Ah, se eles soubessem…

Ah, se eles soubessem

Por vezes sigo questionando o quanto eles sabem sobre a vida que os cerca. Será que aprenderam a construir seu império de marcas a partir de rótulos antigos? Ou compraram novos pacotes com funcionalidades mais atuais? Ah… se eles soubessem! Se soubessem que não se trata de encontrar a sua própria sintonia, mas de saber viver com a sua música em um compasso que combine com a letra que toca na casa ao lado, eles seriam, certamente, muito mais felizes.

Se soubessem que sua luta diária para fazer crer que seus vários quilos são legítimos, entenderiam que não se trata de algo político, mas de uma forma decente de encontrar a beleza com suavidade e elegância. Afinal, não é necessário mostrar aquilo que nem nós mesmos, na nossa maior intimidade, gostamos de ver. Não é necessário satisfazermos nosso ego com elogios que não nos pertencem nem fazer o possível para merecer o que não foi destinado a nós. 

Não precisamos de consolo o tempo todo. Às vezes só precisamos chorar um pouco a dor que nos acompanha a passos lentos e insistentes. Às vezes, precisamos de um pouco de verdade e de realidade para acordarmos deste sonho interminável que é colorido demais para nossos olhos otimistas. 

Facilmente nos esquecemos de agradecer a reza que se concretizou, a que não foi pra frente e a que descartamos porque perdeu o sentido. Mas sempre nos lembramos de cobrar pelo que não conseguimos, mesmo que esse algo seja mera vaidade ou mera questão de tempo. E se esse algo não chegar nunca, não devia ser caso de revolta ou sentimento de injustiça; devia ser mais um motivo para lamentar pelo que não foi ou que nunca será e, jamais uma causa para indignação. 

Ah… se eles soubessem como é fácil a vida de quem não arruma confusão ou de quem não lamenta sem razão. Se soubessem que o tempo que temos parece muito, mas na verdade é tão pouco… 

E se soubessem o bem que fazem a si próprios quando optam por não fazer seus intermináveis discursos sobre o que é certo ou errado na sociedade em que vivem, talvez aprenderiam que viver está muito além de expor as suas verdades ou não abrir mão das suas convicções. 

Fui! (aprender…)

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