Etéreo

Volto à superfície cada vez que escuto o seu chamado. É o olhar doce, aquele que contempla meu rosto cansado, que me faz refletir sobre a minha importância nesse espaço sagrado. É a sua forma de dizer que me ama, somente com o seu toque, tão delicado e sutil, que me enternece de nostalgia pelos anos vindouros, que ainda não chegaram, mas que já comovem meu coração ansioso. E é a sua presença etérea que me faz entender o verdadeiro significado de Deus.

Ele se faz presente quando vejo em você a realização de todos os meus sonhos: os realizados e os que não concretizei. Porque em você está a resposta de tudo que foi pensado para mim; você explica o quão maravilhosa a vida é, mesmo sem nunca ter chegado no destino que eu havia planejado. Você me mostra que o primeiro, o segundo e o terceiro lugar só são especiais para quem precisa deles, ou, ainda, para quem não tem uma razão como você para explicar a importância real de cada sonho.

É etéreo o contato que tenho com você, em todas as vezes em que vejo sua alegria, em todas as vezes em que percebo sua gula ou em todas as vezes em que você espera sorrindo que eu lhe repreenda, como se estivesse testando a minha capacidade em ser dura com um alguém cujo amor que sinto, transborda pela minha pele.

Percebo que esse amor também é etéreo, assim como tudo que se refere à você, a nós ou ao Deus que nos juntou nesse mundo. E, todas as vezes em que eu voltar à superfície, vou admirar você em milhões de versões infinitas, em um tempo que não terminará nunca, em uma sintonia que será eterna…

Fui! (agradecer…)

 

 

Cris Coelho

A minha literatura é livre de estereótipos, padrões e convenções. Ela entrega poesia onde há cotidiano. E renova minha fé em mim e no mundo. Cris Coelho, Escritora & Poetisa