“A fé remove montanhas” e, de fato, remove há mais de 2 mil anos.
A utilização desta força manipuladora pode formar impérios, destruir gerações inteiras, arrastar multidões e fazer fortunas.
Um claro exemplo foi o caso da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtianide, 43 anos, que foi condenada a morte por tentativa de assassinato do marido e adultério. Um detalhe: o juiz decidiu que a morte vai acontecer por apedrejamento. Segundo Sakineh o homem que matou seu marido foi identificado e preso, mas não foi condenado à morte porque o filho de Sakineh o perdoou: “A resposta é muito simples. É porque sou uma mulher e acham que podem fazer o que querem com as mulheres neste país. Para eles, o adultério é pior que o assassinato, mas não todos os adultérios: um homem adúltero pode acabar na prisão, mas para as adúlteras significa o fim do mundo”. – relata a acusada.
Este crime que vai acontecer está totalmente atrelado ao contexto político do país em questão. Esse contexto político por sua vez está também intimamente ligado à cultura dessa sociedade, uma cultura religiosa ao extremo, que trabalha na fé das pessoas de que adultério é tão grave ou até mais grave que o próprio assassinato. Isso está impresso na fé de uma religião. Que dita normas e regras de condutas, segundo os mandamentos sagrados de Alá, Buda ou Moiséis. Não sei bem de qual enviado, mas em algum momento alguém ou alguma entidade escreveu que isso era um pecado terrível e em pleno ano 2012 vai acontecer (mais) uma morte embasada em uma premissa de vários aspectos, mas predominantemente… religiosa.
A fé, resumida em religião, disciplina e catequiza a mente de muita gente. Trabalha com o que há de mais eficaz para controlar a mente humana: o medo. O medo do desconhecido, do abstrato, do oculto.
A fé é boa, é saudável, é necessária.
É o que nos faz acordar todo dia e seguir adiante.
Ter fé na vida.
Ter fé nas pessoas.
Ter fé em nós mesmos.
O que me perturba é a religião como instituição. É a inibição e a arrogância.
É o conceito do que está certo e do que está errado. É a manipulaçao psicológica que nos transforma a todos em “John Malkovich” enfileirados em uma fila de pão…
Melhor rezar logo esse Pai Nosso para que eu possa dormir tranquila. Afinal, essas palavras podem ser apenas palavras… mas eu tenho fé nelas.                      

Fui!

Obs* crônica antiga, datada de 13/01/2012, aposentada no site.

Cris Coelho

A minha literatura é livre de estereótipos, padrões e convenções. Ela entrega poesia onde há cotidiano. E renova minha fé em mim e no mundo. Cris Coelho, Escritora & Poetisa