Aos que se foram…

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Aos que se foram, os que partiram e que deixaram esse imenso eco na sala cheia de lembranças inoportunas, declaro a eternidade das minhas emoções, todas pontuadas com risos e frases de efeito, e quase sempre, amadurecidas na seriedade do tom de voz de cada um de vocês, com toda delicadeza que minha mente inquieta consegue expressar.

Suplico em uma cadência repetida, que vocês me devolvam um pouco de mim, em todas as vezes em que estive na companhia de vocês, quando deixei um pouco da minha ingênua alegria salpicar o espaço sagrado que dividimos, em meio aos barulhos do cotidiano agitado, que se passava lentamente por nós, como meros expectadores da nossa sintonia.

Peço paz e tranquilidade para seguir descalça nesta estrada enlameada, cheia de resíduos e fragmentos da nossa história, agora dirimidos em escassas frações dos sons e das cores que marcaram a nossa vida.

Esqueço, por alguns segundos, que vocês se foram e encontro-me com seus semblantes sorridentes a espera do meu discurso de sempre; mas não consigo proferir palavra alguma neste luminoso instante em que nossos olhares se encontram. Limito-me a dizer, unicamente: obrigada. E sigo de volta para a realidade assustadora, que é acordar todos os dias sem o tempo presente do seu ser…

Fui! (Reverenciar os meus amores do passado e do futuro…)

Enfim, em Paz

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Enfim, encontro a paz que tanto busquei. Retiro a maquiagem despropositada e sem utilidade para enxergar o rosto que desfrutou comigo tantas alegrias fugazes e desgostos que demoraram mais do que eu gostaria para partirem em busca de um outro lar rancoroso…

Encontro em meu tempo vago razões para não fazer nada, exatamente da forma que planejei há muitos e muitos anos atrás. Agora posso usufruir da minha companhia sem medo do que vou encontrar depois que atravessar a próxima esquina dos desafetos que conquistei e dos amores que desperdicei; sou eu, em uma versão milhões de vezes mais forte que se depara com a menina e a senhora, ambas mais complexas e irritantemente perfeitas, cada uma com suas vantagens paradoxais e nenhuma com a incrível sensação de plenitude que hoje desfruto.

E essa sensação que hoje saúdo se deve à liberdade dos meus passos, que hoje parecem deslocar-se do piso frio que reveste os poucos metros quadrados da casa que me serve de lar. E é irônico pensar que, justamente no momento em que eu deveria sentir-me mais presa e enclausurada, encontro meu mais profundo regozijo e renuncio aos males que carreguei por tantos anos a fio. Desfaço-me das culpas fortuitas e abraço a falta de comprometimento com o mundo para agarrar-me a única ideia que prevalece forte em minha mente: o meu mais profundo bem-estar.

Entrego o incômodo que anunciava minhas palpitações, devolvo as ingratidões que sofri e ignoro os incômodos pela falta de aplausos no percurso do meu caminho. Já não me importam as palavras ditas com desdém ou as palavras jamais ditas em hora nenhuma, que fizeram tanta falta um dia…

Quase não reconheço-me em cores tão suaves, com um semblante tão sereno… já não busco dar minha opinião a quem não clamou por elas e avalio se o peso das angústias de outrem vai ser saudável para o meu equilíbrio. Lembro-me de tudo que havia programado e percebo que agora, nesse momento infinito, já não me importa concluir todos os itens da minha lista, apenas alguns deles ou mesmo nenhum. Percebo que esses itens, na verdade, não importam mais. Porque a única coisa que me importa fazer neste tempo sagrado é contemplar a maravilha que é minha vida, frente a esta própria realidade, a minha.

Não lamento mais a dor dos que ficaram sós e não angustio-me pelos fatos que não posso mudar. E é claro, peço que não me enxergue como uma pessoa fria ou egoísta… sou apenas um alguém que precisa tirar um tempo longe do mundo para dedicar-se única e exclusivamente aos seus caprichos pessoais e intransferíveis, como perceber a intensidade dos raios solares que entram pela fresta da minha janela no meio da manhã.

Fui! (Sentir-me…)

“Mãe”

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De todas as pessoas que busquei neste mundo, de todas as que quis estar perto, foi você quem eu escolhi para compartilhar a maior experiência da minha vida: a minha transformação em matéria, a minha formação como ser humano, a base para a minha jornada neste plano que costumamos chamar de  “vida”.

Você foi a ponte que fez meu diálogo com o mundo, que me apresentou as coisas boas e que suportou ao meu lado todas as ruins. Você foi meu alicerce, minha casa e o sopro de alívio para todas as minhas feridas.

