Ser Rico é Vergonhoso

Vivemos em uma sociedade em que ser rico é vergonhoso. Do Brasil à Inglaterra, passando por Grécia, fazendo escala em Angola e chegando à África do Sul. Nos países em que a economia é, ou era mais estável, a crise recente faz com que novos hábitos sejam incorporados e, os que possuem grande patrimônio de heranças adquiridas ou trabalho bem sucedido se veem obrigados a esconder sua realidade. Nos países onde o nível de pobreza chega a graus absurdos, a discrepância entre quem não tem nada e quem tem muito é mais avassaladora e doída, como uma ferida exposta.
É triste ver crianças morrendo de fome, é triste ver pessoas se acotovelando em um lixão para tentar a sorte de encontrar algum lixo que valha a pena recorrer, é triste ver o tratamento desumano em hospitais públicos com pacientes morrendo por falta de estrutura… Tudo isso é muito triste. Mas, se o sistema democrático implantado nesses países é fraco ou errôneo, o resultado final não pode ser a destruição do patrimonio pessoal dos ricos através de impostos absurdos ou, ainda pior, o olhar acusativo e o tom de crítica comum ao povo abastado.
Se existem políticos corruptos? Claro que sim! Que gastam o dinheiro que deveria ir para o sistema de saúde ou cestas básicas? Claro que sim! Que roubam, roubam e só roubam? Claro que sim! Mas não podemos generalizar. Achar que todo rico provém de um tio político corrupto… Ou então, que todo sortudo de herança de família deveria abrir uma ONG e doar mais da metade do seu capital para os pobres só porque é um absurdo que ele tenha uma BMW e as crianças na Somália morram de fome. Simplesmente porque não é responsabilidade do “ricaço” saciar a fome do mundo ou prover medicamentos para a população necessitada. É responsabilidade dos ricos, da classe-média e dos próprios pobres contribuir para um mundo melhor, mas elegendo bem os representandtes do governos que vão controlar a máquina e não aportando o ódio sobre os que têm, em contraponto aos que não têm…
Na Europa a nova moda entre os ricos é andar de trem e viver em fazendas rústicas em um estilo de vida bem simples e tosco. É cool… Ou seria: é “prudente”?
O filho do Eike Batista? Se ele atropelou o pobre de bicicleta? Atropelou. Se tem culpa pelo acidente? Nao sei, pode nao ter culpa pelo acidente, mas com certeza culpado ele é… Culpado de ter nascido rico!!!
E eu? Vou correndo trocar o meu carrão importado por um basiquinho da Kia… Que mico se os meus amigos me veem esbanjando…. Fui!

Cris Coelho

A minha literatura é livre de estereótipos, padrões e convenções. Ela entrega poesia onde há cotidiano. E renova minha fé em mim e no mundo. Cris Coelho, Escritora & Poetisa