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A Última Dança

dezembro 15, 2017

bailarina

De todas as danças que desfrutei nessa vida, a última será especial. Dançarei com mais vontade que em toda a minha existência, pulsarei em agradecimento aos parceiros que me apoiaram, que me conduziram, que me fizeram girar. Reverenciarei aqueles que tentaram me boicotar, mas que ao invés de me fazerem desistir, só me incentivaram a continuar e melhorar. 

Farei ainda melhor dessa vez, serei plena nas piruetas e nas trocas de passo. Talvez porque saiba que será a última e a derradeira; talvez porque eu quero, mais uma vez, me superar. Ou ainda, porque eu posso. Serei mais uma bailarina a pisar no palco da vida, para seguir adiante em um outro palco, mais alto, porém igualmente iluminado.

Desta vez não terá ensaio, seremos apenas eu e meus pés calejados, que dançaremos ao som do hino da minha vida. A minha história será contada em cada movimento, em cada sorriso e em cada sopro de vida que ainda me restar. Serei eu na minha melhor forma, naquela que se prepara para os aplausos finais, aqueles que me conduzirão até o meu adeus.

E quando a música parar de tocar, ficará a lembrança de todos os passos, de todas as performances e de todas as coreografias que dançamos juntos, ao som de uma partitura que jamais terá fim…

Fui! (dançar muito antes que a música acabe…)

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Tudo ao Redor

dezembro 10, 2017

Tudo ao redor reflete o que sentimos, o que gostamos, o que queremos. Tudo para para esperar os nossos desejos e os anseios de tornarmos efêmeros e constantes. É o quente da vida que passa tão depressa que mal conseguimos admirar a beleza que é ser mais um no meio da multidão. Somos tão inconstantes, tão pequenos, tão ingênuos…

Pedimos mais amor mas não conseguimos dar nem metade de todo esse amor para o próximo. Somos infiéis à nós na mesma medida em que somos infelizes com as escolhas erradas que fazemos. Não mudamos por pura preguiça, por descaso com a vida que podia ser melhor, mas que está tão ajustada ao nosso cotidiano que preferimos não tocar. Nos lembramos depois de pedir para trocar a lâmpada da sala, mas percebemos que já existe luz vindo da varanda, que ilumina o suficiente a vida que insiste em passar nesse sofá bonito, mas que está desgastado nas extremidades, e cuja espuma já afundou o bastante para pedir a sua troca. Deixamos a sala como está e seguimos para o quarto, para o espaço sagrado em que recostamos nosso corpo; o mesmo corpo que se esforçou tão arduamente para nos dar prazer, mas que terminou exausto depois de mais um dia ordinário. 

Nos cobrimos de culpa e fechamos os olhos cansados de ver tanta alegria ao nosso redor… queremos que tudo funcione de forma adequada e genuína para nós, em um compasso de malevolência e esperteza, em uma sintonia única, feita na medida exata para nós. 

Fui! (escutar a minha canção favorita, aquela que aquece meu coração quando não consigo enxergar a beleza do comum…)

Mais Abraços

dezembro 10, 2017

Mais abraços. É o que eu desejo ganhar de presente. Mais abraços apertados, mais abraços corridos e mais abraços sinceros. Preciso sentir o cheiro e o toque áspero da pele desidratada nas dobras que se encontram com minhas mãos, igualmente calejadas e cansadas. Sou mais próxima dos que quero protejer em meus braços do que os que me acobertam de calor e carinho. 


Prefiro abraçar. Prefiro entregar o meu apreço genuíno para quem é importante pra mim. Não recuso seu abraço, porém, peço que espere até a próxima parada. Para me ter em sua sintonia preciso me abrir para você, me desconectar um pouco de mim e sobreviver a enxurrada de amor que você me passa cada vez que me toca.


Seus abraços são apertados, demorados e intensos. Não consigo entender o real significado deles, se é proteção, amor, carinho ou tudo junto. Prefiro pensar que é a forma mais singela de dizer “eu gosto de você” e dessa forma, recebo sua declaração de amor, menos direta que um olhar, mas mais terna e acolhedora.


Te devolvo o abraço que não entreguei antes, desejando voltar a ter seus abraços ao meu redor.  Penso em como a vida passa rápido e em como nós não nos damos conta da importância desses abraços… espero que não seja tarde para dizer que adorei te ter tão perto de mim, em um abraço que não vai terminar nunca.


Fui! (abraçar todos que amo…)

Eu Tive que Ir

novembro 30, 2017

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Eu tive que ir embora… tive que ir para que você pudesse pudesse conhecer novos amigos, novas possibilidades de amor. Tive que sair da sua vida para que você se obrigasse a enfrentá-la, a encarar seu medo da solidão e para que você pudesse se reinventar. 

Mas eu sempre estarei aqui, contando de novo as mesmas histórias, caminhando ao seu lado em um passado que nunca nos abandonará, somente deixará de ser tão cotidiano. Seremos as melhores lembranças e teremos um “nós” guardado no peito, para acessarmos todas as vezes em que as suas mãos gelarem e sua respiração se tornar escassa. Seremos um elo de ligação entre o bom que tivemos e o ótimo que você buscará. Vamos repetir muitas vezes o nosso mantra e cantar as nossas músicas, mas agora em outro ritmo. 