Você buscou me dar tudo o que você teve, tudo o que não teve, tudo que eu quis e tudo que você achou que seria importante para mim. Você tentou me dar “tudo”; e nesse tudo veio junto a sua dedicação, a sua preocupação e, até mesmo, a sua chatice em tentar me transformar em um alguém perfeito. Sim, você sempre disse que eu era perfeito para você, exatamente da forma que eu vim para o mundo, mas que você precisava que eu superasse ainda mais as minhas expectativas, para que o mundo conseguisse enxergar o que você via de forma tão clara e transparente…

Você me incentivou e me estimulou a ultrapassar todos os limites que eu ou eles me impuseram, você acreditou em mim quando eu mesmo já havia perdido as esperanças e chorou em silêncio cada vez em que meu fracasso era inevitável. Você encontrou palavras para me encorajar e me fazer seguir, mesmo quando você já não tinha forças para se levantar; e você me disse que era fácil, mesmo com tantas dúvidas na sua mente.

Você errou muito também… ah! como errou. Mas eu não posso julgar seus erros, pois eles foram feitos por uma pessoa que tentava acertar; eles foram o resultado do amor extremo que você sentia, que acabou se transformando em medo. Então, chego a conclusão de que até seus erros estão embasados na categoria de amor, aquela que transforma tudo de ruim em algo bom demais, assim como quando escutamos o som do seu nome, que é tão universal quanto particular para você: “Mãe”.

Fui! ( Comemorar minha vida dentro e fora do seu corpo…)

Assista a crônica no Canal do Youtube: Link para a Crônica “Mãe”

Que Bom!

Que bom que você resolveu voltar… bom saber que ainda somos um em meio a tantos. Que bom que não nos perdemos de nós, como fizeram nossos pais e os amigos deles. Bom pensar que ainda temos motivos para acreditar no caminho que escolhemos, aquele mais íngreme e tortuoso, mas igualmente encantador.

Bom poder me olhar no espelho e encontrar seu rosto, aquele que me acalma e me traz serenidade. Que bom ser completa em um dia tão complicado como esse… que bom que tenho você para escutar as músicas antigas que tanto gosto e que nos envolve como uma sintonia inebriante.

Que bom estarmos juntos nesse quarto frio, assistindo os programas sem graça e comendo aquela comida gordurosa que satisfaz meu corpo cheio de impurezas cotidianas, mas redondamente feliz por absorvê-las. Que bom saber que você não me abandona quando a vontade de estragar mais um pouquinho minha rotina rígida, toma conta de mim . E que bom saber que você está aí, quando eu retomo as boas práticas que estabeleci para a minha vida.

Bom saber que você me acompanha, na suavidade das cores claras que envolvem minha aura feliz e na escuridão dos tons negros que envolvem minhas tristezas profundas, que estão escondidas lá no fundo da minha alma, mas que insistem em sair para passear de vez em quando…

Que bom ter você ao meu lado, durante todo o percurso, do começo ao fim, desde sempre e para sempre. Para você, meu amigo imaginário, também chamado de “autoestima”, te peço um pouquinho mais de paciência… a quarentena já está acabando.

Fui! (Ficar quietinha ao meu lado…)

A Vida no Novo Mundo

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Nosso mundo acabou e agora temos que seguir com novas roupas e um novo protocolo. Somos obrigados a mudar e a nos adaptar em meio aos caos que se instaurou na nossa rotina.

Somos nós quem vamos ditar as cores da nova estação que estará estampada nas roupas que usaremos nas próximas décadas; provavelmente a moda será um mix de várias coleções passadas, repaginadas para o novo momento de consumo mundial, onde o novo será um reflexo de tudo que já foi criado e experimentado.

Seremos nosso próprio salão de beleza ambulante, que faremos as vezes de cabeleireiros, manicures e depiladores; de certo, não faremos muito bem nenhum dos papéis propostos, mas nos esforçaremos para encontrar um meio termo entre uma tintura mal-feita e uma cutícula maltratada. Nossos cortes ultra-modernos e os tons loiros serão artigo de luxo, para um mercado que certamente estará acima do nosso nível financeiro.

Nos tornaremos cozinheiros de mão cheia e inventaremos nossas próprias receitas. Aprenderemos a cozinhar o que antes acreditávamos ser impossível. E, quando for mesmo impossível nos sobressairmos melhor que aquele restaurante famoso, teremos a opção de encomendar sua deliciosa e já não tão cara comida, afinal, todo produto e serviço vergonhosamente caro será transportado a uma nova realidade econômica, para um mundo onde só os justos sobreviverão.

