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Minha Casa

julho 14, 2018

mao

Depois de todas as tormentas que enfrentei, depois de todos os caminhos que percorri, foi em seu colo que senti que havia chegado “em casa”. E quando entrei e não te encontrei, me senti igualmente segura, pois o seu cheiro ainda impregna minha vida, seu calor ainda esquenta minhas mãos e seu olhar, sempre vigilante, ainda me conforta. 

É você, em um milhão de definições diferentes que encontro quando procuro meu cobertor de infância, aquele que tem as lembranças mais doces e divertidas, de um tempo que não voltará jamais, mas que me faz todos os dias recordar como é ser cuidada de verdade.

Não me esqueço, um segundo sequer, de rezar a oração que você me ensinou. Não me esqueço de olhar para as partes mais óbvias de todo texto para tentar encontrar algum sentido escondido entre as vírgulas e os pontos finais. Não me esqueço de você e, mais presente ainda, é a lembrança das suas mãos ásperas segurando meus dedos frágeis e pequenos. 

E todas as vezes em que sinto medo, me protejo com as lembranças que tenho de como eu me sentia quando estava ao seu lado; me lembro que permaneço com você ao meu lado, mesmo sem te ver. Me lembro de senti-lo, e sinto a proteção que me abraça e me aconchega nessa energia que é inexplicável, mas ao mesmo tempo real.

Fui! ( buscar suas mãos…)

Partituras Livres

julho 10, 2018

partituraslivres

Hoje percebo o quanto o tempo é nosso amigo. Ele nos ensina a aguardar, até último segundo, aquele em que já pensamos ser inútil, mas que ainda está lá. É o tempo, o senhor de todos os sons, dos mais agudos aos mais graves; é ele quem dita o caminho pelo qual a partitura da nossa vida vai se desenhando, e é ele que, sem pudor, nos convida a nos retirarmos, em hora providencial para a trilha sonora que ele construiu. 

Podia pensar que ele é um ser sem coração, que age por pura ambição, mas quando paro para escutar a partitura final que ele compôs, entendo que a perfeição nem sempre é entendida por nós, simples mortais do tempo escasso; a perfeição está no desajuste e nos desencontros que o tempo insiste em impor, em um gesto simples e quase irônico, quando nos tira o que jamais foi nosso, para brincar com nossa mente egoísta e nosso ego magistral.

É ele, o senhor Tempo, quem dita as façanhas da nossa pobre e ordinária existência; é ele quem nos diz quando e é ele quem nos impulsiona a ser livres, mas “livres” no tempo dele, é claro. 

E ao som dessas partituras feitas exclusivamente para mim, sigo dançando plena. Tenho orgulho da maior parte da coreografia, mas me envergonho de alguns passos errados, de posições um tanto constrangedoras para o espetáculo. E a cada queda, me levanto e me recomponho. E a cada parada, respiro. E a cada nova melodia, danço.

Fui! (escutar a maravilha que é a minha partitura…)

Mais Leve

junho 26, 2018

Caminho por esta estrada mais segura desde que deixei para trás os pensamentos sombrios sobre o destino dos meus. Troquei o peso das minhas incertezas pela leveza do meu hoje ao lado deles. Escolhi uma mochila mais informal, sem tantos detalhes, sem tantos dourados para adornar as minhas costas doídas; ao invés da elegância, preferi a simplicidade e a praticidade. Escolhi as cores mais claras para dizer sucintamente o que eu sinto, em um bom e básico português. As palavras saíram fluídas e fáceis, e formaram frases comuns, mas que dizem tanto, como um “eu te amo” ou “eu estou ao seu lado”.

E foi assim que descobri a graça que é viver. Sem esperar por mais, só mesmo agradecer pelo que chegou… foi assim, entre passos mal dados e escolhas difíceis que entendi que aquele abraço era muito mais que uma despedida; aquele abraço era um ritual. E sempre que me lembro dele penso na oração que inventamos, naquele hino especial que só pertence ao nosso time.

