Estamos sozinhos na pista de dança. Pensamos que os olhares que acompanham nossos movimentos os criticam e os desprezam. Mas esses olhares não julgam nem criticam. Esses olhares apenas olham. São os espelhos no canto do salão que incriminam a nossa dança. Eles, os espelhos, são cúmplices da nossa insatisfação, do boicote ao que é nosso.
Pensamos que o Mundo está contra nós, mas somos somente nós que lutamos com a nossa essência. Somos nós que nos desfazemos do que temos de lindo para entregar à suja padaria um troco muito maior por um pão que nem é tão fresco assim… Mas claro que por pior que seja o pão, ainda é muito melhor do que pensamos merecer. Isso porque enaltecemos o chão que pisamos sem nos darmos conta de que é apenas um meio para chegarmos onde queremos ou onde merecemos.
Se não somos tão bons quanto os filhos de Sam, por que nos atrevemos a frequentar suas casas? Ou por que pintamos nossas paredes com a mesma cor desbotada e sem graça? Talvez não sejamos exatamente piores, talvez sejamos, apenas, nós mesmos.
E, se temos algum complexo de vira-lata por não acreditarmos muito em nós mesmos, tudo bem. Vira-lata tem várias qualidades! E se observarmos bem, vamos perceber que sabem dançar várias músicas…
Fui! (aproveitar a minha dança…)


Quem nunca? Mas importante trazer para frente o que estava escondido no palco. Boa dança