O conceito de marca será transformado, assim como o conceito de luxo e conforto. Será valorizada a empresa que optar pelo conceito do reciclável, do verde, do saudável. Será visto com bons olhos pela nova sociedade as marcas que expuserem sua preocupação com a qualidade de vida de uma sociedade sustentável, que se alimenta de insumos mas que não os extermina para isso.

A preocupação com o bem-estar estará ligada aos pilares do afeto, da moradia confortável e da segurança com a saúde. No quesito afeto serão a família e os amigos mais próximos que preencherão o vazio da solidão, e que, ironicamente, se conectarão com mais frequência dentro da própria casa, através de um contato visual genuíno do filho com a mãe, ou através dos vários contatos virtuais com os amigos de longa data, que sempre estiveram ali, a dois toques do celular…

As moradias serão transformadas em lugares de referência, onde ainda restará um consumo legítimo, ainda que consciente, em prol do conforto e da estabilidade emocional dentro das poucas paredes que conterão os sonhos de liberdade que sempre sonhamos. A liberdade será absorvida de outras formas e com outros moldes. Por certo, existirão viagens, aviões e hotéis. Mas serão artigos de luxo, desenhados para momentos super importantes, em um ou dois episódios durante a jornada de vida dos novos humanos.

Será a saúde, o passaporte mais desejado na nova era pós-pandemia. A forma com que as pessoas se relacionarão, a forma com que farão suas transações econômicas, com que trabalharão, como se alimentarão e praticarão exercícios, tudo será relativizado em função do pilar da saúde. O monitoramento de todo sistema do indivíduo será compartilhado e o custo da sua saúde determinará a sua sobrevida neste planeta. Sua genética alinhada aos hábitos saudáveis, sua capacidade em se adequar às novas circunstâncias, seu contentamento diante do que não pode ser mudado e, por fim, a qualidade da sua saúde mental determinarão seu espaço na nova sociedade.

O ser humano terá sua habilidade em fornecer ajuda avaliada com sua necessidade em absorver essa mesma ajuda. Serão escolhidos os que conseguirem atingir um equilíbrio dentro da nova cadeia de consumo; aqueles que melhor se adaptarem e que melhor entenderem como será a nova vida que se apresenta, serão os que ditarão o ritmo do novo século que foi recém-inaugurado.

E os que não o entenderem? Esses ficarão para trás, obsoletos e ultrapassados, como um “bip” que já não terá utilidade nem energia para dialogar com os futuros humanos que  habitarão este novo mundo.

Fui! (Atualizar-me e continuar…)

 

Pelo Amor de Deus

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Se Deus existe, se é real, eu peço com todas as minhas forças: por amor, livrai-nos deste mal que nos tira o ar e nos enclausura dentro do nosso mais profundo desespero. Salva-nos a mente inquieta e poupa-nos das notícias amargas que recebemos todos os dias.

Traga luz para esta imensidão de escuro em que nosso mundo descendeu; faz-nos acreditar novamente que tudo será fácil e tranquilo, que os nossos dias serão ternos e que nossos filhos sobreviverão a esse holocausto da nossa humanidade.

Sabemos que somos fracos e mesquinhos, que carecemos de aprendizados e de honestidade; que mentimos e destruímos os sonhos dos mais frágeis, mas ao depararmo-nos com as feridas que agora se apresentam no leito frio dos que possuem a nossa imagem e semelhança, entendemos, enfim, que estamos inevitavelmente ligados a todos, e que constituímos um único organismo vivo, que agora carece de ar em seus debilitados pulmões.

Deus, Senhor de toda a vida, Detentor de Muitos Nomes, abraça seus filhos e os ajude a encontrar o caminho. Guia-nos por este labirinto de alternativas e dai-nos a compreensão necessária para acabar com este mal invisível que assola a humanidade em pleno tempo da tecnologia, onde tudo parecia ser possível e simples.

Ajuda-nos a compreender que podemos perder mais, sem que para isso percamos de fato. Poupe a todos, e em especial, os meus amores. Rogo, em um singelo pedido egoísta, completamente desprovido de maldade, mas repleto de honestidade,  que guarde e conserve os que compartilham da minha comida, do meu teto e das minhas risadas. E, após as aspas humanas deste pedido, junto-me aos demais companheiros de estrada para cantar o mesmo hino em forma de oração…

Suplicamos, Deus, que faça com que o sofrimento cesse e o regozijo impere; que acolha todos os Seus Filhos em Seus Braços Misericordiosos e que poupe-os de enfrentar a calamidade que os aflige. Entrega-nos a cura de todos os males, com o poder da Sua Oração, que tem muitos nomes e é proclamada em vários idiomas, mas que se refere ao mesmo propósito. 