Porque as recordações ficam, apesar da história seguir. O caminho muda, mas os passos que foram dados ficam ali, eternizados para sempre nos instantes em que nos encontramos e vivemos juntos, tão cheios de bagagens inúteis e de dourados sem tanto propósito. As bagagens foram substituídas, a estrada foi asfaltada e nós envelhecemos. Perdemos um pouco de nós também, a cada despedida, a cada preocupação, a cada angústia vivida; mas ganhamos mais com a leveza que passou a nos acompanhar a partir daquela curva, a partir daquele abraço…

Fui! (trocar minha mochila por uma mais leve…)

Pelo Vale…

junho 21, 2018

Ando por este vale sem saber direito para onde ir. Procuro por você e não consigo encontrar seu olhar. Suas mãos sempre estiveram ali, perto das minhas, para que eu pudesse agarrar se precisasse. Mas eu quase não precisei delas porque na verdade eu queria caminhar na frente, queria correr e ser livre. Queria ser livre de você.

E, em todos os momentos em que me senti forte, era porque eu sabia que você estava ali, ali atrás, pronta para me segurar. E, em um momento, entendi que as amarras que eu tanto quis cortar eram apenas meus pensamentos que me levavam todo o tempo até você.

Foram essas mãos que me ajudaram a seguir adiante; que me empurraram com força para chegar até aqui. Foi você que me fez mais forte pelo desejo de ser diferente de tudo em que você acreditava. E hoje percebo o quanto sou idêntica a você. Tenho o mesmo olhar, a mesma forma compulsiva de amar, o mesmo sentimento avassalador que explode dentro de mim cada vez que penso em como a vida é linda e no quanto ela é frágil.

Meus pedaços estão espalhados por todo o vale, esse vale que insiste em me ludibriar e me enganar. O vale que se transforma em um labirinto para que eu não consiga escapar… mas quando consigo respirar, encontro uma forma de sair daqui. Busco suas mãos com toda vontade e peço, enfim, sua tão valiosa ajuda.

Sou eu, em uma versão tão pequena que implora por mais um pouquinho de você, por mais alguns instantes com a sua energia inebriante e tão encantadoramente sufocante. Encontro finalmente a saída e, embora perceba que você não está lá, descubro que o destino para onde este vale leva nunca importou na verdade. 

O propósito era mesmo a jornada ao seu lado.

Fui! (Buscar suas mãos…)

Set Me Free

junho 17, 2018

Todos os dias em que acordo eu peço para esse ser que me governa um pouco mais de tempo. E peço paz… peço um pouco de tudo que é bom demais para deixar pelo caminho; peço o que preciso para continuar. E peço perdão por todas as pegadas de erros que deixei na estrada.

E ele me diz, todos os dias, que o mar vai me trazer essa paz, todas as vezes em que ele vier me molhar e, juntamente com suas sábias ondas, limpar as marcas de areia que esculpi com meus pés pecadores. 

Ele me diz também que as coisas boas que deixei pelo caminho eram boas, mas que provavelmente não eram mais necessárias. Conforta minha alma quando afirma que o que eu preciso está aqui, dentro da minha mochila velha, basta procurar com cuidado que eu vou achar.

Mas eu insisto e pergunto: “E um pouquinho mais de tempo que lhe pedi?” Ele sorri e me responde: “Quando acabar eu te aviso…”

Então sigo minha estrada, tentando entender um pouco dessa história que chamamos de vida, dos encontros e reencontros que nos seduzem e nos fazem sorrir, e dessa lógica sem sentido que é o tempo que pensamos possuir, que achamos tão longo quando sentimos culpa ou dor e que parece se esvair em segundos quando queremos prende-lo para sempre, em instantes que poderiam ser eternos se fossem verdadeiramente nossos…

Fui! (mergulhar nesse mar chamado vida…)

Canção da Alvorada

junho 11, 2018

Em incessantes minutos eles me convidam para partir, sou levada ao extremo da minha ignorância para me ater a um segundo sem paz ou penitência. Um segundo de nada, seguido por intercaladas noites de frio que se desfazem com o anúncio da alvorada.

