Pular para o conteúdo

O que te emociona?

janeiro 14, 2019

De todos os sonhos que não vivi, de todas as buscas em que não encontrei o que havia perseguido e de todos os momentos que gostaria de esquecer, eu encontro uma razão para olhar para fora e sair deste castelo de amarguras que construí em torno de mim mesma.

Sou eu quem deve enfrentar a escuridão das esquinas pelas quais minha alma insiste em vagar, nas horas em que minha mente se distrai e me deixa livre para sofrer um pouquinho por aqueles momentos que não deveriam ter acontecido, mas que existiram. E, para todos aqueles momentos que deveriam ser eternizados em fotos emblemáticas, mas, que por alguma razão o destino não quis lhes dar vida, eu os saúdo no labirinto da minha mente criativa, aquela que não me permite encontrar tristeza nas várias lágrimas salgadas que brindam meu rosto com seu calor refrescante e ácido.

Se me lembro bem de mim, quando fiz os planos que agora não me acompanham no avançar dos meus anos, eu era mais ingênua e menos machucada. Era mais leve e mais confiante. Era eu em uma versão milhões de vezes mais frágil, mas, igualmente, mais apaixonada.

Hoje sou dona dos meus passos, dona dos que deram certo, dos que não existiram e dos que não foram muito “simétricos”; Sou dona de mim e da vida que uso para estampar a superfície do meu olhar, ofuscado, às vezes, por esse cisco que os outros chamam de “emoção”.

E nos descompassos da minha existência, não idealizo mais tantos sonhos para realizar, ao invés, espero as coisas acontecerem para me surpreender; também não busco com tanto afinco realizar as minhas metas; hoje em dia, prefiro deixar que elas me encontrem pelo caminho… 

E os momentos que gostaria de esquecer? Desisti de esquecê-los. Convivo com eles, juntamente com todos os fracassos que se acumulam no armário da minha despensa. Descobri que é melhor deixá-los guardados e vivos, em vez de tentar matar o que um dia fez parte da minha performance nessa estrada, que eu costumo chamar de “vida”. 

Fui! (Me emocionar…)

FELIZ VIDA

dezembro 24, 2018

Feliz VIDA

Feliz hoje, ontem e amanhã. Felizes momentos ao lado de quem é importante para nós e de quem sentirá nossa falta quando não mais estivermos por aqui.

Felizes todos os dias de sol, mesmo sabendo que raramente podemos mergulhar em um mar gelado, com a brisa do vento para refrescar nossa face mais real e menos séria.

Felizes todos os inconvenientes que nos fazem atrasar mais do que podíamos, mas que, de alguma forma, nos impedem de seguir viagem rumo a algum perigo.

Felizes deles, que nos tiraram algo que pensávamos ser valioso, mas que só quando se foi, percebemos a insignificância disso ou daquilo.

Felizes, mas felizes mesmo, somos todos nós, que buscamos paz nos arredores dos sonhos que plantamos. Aqueles que sabemos que dificilmente se realizarão, mas que nos acompanham durante a nossa jornada, tão vivos e tão presentes que reluzem mais coloridos ainda, como se fossem relances de um trailer de um desses filmes que nos inspiram a seguir, mesmo quando as luzes estão fracas.

Feliz de mim, que, mesmo na sua ausência, consigo sentir seu calor; feliz de mim, que tenho as lembranças reais de uma vida cheia de você.

Felizes de nós, que formamos essa imensa família diversa, heterogênea e incrivelmente farta de divergências deliciosas e inspiradoras.

Felizes das cores que carregamos, que precisam destacar-se dos tons de cinza que os nossos afetos trazem para escurecê-las, e que, sem percebermos, acabam compondo a mais linda pintura.

Feliz de quem pode, no final da estrada, em um compasso de amor e nostalgia, depois da espera que pareceu levar uma eternidade, ver esse sorriso lindo refletido no espelho de casa, cada vez que você sente felicidade…

Fui! (Ser feliz…)

http://www.mariascarlet.com

Não Me conte Seus Segredos

dezembro 3, 2018

Por favor, não me conte seus segredos. Mantenha-os quietos, fechados dentro de suas caixas de vidro, cuja proteção é tão hermética e, ao mesmo tempo, tão frágil… são eles, os senhores da justiça, que balançam o pêndulo da dúvida sobre a sua moral e que decidem quem pode ou não viver nesta selva de egos chamada “vida”. E somos todos nós, robôs idealizados à imagem e semelhança do próximo, sempre que esse próximo representar o que há de mais lindo. 

