Malandragem

Malandro que é malandro esconde o jogo… Segura a melhor carta até o ponto em que pode dar a volta por cima. Malandro não tem pressa, não tem apuro, não se desespera. Malandro planeja com cuidado, “escolhe”. Malandro não ama, se apaixona. Não se deixa levar, conduz. E se salta aos olhos pode-se dizer que é um galanteador. Mas não passa de um menino maduro que sabe cantar. Amiga para ele é pinga, as outras ele devora…

Todos nós temos um quê de malandro dentro de nós. Temos a possibilidade de escolher, planejar, acertar. “É isso aí” já dizia a canção de um malandro… e com um tom bem calmo descreve que não se precisa correr contra o tempo para realizar o que o tempo só vai querer te dar na hora certa dele. Nos deparamos muitas vezes questionando o amor que sentimos e o que recebemos, quando na verdade, o melhor mesmo é estar apaixonado. Ainda que sempre pela mesma pessoa, que, na verdade, nunca é a mesma pessoa com o passar dos anos…

Tal qual um bom malandro, não devíamos deixar a vida nos levar, devíamos conduzí-la, sempre. Ser levados é o mesmo que concordar que a nossa fraqueza é mais forte do que a nossa vontade, e que a preguiça de mudar um triste fim é maior do que a certeza de virar o jogo na hora certa. Mas ter as melhores cartas não é o mais importante no contexto desse jogo. Não fazemos nada com as melhores cartas, se não sabemos usá-las adequadamente, na hora certa e com a pessoa certa.

E ainda assim, se entre uma dança e outra errarmos o passo, é sempre bom termos ao lado nossa amiga “pinga” para conversar… Até voltarmos no passo certo.

Fui! (me apaixonar de novo pela mesma pessoa, acertar o passo da minha dança e aprender a jogar um bom carteado!)

Cris Coelho

A minha literatura é livre de estereótipos, padrões e convenções. Ela entrega poesia onde há cotidiano. E renova minha fé em mim e no mundo. Cris Coelho, Escritora & Poetisa

One thought on “Malandragem

  1. Carlos Moraes disse:

    Espetacular!! Um dos melhores!!

Comments are closed.