Levo na mala apenas a certeza de que precisei ir, que realmente tive que ir. Não podia lutar contra o destino, pois ele já havia reservado um monte de coisas para você… saí do caminho dele para dar passagem para a sua vida, cheia de emoções e desafios. Parei um pouco na margem da estrada e fiquei observando você sendo conduzida até o altar. E depois até a maternidade e aos vários cargos de trabalho que você conquistou. Também te vi chorar umas milhões de vezes, em todos os momentos em que você se sentia fracassada. Vi seus sonhos ruírem quando ele te deixou e vi seu sacrifício para acordar todos os dias no mesmo horário, tão cedo…

E, embora eu tenha tido que ir, não pude ficar só observando, tive que voltar e te consolar. Pena que você não me viu. Mas eu estava ali, do seu lado, te olhando. 

Sim, eu tive que ir. Mas acredite: eu jamais fui.

Fui! (te olhar…)

Íntimo e Privado

novembro 29, 2017

intimo

Íntimo e privado. É assim que chamo o ar que abraço, que trago para dentro de mim cada vez que desconfio de alguém, cada vez que sinto medo, cada vez que sofro calada. É o sentimento que me aproxima do meu eu mais profundo, daquele que não discute, que só sente. Sou eu, na minha versão mais nua que se encontra dentro desse abraço, cercada por todos os sons da melodia que só eu consigo escutar, das partituras mais privadas da minha vida. 

Não sou reservada sempre, só quando quero me encontrar comigo em um lugar que ninguém possa me acessar, onde não podem me criticar mais do que eu mesma, e onde eu também posso ser dona das minhas vontades mais loucas, daquelas que fariam a terra tremer e papai suspirar. É lá que descanso depois de ser feliz. Descanso serena, sem a pressão de ter que rir o tempo todo, sem a necessidade de ser adequada ou acessível. 

Sou mais verdadeira ali, no espaço sagrado da minha alma, no limite da minha teimosia e no apogeu do meu “eu”; no momento em que guardo só para mim um pouquinho da minha intimidade, que é tão fulgaz e ao mesmo tempo tão intensa…

Fui! (preservar mais os meus espaços íntimos e privados…)

Na Entrada

novembro 24, 2017

naentrada

No caminho da sua vida te espero passar por mim. Distraída como sempre, nem me nota e segue segura no novo caminho que você acredita ser o melhor… espero seu momento mais relaxado para dizer em sussurros no seu ouvido o quanto estou orgulhoso por você ter continuado a caminhar, mesmo depois do que aconteceu. Sei que não é fácil, nunca é… mas a vida trata de nos ensinar a ouvir quando estamos acostumados a falar mais do que devemos. 

Foi a chance de falar com você, no segundo em que parou para respirar, que me atrevi a te dizer para mudar de caminho, para, mais uma vez, levantar e recomeçar. Me angustiava te ver ali, abraçada às suas mais intensas emoções, sendo consumida por um sentimento que não te deixava sorrir. E, no silêncio da sua serenidade, consegui me conectar novamente com você, te ajudando a enxergar todas as cores que você insistia em não ver. E em todo momento em que se olhava no espelho e via uma completa estranha, era você tentando se achar no meio da sua dor.

Mas quando consegui ver seu sorriso de novo, em um relance de esperança,  me dei conta de que você estava de volta. Machucada, ferida, mas inteira.

E se você me perguntar se essa dor um dia vai passar, te digo que não. Não passa nunca, mas você vai seguir e encontrar formas de lidar com ela. Você vai se sentir mais forte cada vez que passar pelo lugar em que a sua vida se divide entre suas lágrimas e sua alegria. E onde está esse lugar?

Na entrada da sua casa nova, aquela com a porta azul e uma placa de bem-vinda.

Fui! (te encontrar na entrada…)

 

Margaridas pelo Caminho

novembro 19, 2017

margaridaspelocaminho

Te deixo minha flor preferida… minha margarida ordinária e simples. Ela combina com a minha alma, igualmente simples e descomplicada.  E, se ainda assim, pareço complexa é porque me defendo com várias máscaras e com inúmeros traumas que transformo em gigantes arabescos para esconder a minha verdadeira beleza, aquela genuína que reflete a minha essência doce e sensível.

Sou eu, acessível e verdadeira, que traz essa flor desbotada e um tanto suja, para fazer companhia à sua dor inquieta. Eu, que deixei tantas outras margaridas pelo caminho, transformo nossa história em mais um encontro fortuito, aquele encontro feliz em que rimos de nós mesmos às quatro da tarde, na hora em que não sentimos aflição pelo começo ou pelo final do dia.

Te entrego uma das minhas margaridas para te dizer com sutileza que você é importante e essencial. Para demonstrar que não fui indiferente às suas dores e aos seus lamentos, só não podia entregar todas as minhas flores porque meu jardim ficaria escuro e sem vida. Preciso das minhas cores e dos meus perfumes, mas deixo um pouco para te distrair quando o inverno frio chegar e seus lamentos recomeçarem. Lembre-se de que o tempo que vivemos juntos será eterno em todos os momentos em que nos lembrarmos dele.

Agora eu vou, mas deixo um pouco de mim no seu caminho. Um pouco de nós e um pouco de você, rindo ao meu lado. Se te fiz sofrer ou chorar eu peço desculpas; provavelmente era a minha versão mascarada que estava se defendendo dos meus próprios medos. Mas, se te fiz feliz também, te peço que se lembre dessa pessoa, da que carregava margaridas para te ver sorrir…

Fui! (deixar minhas margaridas pelo caminho…)