Nós

divino

Quando escuto sua voz, lembro-me de quem eu sou e do caminho que percorri para chegar até aqui. Percebo que fui mais forte do que imaginei, mais suave do que precisava e mais corajosa do que sensata. Não pude ver meus méritos porque estava ocupada demais para me vangloriar das pequenas vitórias que angariava pelo caminho torto que minha vida havia me levado.

Era eu, em uma versão muito mais dura, que tentava gritar dentro de uma bolha de vidro chamada lar; e era esse mesmo lar que me acorrentava e me prendia a você, em lembranças de tempos que não voltam, mas que também não entardecem e não envelhecem. Sou eu, sua amiga que agora clama por um pouco mais da sua companhia, envolta em memórias e conversas sem importância, com tempo de sobra para jogarmos fora, nesse imenso vaso de rolhas de vinho colecionáveis, que vão durar mais que nós mesmos e menos que nossas histórias…

Tornamo-nos plenos nesses momentos que parecem durar uma eternidade, mas que se vão em segundos. Tornamo-nos grandes no amor que nos conecta, no elo simples que liga nossas almas a uma imensidão de nós mesmos e tornamo-nos gratos quando percebemos o quanto foi bom estarmos aí, ao lado um do outro, mesmo com tudo que enfrentamos, apesar da vida e apesar de nós…

Fui! (amar você…)

Cris Coelho

A minha literatura é livre de estereótipos, padrões e convenções. Ela entrega poesia onde há cotidiano. E renova minha fé em mim e no mundo. Cris Coelho, Escritora & Poetisa