A Religião do Não

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Em tempos de Guerra onde o centro da questão é a religião, volto a dizer que não existe melhor religião do que a “Religião do Não”. A religião da negativa não significa, contudo, que é uma religião negativa. É apenas uma religião sem destino ou destinado. É a religião simples da não-convergência de valores, dos valores prós e contra algo. É a absoluta negação de qualquer classificação, genuína ou compulsória, fidedígna ou romanceada.

É a religião que isenta a culpa de quem a tem, pelo simples fato de não pregar mais dor do que já existe.

O calor que se dissipa no corpo dos homens, que percorre as veias principais não pode ser desperdiçado com conflitos inúteis. Inútil a vida que está alicerciada a uma única promessa: “a salvação eterna”. Porque eternos somos todos os que hoje existem, eternos em uma dimensão de vida ou de segundos.

Somos movidos pela fé em algo que, necessariamente deve ser maior do que nós, por um Deus supremo da perfeição, mas o certo é que não fazemos idéia do que se trata essa perfeição. São os agnósticos, os mais felizes habitantes deste conturbado “planeta dos macacos”, aquele planeta onde acreditar não basta, é necessário doutrinar e angariar cada vez mais devotos. E votos. E mais votos…

Não entendem eles, nem nós, que somos todos manipulados por escritos traduzidos e adulterados, em remendos providenciais nas lacunas de um tempo antigo. Somos todos escravos de ditos e mestres de forças que existem somente porque nós acreditamos.

E acreditamos que creditar fé em algo tido como sublime nos livrará do pecado que é viver aqui, na Terra onde todos somos fragmentos de religião, desencontrados no tempo e no espaço e desamarrados do inteiro, por meio de fendas e crenças não justificáveis.

Viva a “Religião do Não”, da negação de tudo que é mantido sagrado por palavras, conceitos e idéias passadas. De todo intelecto que nos é imposto pela sedução, de todas as normas que não são dos homens, mas de “Deus”. Porque Ele, Deus, não quer nada de nós.

Quem quer algo, somos nós mesmos. Nós que usamos o nome de Deus a favor da nossa idEia de fé…

Fui! (rezar para a minha alma pecadora descansar em paz depois de tanta “blasfêmia”…)

Cris Coelho

A minha literatura é livre de estereótipos, padrões e convenções. Ela entrega poesia onde há cotidiano. E renova minha fé em mim e no mundo. Cris Coelho, Escritora & Poetisa