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“Me Desculpe se te Ofendi”

setembro 18, 2018

 

Corri tanto, com tanta vontade, que me esqueci de olhar para o lado, para verificar se você estava bem, se havia ficado parado em algum ponto do trajeto, se tinha se machucado com alguma queda ou com alguma ofensa perdida…

Sinto muito, muito mesmo, se não te vi ou não te ouvi. Sinto pelas palavras que disse, através da minha própria voz ou pela voz que deixei replicar através das teclas do meu acesso ao seu mundo.

Não tive a intenção de ofender seus ideais de liberdade, de bater tão fortemente em suas convicções ou de imprimir um tom de ódio às causas que você apoia. Não queria diminuir os alicerces que sustentam a sua fé nas organizações, nas definições de caráter ou de conduta apropriada. Realmente não queria me interpor no espaço sagrado do que você considera digno.

Sou uma admiradora de tudo o que espelha a sua dinâmica, respeito suas escolhas e convivo com as suas verdades, que não necessariamente conversam com as minhas.

Gosto de ganhar a corrida, sou boa na arte de defender meus lugares no pódio, mas descobri que sou melhor ainda na função de “amiga”.

Portanto, sugiro corrermos juntos, em direção aos melhores lugares e com a certeza que que não haverão desgastes durante o percurso. 

Porque a corrida vai passar, mas a nossa amizade continuará por muitas eleições!

Fui! (Respirar um pouco…)

Será?

setembro 17, 2018

Às vezes, quando estou sozinha no meu canto, refletindo no mundo que me cerca, penso no que as pessoas sentirão a meu respeito. Penso se serei capaz de comovê-las com a simplicidade do meu olhar, com a vontade genuína que tenho de acertar ou com a minha presença “semi-onipotente” no meio de tanta gente mais importante que eu…

Penso se serei compreendida, mesmo com tantos argumentos contra. Se serei ouvida e seguida; penso se serei reverenciada e aplaudida. Porque a vida trata muitas vezes disso: de buscarmos nossos aplausos no meio de uma multidão barulhenta. 

E assim, eu sigo nadando nesse mar tão confuso quanto a nossa própria história, onde buscamos nele a paz para um descanso que jamais vai acontecer ali, pois ele está sempre em movimento. Aprendemos a contemplá-lo de longe, entendendo a dificuldade que é, mergulhar nele, mas amando-o com a mesma imensidão do seu infinito.

Voltando para o meu ego, transformo-o em borboletas, que sairão de mim todas as vezes em que expurgar da minha alma as falas incômodas, para transformá-las em liberdade colorida, no espaço sagrado de outra pessoa que não concorda comigo. Mas, que de alguma forma, reconhece meu talento em expor as verdades, que não são absolutas, mas que são minhas…

Fui! (tentar explicar o que eu mal aprendi…)

Meu Mundo

setembro 11, 2018

MeuMundo

No meu Mundo existem apenas algumas pessoas que sobrevivem ao caos que é viver ao meu lado. Nele estão meus amores e algumas dores que recolhi no caminho, entre sorrisos e lágrimas, entre vitórias e fracassos.

No meu Mundo só entram os desamores que eu permito me lembrar, em poucos e raros momentos de nostalgia e sempre que me sinto mais enfraquecida. Porque nele eu procuro guardar só o que há de melhor na despensa da minha casa, o que há de mais doce, de mais saboroso e de mais raro sabor. O que é caro não entra necessariamente na minha lista de desejos, tem que saciar a minha fome, o que nem sempre é uma missão fácil, eu sei…

No meu Mundo, meus sonhos estão enfileirados, prontos para servirem de destaque na prateleira principal; só espero a mudança de clima para trazê-los para a frente. Meus projetos vencedores também têm destaque no meu Mundo, eles adornam minhas roupas e cumprimentam o meu ego cada vez que os visto. São as memórias mais libertadoras, aquelas que me tiram o peso do “ter que” e me revelam a leveza do “já fiz”.

As lembranças quentes eu revivo no meu Mundo mais particular, aquele no contorno da minha cama, embebidas pelo cheiro ácido dos desejos de quem muito me quis, ainda que por alguns poucos minutos, ou mesmo por uma vida inteira.

No Meu Mundo eu sou plena de mim, em uma versão tão, mas tão ousada, que não poderia compartilhar com mais ninguém, a não ser com as minhas várias versões de mim, todas acompanhadas de um sentimento diferente, que vão do regozijo ao desgosto, mas todas vivas nesse caos particular e maravilhoso, que eu costumo chamar de vida…

Fui! (para o meu Mundo…)

Etéreo

setembro 9, 2018

Volto à superfície cada vez que escuto o seu chamado. É o olhar doce, aquele que contempla meu rosto cansado, que me faz refletir sobre a minha importância nesse espaço sagrado. É a sua forma de dizer que me ama, somente com o seu toque, tão delicado e sutil, que me enternece de nostalgia pelos anos vindouros, que ainda não chegaram, mas que já comovem meu coração ansioso. E é a sua presença etérea que me faz entender o verdadeiro significado de Deus.

