Todas as Minhas Cores

Quero acessar todas as minhas cores. Quero sentir a paz dos tons amenos dos meus azuis, sentir a vibração dos meus amarelos e até mesmo a força dos meus vermelhos.

Quero ser branca quando estiver com os que amo e escura quando precisar camuflar-me nos arbustos de alguma esquina perigosa.

Quero ser violeta para respirar o perfume que exala dela, cada vez que me lembro da minha infância encantada; quero ser rosa para sentir que o universo ainda dança comigo, em compassos de leveza e harmonia, cada vez que movimento meu corpo. Quero ser verde para abraçar a flora que me cerca, aquela que se entrelaça nas minhas veias e leva saúde em doses plenas ao bater das asas de todas as minhas borboletas.

Quero ser negra em toda a profundidade que meus sentimentos permitirem, quero ser cinza enquanto puder fingir que não escuto as agressões cotidianas que insistem em cercar-me a cada porta que se fecha e quero ser rubra para encobrir os excessos que infringi ao meu valente e resignado corpo.

Quero ser essa imensidão de tons que cercam minha vida, cada vez que escuto a canção da alvorada convidar minha alma para passear pelo inconsciente de beges das areias vazias da minha saudade.

Quero ser colorida na proporção perfeita de tudo que combina com o meu doce jeito, na sintonia fina de todos os tons que completam a minha não tão simples existência…

Fui! (Pintar…)

Cris Coelho

A minha literatura é livre de estereótipos, padrões e convenções. Ela entrega poesia onde há cotidiano. E renova minha fé em mim e no mundo. Cris Coelho, Escritora & Poetisa