Porque não há nada melhor do que aparentar ser melhor do que você jamais foi, e ser perfeito na definição de quem procura esse “algo a mais”; não há nada melhor do que ser, simplesmente, completo aos olhos dos estranhos que rodeiam a sua vida com a intimidade de locutores de rádio, que dissipam as verdades com milhões de tons mais reluzentes que os cinzas opacos do seu acordar sonolento e cansado…

Faz tempo que queria dizer a você as verdades intocadas da vida que nos acomoda em seu colo, itinerante e faceira como toda boa brisa que vem do mar gelado direto para os nossos corpos: ela nos refresca e umedece, mas não nos mostra sua verdadeira temperatura, até que entremos por inteiro no mar.

Então, minha doce menina, seus segredos devem sempre ser camuflados debaixo das camadas de pó que intoxicamos nossa pele viva; devem ser contidos nos alicerces da sobrevivência servil, nos arredores desta cidade de máscaras e devem, por fim, reinar absolutos no espaço sagrado da sua mente, sempre que você conseguir atingir o sono mais profundo, onde ali, você poderá deixá-los vagar livremente na sua própria escuridão…

Fui! (Visitar meus segredos…)

Em Seus Braços

novembro 22, 2018

Em seus braços me sinto livre; neles estou completa. Sou eu, na minha melhor versão, que se encontra com você nos arbustos da nossa vaidade e nas dobras dos nossos pecados. É ali, entre seus braços, que me sinto enorme, pronta para enfrentar meus mais ardilosos demônios e pronta para encarar a vida que planejei ao seu lado. 

Seu abraço é um alicerce que sustenta o peso da minha alma cansada; que grita por socorro em sussurros ao pé do ouvido; que geme em espasmos que imitam orgasmos, mas que na verdade são meros reflexos do meu corpo lhe dizendo para ficar.

E quando estou ali, dentro dos seus braços, sinto-me homenageando Deus, em um compasso de alegria e gratidão. Sinto-me eterna, como se esse tempo fosse mero acaso do destino, como se a minha vida toda tivesse sido um teste para chegar até aqui. 

São nossos corpos que se contorcem em forma de oração, que entregam a tão desejada paz que nossa alma precisa; que se formam em uma onda de plenitude e entrega, que costumamos chamar de amor, mas eu sei que é mais que isso…

Fui! (para seus braços…)

Gateheaven

outubro 15, 2018

Capítulo 10: “Imagine”

“E foi assim que as verdades sobre o meu passado foram reveladas… da forma mais cruel e dramática. Eu me tranquei na prisão que construí, no paraíso acima das maldades da Terra, fui para dentro da minha mente brilhante, onde só eu poderia reinar absoluta, onde os meus sonhos se tornariam verdadeiros e onde a realidade seria mais amena e mais singela que as rodas frias da minha cadeira.

Foi ali, no coração de Gateheaven, que encontrei o futuro desejado, mesmo sabendo que havia sido feito a partir de um passado inventado. A dura realidade da vida nos encontra, onde quer que estejamos, por onde quer que vaguemos… e essa realidade me trouxe até o Vale do Silêncio, onde os tons da vida feliz não tocam e onde os ecos da minha dor gritam mais alto o sofrimento que insiste em me visitar.

Fui até o Vale e passei longos sete anos por lá. Esperei que as vozes se acalmassem até conseguir voltar. Quando voltei, tudo estava exatamente da forma como eu havia deixado. Jason e eu nos casamos em uma cerimônia linda, com flores bluebonnet por toda a extensão da Pequena Capela. Mandei limpar a lateral com mofo e refazer a lápide da mamãe, depois que descobri que as iniciais “Lu”significavam: “Aqui Jaz Trycia Myers, Mãe amada de Luanna Myers”. Algumas tulipas negras insistiam em crescer próximas ao túmulo da mamãe e, sempre que eu percebia sua presença, as arrancava com toda a força.

