Ode ao Ego

Vivemos em uma sociedade cheia de controvérsias e desafios; somos obrigadas a esconder nossa indignação e salientamos o óbvio por medo de nos aventurarmos no difícil terreno do desagrado ao dono da bola em um jogo medíocre, em que ninguém sabe jogar de verdade…

Escolhemos nossos líderes pelo número de seguidores e pelos “seis dígitos” que anunciam ter angariado no percurso da peregrinação social, na qual angariaram discípulos fanáticos e entusiastas de estratégias específicas para seus nichos recém-explorados quando iniciaram suas bem-sucedidas jornadas, mas atualmente sobrecarregados de tentativas e fracassos de personagens “Júniors” na arte de representar o apogeu do sucesso.

Nosso talento é colocado à prova quando nos deparamos com um palco cheio de expectadores ansiosos pelos discursos já propagados pelos mestres da comunicação, onde a oportunidade para conquistar cristãos, evangélicos e judeus está na arte de saber vender-se adequadamente. Porque hoje todos nós viramos o produto e esse produto deve ter uma cara, um corpo e uma voz adequadas às expectativas deles, e jamais às nossas.

Somos escravos do modelo que ajudamos a construir e acabamos rendidos pela audácia de desmistificar todas as crenças que demoramos séculos para elaborar. E quem foi que disse que só porque o mundo está em um especial momento de transformação temos que cortar os vínculos com tudo que nos foi ensinado? O Mundo sempre esteve em constante transformação, mas nunca fomos tão intolerantes com nossas raízes como somos hoje em dia.

E por que temos que crer que as palavras vulgar, exagerado ou inadequado não devem mais existir, se são elas que nos propiciam tangenciar o nível de violência ao qual não devemos nos expor, sempre que encontramos aquele momento de paz que tanto buscamos na nossa rotina extenuante…

Pergunto-me ainda, que vaidade é essa que nos cega diante do caos do outro, que nos sustenta com um vocabulário próprio, cheio de eufemismos e modismos, que retira a autoestima alheia e que menospreza as possibilidades de relacionamentos com quem não possui as mesmas credenciais artificiais, fabricadas por redes sociais que mais se parecem com máquinas de moer carne pobre, para depois alimentar a fome de ego dos bem-sucedidos Deuses na Internet.

Fui! (Voltar para o ano de 1990…)

Cris Coelho

A minha literatura é livre de estereótipos, padrões e convenções. Ela entrega poesia onde há cotidiano. E renova minha fé em mim e no mundo. Cris Coelho, Escritora & Poetisa