
É preciso ter coragem para viver dentro das próprias regras. É preciso aceitar-se; mais ainda, é preciso desculpar-se perante a própria vaidade. E o mais cruel dessa equação é entender que por mais que eu caminhe rumo ao lugar que busco, é ali, nas terras inóspitas da minha própria imaginação que encontro minha essência.
Estou machucada pelos caminhos tortos da minha vontade mais atrevida, mas sempre me reconheço grande quando provo um pouco do meu néctar mais inocente. Sou assim, feita de lembranças fortuitas e recomeços infinitos, e não me canso até alcançar a sabedoria de que tudo é efêmero nos segundos providenciais da minha própria existência.
Entendo-me pura de boa fé, mas esbarro nas lacunas sujas da minha própria ambição; do desejo inóspito de que tudo saia como planejei, mesmo quando lá no fundo sei que nada, absolutamente nada, está no meu controle.
Então, busco coragem para seguir com minhas convicções e desejos não-realizados, fazendo o que é possível nesse mar de emoções e prazeres fugazes, comumente chamado vida…
Fui! (saborear um pouco da minha coragem…)

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