Ele se faz presente quando vejo em você a realização de todos os meus sonhos: os realizados e os que não concretizei. Porque em você está a resposta de tudo que foi pensado para mim; você explica o quão maravilhosa a vida é, mesmo sem nunca ter chegado no destino que eu havia planejado. Você me mostra que o primeiro, o segundo e o terceiro lugar só são especiais para quem precisa deles, ou, ainda, para quem não tem uma razão como você para explicar a importância real de cada sonho.

É etéreo o contato que tenho com você, em todas as vezes em que vejo sua alegria, em todas as vezes em que percebo sua gula ou em todas as vezes em que você espera sorrindo que eu lhe repreenda, como se estivesse testando a minha capacidade em ser dura com um alguém cujo amor que sinto, transborda pela minha pele.

Percebo que esse amor também é etéreo, assim como tudo que se refere à você, a nós ou ao Deus que nos juntou nesse mundo. E, todas as vezes em que eu voltar à superfície, vou admirar você em milhões de versões infinitas, em um tempo que não terminará nunca, em uma sintonia que será eterna…

Fui! (agradecer…)

 

 

Não Me Chame de Guerreira

setembro 4, 2018

Naomechamedeguerreira

Por favor, não me chame de guerreira. Me chame do que quiser, até com adjetivos que eu não gosto muito, mas jamais de “guerreira”. Minha vida não é um ringue de luta nem um campo de batalha para que eu me consagre desta forma. Minha vida é, simplesmente, minha vida. E só. Como deve ser a vida de todas as mulheres e homens que vivem intranquilos uma vida de preocupações cotidianas, de amores desencontrados e de stress acumulado.

Somos todos seres reais e existentes, todos vítimas e vilões, dependendo da forma que abordamos nossas emoções. Somos todos: “humanos”.

Minhas guerras não são travadas no cenário que meus olhos enxergam, não estão ali, expostas como grandes cicatrizes em praça pública. Minhas guerras estão escondidas dentro de mim, em um lugar que só eu consigo encontrar. E minha inimiga não é a violência, o descaso e o julgamento de uma sociedade inteira; minha inimiga é a angústia que me acompanha todos os dias, que me obriga a enfrentar o dilema que é ser eu, de uma forma mais otimista e menos penosa do fardo que carrego.

Então, de novo, não me venha com esse papo de “guerreira”,  eu não aceitei lutar. Eu aceitei viver, e isso é bem diferente…

E se quiser me chamar de algo, me chame de linda. Vai me cair bem melhor!

Fui! (simplesmente viver!)

Recordações Insubstituíveis…

setembro 4, 2018

Minha casa ardeu de dor e desmoronou ali, bem na sua frente.

Enquanto você priorizava as futilidades da sua vida, era eu quem estava ali, esquecida e envolta em várias dívidas. Você não se lembrou de mim, não cuidou do patrimônio que era seu e do mundo todo. Não me deu valor; não me deu recursos para que eu continuasse a viver plena, como costumava ser nos tempos áureos da minha vida próspera.

Você se esqueceu de mim e das alegrias que eu poderia continuar a dar, sempre que você fosse me visitar. 

Não te pedi luxo nem nada em especial. Pedi apenas que você me respeitasse, para que assim eu pudesse continuar a entregar meu amor na forma de recordações insubstituíveis.

Queria poder dizer que ainda estou aqui, mas minha alma, por mais que tente, jamais conseguirá sobreviver ao inferno que destruiu meu corpo. Eu jamais sobreviverei a você e sua corrupção sem limites.

Eu estou morta, virei cinzas depois do incêndio que destruiu cada parte do meu corpo. Mas meu povo, aquele que me amava, continuará de pé, pronto para reconstruir a casa que um dia foi minha. Pronto para refazer o caminho que um dia foi trilhado por seus ancestrais. Pronto para defender a memória do que é deles, e não seu.

Fui! (Construir uma nova história…)

* Em Luto pela morte do Museu Histórico Nacional

Sua Brisa…

agosto 27, 2018

Andando por essa estrada vazia, percebo que voltei ao ponto de partida. Escuto vozes por todos os lados e tento me lembrar de como era a vida quando você ainda estava aqui… me vejo tão pequeno que quase não me reconheço! Sou eu quem deveria dizer adeus de forma definitiva, mas não consigo parar de pensar em como meu sorriso ficava grande ao ouvir suas piadas e em como meus olhos ficavam molhados cada vez que percebia que nosso tempo estava terminando.

Voltei para te dizer “oi”, mas sei que você não vai escutar daí de cima. Então resolvo fazer um gesto para tentar chamar sua atenção, mas você continua sem responder ao meu chamado. Dou uma volta em torno da casa de tijolos e tento entrar pelos fundos, mas a maçaneta está presa. Entendo, por fim, que tenho que seguir meu caminho. E, enquanto ando, sinto uma leve brisa acariciar minha face, marcada em parte, pela dor da saudade que tenho de você; o vento que sopra suave abraça meu corpo como se eu ainda tivesse sete anos de idade. Ele me diz, sussurrando, o quanto você me ama e o quanto te custa não me acompanhar desta vez.

Devolvo o sopro de esperança que ganhei com o ar quente que sai da minha alma. Entrego meu amor à frequência que me acompanha e peço que enderece a você meu beijo de saudade, aquele que explica o porquê da minha visita.

Fui! (sentir o vento me beijar…)