Foi Tão Bom…

Foi tão bom sentir o suspiro de bom dia que dei durante toda essa jornada, a alegria de viver cada emoção fortuita, cada gemido orgânico e cada sabor rotineiro, que apesar de cotidiano, foi sempre tão prazeroso…

Foi tão bom sentir as lamúrias e as angústias que reinavam absolutas em meu coração aflito, mesmo com a adrenalina que corria feroz pelas minhas veias, em impiedosas doses de fé e clemência que tomavam forma em todos os momentos em que meu drama era absoluto e minha força avassaladora.

Foi tão bom sentir esse corpo responder atento às minhas súplicas de saúde, a cada novo exame que realizava, a cada descoberta do quanto essa casca me protegeu dos meus próprios vícios e rancores inadiáveis.

Foi tão bom sobreviver ao meu próprio inferno de sentimentos, ao meu constante ego e à minha carência urgente, que sempre reclamavam minha atenção, em desproporções honrosas e dissidentes da minha verdadeira ambição de vida.

Foi tão, mas tão bom, encontrar fragmentos da minha imagem e semelhança, esculpidos no semblante de quem eu amei. Foi bom demais aprender a viver com pessoas que eu admirava tanto, com aqueles que me davam a segurança de que nos seus abraços encontraria exatamente aquilo que buscava.

Foi tão bom receber todos os sorrisos que me brindaram durante o percurso, os aplausos elogiosos e os desejos de renovação a cada ciclo que se julgava encerrado, mas que na verdade era estava apenas recomeçando…

Foi tão bom sentir essa enormidade de vida que me acompanhou durante esse pequeno espaço de tempo em que meus anos tentaram contar, mas que são incontáveis na infinidade da minha existência.

Fui! (Agradecer…)

Cris Coelho

A minha literatura é livre de estereótipos, padrões e convenções. Ela entrega poesia onde há cotidiano. E renova minha fé em mim e no mundo. Cris Coelho, Escritora & Poetisa