Culpa

culpa

“Senhor Pai, livrai-me de todos os pecados”. Se dos pecados feitos fossem eles capazes de sumir por mágica seria eu, a mais aliviada de todas as criaturas. Mas como pecadora assídua da carne e não podendo refazer o caminho traçado, me resta somente a submissão dos meus atos em súplica a absolvição deles, pecados cruéis. 

E no enredo da minha oração descubro o que realmente quero para acalmar minha ansiedade: quero me livrar de toda a culpa que carrego. E sem querer, percebo que não me consumo pelos pecados voluptuosos e ofensivos que propaguei a outros em nome a algo aparentemente supérfluo. Me consumo pela culpa deles na minha mente, na minha alma.

Morro um pouco a cada dia por ela, a grande culpa. E nunca mesmo por eles, pequenos pecados do passado…

Fui! (tomar uma dose de whisky com minha culpa e tentar entrar em um acordo até que minhas preces sejam atendidas…)

Cris Coelho

A minha literatura é livre de estereótipos, padrões e convenções. Ela entrega poesia onde há cotidiano. E renova minha fé em mim e no mundo. Cris Coelho, Escritora & Poetisa