Seja Deus com toda a sua divindade, que é infinita e brilhante, assim como as lágrimas que derramamos no seio desta Sua Terra devastada por nós, humanos.

E por fim, perdoa-nos, Deus. Pois não sabemos o que fazemos nem como aqui chegamos…

Fui! (Conectar-me…)

A Sociedade que Não Aprendeu

desabafo

Infelizmente somos obrigados a evidenciar a triste realidade da sociedade em que vivemos. Uma comunidade doente socialmente, onde pessoas não conseguem equilibrar  em sua rotina de vida o bem-estar dos outros no mesmo nível que o seu próprio.

Temos presente uma sociedade que adora gritar por seus direitos, mas que desrespeita sem pudor, os direitos óbvios dos que estão a menos de 50 metros de convivência. Precisamos cada vez mais de leis que nos limitem a dizer somente o aceitável, como se fosse o inaceitável digno de ser proferido em ambientes públicos; precisamos de leis que nos impeçam de exagerar no álcool se formos dirigir, que nos impeçam de tocar nos corpos de outrem, que nos limitem a comprar enormes quantidades de produtos em um período de crise.

Precisamos de leis que preencham a lacuna da deseducação que recebemos enquanto nossos pais estavam ocupados demais com a própria poupança ou com a situação emocional dos seus relacionamentos amorosos… precisamos de novos pais, bem mais autoritários, para nos ajudarem a guiar nossa vida com uma dose certeira de civilidade, tão fora de moda nos dias atuais!

Pagamos advogados e psicólogas para nos ajudarem a ajustar o que nunca deveria ter saído dos eixos, mas que saiu, e não há discurso de bem nem oração que faça voltar. Agradecemos o mal que não nos pegou, mas esquecemos de lamentar pelo mal que ofuscou a vida dos que estão próximos. Costumamos voltar nossas atenções para as crises que vêm e vão, mas não nos percebemos causadores de muitas delas, das que são causadas com e-mails impetuosos, com ligações ríspidas, com gritos histéricos das nossas varandas, onde expelimos nosso ódio pela ideologia, aparentemente burra, do nosso vizinho de prédio.

Pagamos um absurdo a escritórios de arquitetura para que nossas casas virem um palácio, cheio de armários impecáveis e piso moderno, mas esquecemo-nos de questionar se o tempo curto estimado para a obra é compatível com um mínimo de conforto sonoro para a comunidade que estamos recém-adentrando. De novo, precisamos de regulamentos que determinem quais horários podemos fazer obras em nossas casas, como se já não fosse claro que qualquer quebradeira o dia inteiro é humanamente insuportável…

O que está em falta na sociedade atual não são somente “respiradores”, como percebido na grave crise do Coronavírus, mas algo muito, muito mais importante, que é o “respeito ao próximo”, algo tão imprescindível e necessário em um mundo que precisa de leis e regras para impor o que deveria ser gratuito e fácil: a empatia.

Fui! (Refletir…)

A Vida Depois do Covid-19

recomeco

Uma nova oportunidade surge em meio à tempestade que assola nossa pequena vila sem piedade. Emergimos de palácios feitos de barro, esculpidos de vaidade e bonança, pintados com orgulho e boas doses de prepotência… 

Somos todos reféns de um sistema impiedoso, onde o erro do outro nos alcança onde quer que estejamos, na fila de espera ou mesmo na sala “vip” de um aeroporto qualquer… pedimos perdão pela imprudência de quem não conhecemos, e odiamos o outro que nos deixou à deriva, sem razão ou motivo, apenas para satisfazer a própria vontade de beber mais uma dose, de conversar um pouco mais, de ter um pouquinho “mais” de algo que nem deveria ser tão fundamental.

Perdemos aquilo que nos era tão caro, ainda que não contabilizado ou percebido: perdemos a nossa liberdade e tudo o que deriva de seu significado. Perdemos a liberdade de sermos quem éramos, de propagar as nossas regras cheias de adornos e espaços vazios a serem preenchidos, perdemos a liberdade de não absorvermos todos os dramas cotidianos dos nossos filhos, perdemos a chance de equacionar as nossas conversas com aqueles que amamos, que nos roubam tanto do nosso novo “eu” que optamos por enviar curtas e rápidas mensagens para eles. Perdemos a oportunidade de apertar as mãos de quem não gostamos de verdade, mas que procuramos agradar para não parecermos antipáticos; agora seremos nós e eles em olhares diretos, palavras e atitudes que nos definirão genuinamente. 

