelo mais moderno e atual.

Calemos nós, sempre que o outro for inimigo do nosso querer. Não sabemos ao certo para onde estamos caminhando, mas sabemos que o conflito será inevitável; da mesma forma que sabemos que nossos preciosos cabelos vão cair depois das sessões de quimioterapia, mas, ainda assim, seguimos para ela, com os braços abertos e o coração apertado. Queremos a cura, mas nos maltrata saber que teremos que nos calar diante do apocalipse que se aproxima. 

E, depois de tantas dores, depois de tantos discursos inóspitos e vazios, de concorrentes que antes compartilhavam doses geladas de álcool e sorrisos artificiais em papos informais, percebo que o silêncio nos abraça com mais cuidado e menos violência. Mas insisto em desdobrar o que há do outro lado, o que vem depois do tratamento e sigo tentando emplacar o “nosso discurso”.

Não me calo, não me conformo. Vivo aqui, no caos dessa pátria, que também é minha. Cala tu porque eu não me calo, minha voz continuará a ecoar, ainda que rouca…

Fui! (gritar…)

“Me Desculpe se te Ofendi”

setembro 18, 2018

 

Corri tanto, com tanta vontade, que me esqueci de olhar para o lado, para verificar se você estava bem, se havia ficado parado em algum ponto do trajeto, se tinha se machucado com alguma queda ou com alguma ofensa perdida…

Sinto muito, muito mesmo, se não te vi ou não te ouvi. Sinto pelas palavras que disse, através da minha própria voz ou pela voz que deixei replicar através das teclas do meu acesso ao seu mundo.

Não tive a intenção de ofender seus ideais de liberdade, de bater tão fortemente em suas convicções ou de imprimir um tom de ódio às causas que você apoia. Não queria diminuir os alicerces que sustentam a sua fé nas organizações, nas definições de caráter ou de conduta apropriada. Realmente não queria me interpor no espaço sagrado do que você considera digno.

Sou uma admiradora de tudo o que espelha a sua dinâmica, respeito suas escolhas e convivo com as suas verdades, que não necessariamente conversam com as minhas.

Gosto de ganhar a corrida, sou boa na arte de defender meus lugares no pódio, mas descobri que sou melhor ainda na função de “amiga”.

Portanto, sugiro corrermos juntos, em direção aos melhores lugares e com a certeza que que não haverão desgastes durante o percurso. 

Porque a corrida vai passar, mas a nossa amizade continuará por muitas eleições!

Fui! (Respirar um pouco…)

Será?

setembro 17, 2018

Às vezes, quando estou sozinha no meu canto, refletindo no mundo que me cerca, penso no que as pessoas sentirão a meu respeito. Penso se serei capaz de comovê-las com a simplicidade do meu olhar, com a vontade genuína que tenho de acertar ou com a minha presença “semi-onipotente” no meio de tanta gente mais importante que eu…

Penso se serei compreendida, mesmo com tantos argumentos contra. Se serei ouvida e seguida; penso se serei reverenciada e aplaudida. Porque a vida trata muitas vezes disso: de buscarmos nossos aplausos no meio de uma multidão barulhenta. 

E assim, eu sigo nadando nesse mar tão confuso quanto a nossa própria história, onde buscamos nele a paz para um descanso que jamais vai acontecer ali, pois ele está sempre em movimento. Aprendemos a contemplá-lo de longe, entendendo a dificuldade que é, mergulhar nele, mas amando-o com a mesma imensidão do seu infinito.

Voltando para o meu ego, transformo-o em borboletas, que sairão de mim todas as vezes em que expurgar da minha alma as falas incômodas, para transformá-las em liberdade colorida, no espaço sagrado de outra pessoa que não concorda comigo. Mas, que de alguma forma, reconhece meu talento em expor as verdades, que não são absolutas, mas que são minhas…

Fui! (tentar explicar o que eu mal aprendi…)

Meu Mundo

setembro 11, 2018

MeuMundo

No meu Mundo existem apenas algumas pessoas que sobrevivem ao caos que é viver ao meu lado. Nele estão meus amores e algumas dores que recolhi no caminho, entre sorrisos e lágrimas, entre vitórias e fracassos.

No meu Mundo só entram os desamores que eu permito me lembrar, em poucos e raros momentos de nostalgia e sempre que me sinto mais enfraquecida. Porque nele eu procuro guardar só o que há de melhor na despensa da minha casa, o que há de mais doce, de mais saboroso e de mais raro sabor. O que é caro não entra necessariamente na minha lista de desejos, tem que saciar a minha fome, o que nem sempre é uma missão fácil, eu sei…

No meu Mundo, meus sonhos estão enfileirados, prontos para servirem de destaque na prateleira principal; só espero a mudança de clima para trazê-los para a frente. Meus projetos vencedores também têm destaque no meu Mundo, eles adornam minhas roupas e cumprimentam o meu ego cada vez que os visto. São as memórias mais libertadoras, aquelas que me tiram o peso do “ter que” e me revelam a leveza do “já fiz”.

As lembranças quentes eu revivo no meu Mundo mais particular, aquele no contorno da minha cama, embebidas pelo cheiro ácido dos desejos de quem muito me quis, ainda que por alguns poucos minutos, ou mesmo por uma vida inteira.

No Meu Mundo eu sou plena de mim, em uma versão tão, mas tão ousada, que não poderia compartilhar com mais ninguém, a não ser com as minhas várias versões de mim, todas acompanhadas de um sentimento diferente, que vão do regozijo ao desgosto, mas todas vivas nesse caos particular e maravilhoso, que eu costumo chamar de vida…

Fui! (para o meu Mundo…)