Apocalipse

B4A0279-2

Eu vi Guerras se formando, vi homens morrendo. Eu vi o que o poder, a ganância e o ego podem fazer com uma nação. Eu vi várias nações morrerem de fome, vi crianças segurando armas e mães matando suas crias dentro delas. Vi massacres e humilhações… 

Vi pessoas catalogando o sexo do ser humano como se isso o definisse. Vi gays sendo mortos por serem gays, vi mulheres sendo estupradas por serem mulheres, vi crianças sendo observadas e assediadas como se fossem um pedaço de carne em um mercado.

Vi a corrupção em cada esquina, vi a traição nos olhos de quem se dizia confiável, vi o caos dominar esse Mundo.

Vi a morte de perto, cada vez que saía do conforto do meu lar. Vi a escuridão que tomou conta da pracinha em que eu costumava brincar. Parei de brincar. Troquei o simples prazer de sentir o sol no meu rosto pelo cuidado, pela cautela, pela observação atenta. 

Vi pessoas próximas morrerem de câncer porque consumiram doses maciças de venenos em frascos bonitos e reluzentes. Vi a histeria que se tornou um jogo de futebol, um ídolo da música ou uma simples dobra na barriga. 

Vi as coisas do lado do avesso, todas sem nexo e sem sentido. Vi as palavras “moral” e “caráter” se perderem no meio de tanta vulgaridade. Vi o fútil virar notícia e a morte se tornar cotidiana.

Vi as entranhas da sorte correrem por entre os dedos calejados, a esperança escorrer pelo rosto pesado como uma lágrima sem vida e as horas se perderem dentro de uma máquina chamada “celular”.

Vi o Mundo suplicar por ajuda em meio ao som de tiros e lamentos sussurrados. 

Eu vi muita coisa na minha passagem pela Terra, mas de todas, a que mais me impressionou foi a capacidade de algumas pessoas se levantarem e seguirem adiante. 

Sem medos, sem lamúrias e sem dúvidas.

Fui! (me levantar e segui-las…)

Cris Coelho

A minha literatura é livre de estereótipos, padrões e convenções. Ela entrega poesia onde há cotidiano. E renova minha fé em mim e no mundo. Cris Coelho, Escritora & Poetisa