Andaremos pelo meio-fio com medo do toque, com medo do ar, com medo da vida do lado de fora da nossa janela. Seremos mais acessíveis do que nunca pelo mundo digital e nele viveremos até o final dos novos tempos. Nossa casa será cada vez mais completa de acessórios e bem menos cheia de corpos com fluídos e secreções inoportunas. Seremos mais e teremos mais, não importa o que aconteça do lado de lá da rua. Porque o mundo que conhecíamos nos afastou dos outros para nos forçar a encontrarmos nós mesmos, no meio dessa tempestade maldita, que veio com o vírus da coroa, mas que espetou nossa alma em um nível bem mais profundo que as incômodas faltas de ar momentâneas. Fomos forçados a limpar nossa sujeira, a dividir nossa comida e a enxergar o próximo, que estava tão próximo que já nem notávamos sua presença…

E no meio deste dilema ganharemos a oportunidade de nos reinventarmos um alguém pouquinho melhor, e teremos, ainda, a oportunidade de agradecer por termos sobrevivido a nós mesmos depois dessa quarentena, em que somos obrigados a nos olhar de forma crua, visceral e verdadeira.

Fui! (Rezar…)

O Tomara que Caia Caiu!

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Feliz dia da mulher para todas as mulheres que passam batom vermelho, com todo o peso que o rubro traz, com a malícia promíscua que recai sobre o decote fútil e pecaminoso da fêmea que seduz e aborrece; daquela que é maldita por ser delicada e quente, que é fácil quando quer abraçar o mundo ou apenas alguns poucos músculos contraídos…

Feliz dia para todas as que são intensas e vulgares, mesmo no compasso da dança errada, no tom mais alto que o normal, na pista aberta com passe livre para quem quiser dançar… porque feliz, feliz mesmo, são aquelas que não precisam ser interpretadas porque são, genuinamente, “mulheres”. 

Que comemorem todas as loucas e devassas, as escolhidas e também as rechaçadas, as plenas e as incompletas! Mas, que não sejam convidadas as que se intitulam guerreiras, as que tratam os homens como oponentes e as que costumam queimar sutiãs de renda francesa no meio da praça!

Porque mais vale a elegância profana das que vestem vermelho no corpo consumido de sexo ordinário que a vantagem descabida das moças que integram a congregação do Santo Saber; pois se lhe parece brilhante, melhor lustrá-lo adequadamente para que seus lampejos sejam verdadeiramente interessantes. Ah! E é claro: melhor que ela venha de salto alto e com um tomara que caia que insinue uma pequena queda para todos e todas que conseguem sentir seus feromônios vivos, saindo dos poros da sua pele depilada e tratada…

Fui! (Buscar meu batom e comemorar todos os dias, porque um dia é muito pouco para desfilar meu decote…)

Que sorte a minha…

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Que sorte a minha ter você ao meu lado. Que sorte poder acordar com seu corpo quente, sempre pronto para me dar um abraço de bom dia. Sorte saber que você pensa em mim quando vai almoçar em um lugar cheio de saladas ou quando prova um pudim dos sonhos, que eu amaria experimentar. 

Muita sorte saber que você vai me ligar para saber como está minha rotina, mesmo quando ela está completamente sem graça e sem cor…

Que sorte eu tenho por compartilhar minha vida com alguém como você, que me coloca em um lugar de destaque, aquele restrito à sua companheira de vida. Que sorte ter você ao meu lado, essa pessoa que me ama com todos os meus discursos ácidos e meus ataques de histeria; que me entrega um sorriso sincero quando descobre minhas infinitas falhas; que se inspira nos textos que escrevo e que enobrece minhas histórias, mesmo quando estas são prováveis candidatas a um lugar calmo na estante mais próxima. 

Que sorte ter você como meu amigo mais fiel, meu cúmplice nas aventuras mais doidas e meu companheiro de filmes e séries assistidas no conforto da nossa cama encantada. Muita, mas muita sorte poder compartilhar os meus gens com os seus e criar a maravilha que são os nossos filhos, aqueles projetos de puro amor que deram tão certo justamente pelos passos não planejados da nossa história confusa e feliz. 

Que sorte me trouxe aquele dia chuvoso, naquele momento em que você me pediu para percorrermos juntos um caminho desconhecido. Que sorte a minha ter recebido esse convite…

Fui! (comemorar mais um ano ao seu lado…)