Redemoinhos

vermelho

O carnaval se aproxima, o mundo gira e as pessoas bebem seu néctar de boa sorte.  Sejamos todos imortais em quatro dias de pura fanfarrice. Sejamos eternos enquanto podemos e ilusórios durante a festa, porque somos personagens inventados de nós mesmos e sussurramos nosso segredo para quem quiser ouvi-lo, sem pudor ou demérito. 

Somos todos meras projeções das nossas vontades, todas esculpidas com malícia e perversidade. Encontramos no outro o motivo para satisfazer a nossa carência de elogios, ou mesmo de abandono, e escolhemos entregar demais para absorver pouca coisa, ou quase nada. 

Mas é carnaval e, se existe um único período livre durante os anos solitários da vida em que existimos, esse momento é agora, nessa festa maldita, onde nossos corpos se estremecem de prazer e nossa consciência praticamente inexiste.

Esperamos que seja um redemoinho de emoções boas, que seja quente, intenso, absoluto. 

Esperamos viver com um pouco mais de humor, em um gozo doce, sem hora para acabar…

Fui! (me acabar, antes que o mundo acabe… )

 

Cris Coelho

A minha literatura é livre de estereótipos, padrões e convenções. Ela entrega poesia onde há cotidiano. E renova minha fé em mim e no mundo. Cris Coelho, Escritora & Poetisa

2 thoughts on “Redemoinhos

  1. É isso ai. É carnaval bb. Bora se acabar, antes que o mundo se acabe.

Comments are closed.