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Tudo de Volta…

junho 18, 2017

cortina

Às vezes eu quero que tudo volte para o lugar de início. Quero tudo novo, de novo. Quero assim, com o laço ainda preso no embrulho, pronto para ser desenlaçado. Quero a vida intocada e imaculada. Quero assim, sem cicatrizes e sem traumas. 

Quero ver de novo o sorriso da vovó, aquele bem largo e sincero, de quando ainda fazíamos as palhaçadas preferidas dela. Quero ver meu tio bebendo seu whisky como se o mundo fosse acabar amanhã… o nosso mundo não acabou, mas o dele sim, depois que a pancreatite o visitou naquela terça-feira. Quero ver a mamãe agradecendo a sua Santa, a vida dos seus filhos, mais saudáveis que todas as crianças de um comercial de danoninho… a Santa ajudou, mas foi a mamãe quem nos alimentou e protegeu.

Quero ver de novo o meu primeiro namorado, aquele que me ensinou que eu teria que me esforçar muito se quisesse ser amada e respeitada por um alguém que não dividisse a mesma carga genética comigo… quero poder olhar em seus olhos e dizer que sim, eu consegui um alguém que me ama e me respeita, e eu não tive que fazer tanto esforço para conseguir isso. Bastou ser eu mesma.

Queria poder voltar o tempo e encontrar aquela amiga que me disse que seríamos amigas para sempre. Queria poder dizer a ela que não guardo mágoas por ela ter se afastado. Que ela sempre será a minha melhor amiga da juventude e que hoje eu fabriquei uma melhor amiga mais amiga ainda, minha filha. E encontrei no meu passado mais remoto outras grandes amigas, mais perfeitas e completas: a minha mãe, a minha avó e a minha tia. 

Queria poder voltar ao ponto de partida, ao início dessa caminhada mas não posso. Posso me lembrar com carinho dos bons momentos e com amargura dos momentos vergonhosos que presenciei ou causei… queria poder dizer mais uma vez o quanto amo algumas pessoas e queria poder nunca ter dito nada sobre amor para outras… 

Queria modificar muitas coisas do meu passado, ou, simplesmente, vivencia-las novamente. Mas a verdade é que o caminho que foi percorrido já não existe mais. Ele se esvaiu atrás de mim como uma nuvem de poeira que se forma atrás de um grande caminhão de mudança. A estrada foi engolida pelo precipício ao lado, logo depois que eu passei. 

E os presentes que nunca foram abertos permaneceram lá, intocados e esquecidos…

Fui! (abrir todos os presentes que a vida me dá… hoje!)

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