O tempo passou rápido por mim nessa vida encantada e segura. Tivemos um filho que chamei de “John Lennon”, em uma singela homenagem ao meu eterno ídolo e cujas músicas foram entoadas em nossa cerimônia de casamento. John Lennon Myers seria o herdeiro de toda Gateheaven, o senhor das terras e detentor dos sonhos de toda uma geração. Meu filho é lindo, possui sardas, covinhas e um cabelo ruivo encaracolado. Ele tem os olhos azuis da mamãe e os traços finos do Jason. Também puxou à avó paterna, a Sra. Louise, que não conseguiu sobreviver à dor da minha descoberta e foi sepultada ao lado de mamãe. Janete se desintegrou totalmente, no fatídico dia das revelações, restando apenas os restos das suas roupas, que foram encontradas à beira do Rio das Almas… ”

 

Para ler a história completa acesse: https://www.wattpad.com/story/139222363-gateheaven?utm_source=web&utm_medium=email&utm_content=share_myworks

 

Eu Calo, Tu Calas

outubro 5, 2018

Eu calo, tu calas, todos nós calamos… onde quer que estejamos, é diretamente para o abismo do silêncio que encontraremos o espaço que refletirá a nossa paz. Para longe dos holofotes que jamais sugerirão uma harmonia nas diretrizes das nossas conturbadas vidas.

Somos todos exemplos da nossa cultura, do meio em que sobrevivemos e das expectativas frustadas a que somos submetidos. Somos resultado dos sonhos que nos apresentam quando ainda não temos discernimento para definir o que nos emociona; somos esse final mal-acabado do querer de outros, protagonizado em nós, mas com um corte de cabelo mais moderno e atual.

Calemos nós, sempre que o outro for inimigo do nosso querer. Não sabemos ao certo para onde estamos caminhando, mas sabemos que o conflito será inevitável; da mesma forma que sabemos que nossos preciosos cabelos vão cair depois das sessões de quimioterapia, mas, ainda assim, seguimos para ela, com os braços abertos e o coração apertado. Queremos a cura, mas nos maltrata saber que teremos que nos calar diante do apocalipse que se aproxima. 

E, depois de tantas dores, depois de tantos discursos inóspitos e vazios, de concorrentes que antes compartilhavam doses geladas de álcool e sorrisos artificiais em papos informais, percebo que o silêncio nos abraça com mais cuidado e menos violência. Mas insisto em desdobrar o que há do outro lado, o que vem depois do tratamento e sigo tentando emplacar o “nosso discurso”.

Não me calo, não me conformo. Vivo aqui, no caos dessa pátria, que também é minha. Cala tu porque eu não me calo, minha voz continuará a ecoar, ainda que rouca…

Fui! (gritar…)

“Me Desculpe se te Ofendi”

setembro 18, 2018

 

Corri tanto, com tanta vontade, que me esqueci de olhar para o lado, para verificar se você estava bem, se havia ficado parado em algum ponto do trajeto, se tinha se machucado com alguma queda ou com alguma ofensa perdida…

Sinto muito, muito mesmo, se não te vi ou não te ouvi. Sinto pelas palavras que disse, através da minha própria voz ou pela voz que deixei replicar através das teclas do meu acesso ao seu mundo.

Não tive a intenção de ofender seus ideais de liberdade, de bater tão fortemente em suas convicções ou de imprimir um tom de ódio às causas que você apoia. Não queria diminuir os alicerces que sustentam a sua fé nas organizações, nas definições de caráter ou de conduta apropriada. Realmente não queria me interpor no espaço sagrado do que você considera digno.

Sou uma admiradora de tudo o que espelha a sua dinâmica, respeito suas escolhas e convivo com as suas verdades, que não necessariamente conversam com as minhas.

Gosto de ganhar a corrida, sou boa na arte de defender meus lugares no pódio, mas descobri que sou melhor ainda na função de “amiga”.

Portanto, sugiro corrermos juntos, em direção aos melhores lugares e com a certeza que que não haverão desgastes durante o percurso. 

Porque a corrida vai passar, mas a nossa amizade continuará por muitas eleições!

Fui! (Respirar um pouco…)