É o remédio das almas que adormece o coração dos pecadores, que refugia o mal dentro de si e expulsa as mágoas do horizonte de quem quer ver além. É este plano que rompe o silêncio dos vivos e que transita junto a estes o bem que está à espreita, mas que só alcançamos com vontade.

Parto em minutos que se cansam de esticar, em memórias oportunas de tudo o que é verdadeiro e impensado; sou forte o suficiente para levantar, mas não sei se quero seguir adiante com novos amigos a me rodear.

Preciso de calma para deixar este corpo que me pede constantemente para ficar, preciso de coragem para dizer adeus e de mais um pouco de tempo para me acostumar.

Na alvorada, as almas se levantam e seguem em direção ao nada, que está cheio de vida e cheio de paz, em um vasto espaço de tempo, que é inóspito e sereno. Não me nego a seguir com elas, mas escolho entrar por alguns segundos em um espaço reservado para a minha alma, um cantinho que é só meu e que esteve trancado por tanto tempo. Relembro as dores e as angústias, vejo o meu eu tão pequeno e inocente. Recolho as mazelas que ficaram pelo caminho, limpo o espaço que meus pés percorreram e percebo as marcas que ficaram pelo caminho. As cicatrizes que deixem em mim e nas pessoas que cruzaram a minha estrada.

Não consigo enxergar além de mim a culpa que me é cotidiana, talvez porque já esteja curada, talvez porque já não importe mais. Me escondo neste rincão com a promessa de não fazer barulho. Tento fingir que ainda tenho tempo e que a alvorada não vai chegar tão cedo. Tento aliviar o peso das minhas pernas dentro de algum pilar sólido no sótão empoeirado da minha mente, mas o que vejo são estruturas que estão prestes a cair, em um palácio de ilusões que vai desmoronar a qualquer momento, assim que a alvorada chegar.

Então me levanto e saio em direção a esse nada, cheio de novas oportunidades e de novas formas de fazer o mesmo. Sigo em direção à minha nova vida, do lado de lá e também aqui. Em todos os lugares possíveis, os que já percorri e os que vou percorrer.

Porque agora que a alvorada chegou não sou mais “eu” apenas. Agora sou um “eu” novo, um “eu” onipresente e eterno.

Salve!

Fui! (viver enquanto não chega a minha alvorada…)

Quero te levar comigo…

junho 6, 2018

Não quero lhe falar como eu sinto a sua falta, mas não consigo deixar de sentir a sua presença em todos os momentos gloriosos da minha vida. A cada conquista, a cada aplauso, a cada sorriso, é você quem eu busco para compartilhar meu sucesso, em um compasso de tristeza e saudade, em uma sintonia que não consigo explicar, que é só nossa.

Cada palavra sua ficou marcada em pequenos espaços do meu corpo, como uma tatuagem na alma, daquelas que não se enxergam, mas que sei que estão ali. O desenho tem um formato de anjo, daqueles que voam no inferno para me salvar cada vez que minhas escolhas me levam para lá… eu sei que devo tomar cuidado, mas sei também que você sempre estará lá para me ajudar a sair dos meus problemas. E, depois, vamos rir juntas dos desatinos que me acometem, das besteiras que fiz e faço, e de tudo que deve ser consertado. Tudo o que pode ser consertado, exceto o estrago que existe aqui dentro de mim, quando penso que não terei você para me abraçar de verdade.

Eu quero viver uma vida plena, cheia de alegrias e vitórias; quero muito seguir adiante, em direção a um futuro pleno e promissor. Mas quero levar um pouco de você, do passado que compartilhei ao lado das suas gargalhadas, sob seu olhar cuidadoso e além de qualquer desentendimento que tivemos. 

Quero levar você comigo, para onde quer que eu vá. E vou dividir meus aplausos com você, que me ajudou tanto a conquistá-los…

Fui! (me lembrar de você, sempre!)