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“Forever Young”

agosto 25, 2019

Forever Young

Se eu quero viver para sempre? Não.

Se quero viver sempre jovem? Sim.

Quero viver um pouco da forma como viveu Fernanda Young, a jovem irreverente que quebrou paradigmas enquanto respirou o ar cheio de nicotina desta terra chamada Mundo. 

Viveu pouco para os nossos padrões, mas muito se pensarmos que conseguiu esticar sua juventude até o final dos seus dias; com suas várias tatuagens espalhadas pelo seu corpo fresco e com suas palavras ácidas, hilárias e cheias de ironia, ela conquistou a simpatia de uma enorme nação através do seu talento, que era exprimido pela ousadia em colocar no papel o que observava no mundo ao seu redor.

Era ela, Fernanda Young, uma representante das letras vermelhas, aquelas que não se calam quando anoitece ou quando a audiência muda. Seu olhar meticuloso a fazia articular as palavras que saíam facilmente dos lábios carnudos e provocantes, na mesma sintonia dos seus irrequietos dedos, que acompanhavam de perto a sua genialidade.

Fernanda não morreu, ela continua viva em seus textos, em sua forma provocante de nos emocionar, de nos fazer pensar fora da caixa hermética em que fomos colocados, no seu atrevimento constante em dizer ao Mundo que ela sempre seria jovem.

Fernanda passou para outro patamar, aquele onde vivem os grandes pensadores e artistas da nossa humanidade. Mas sua assinatura agora possui uma nova escrita: “Forever Young”.

Fui! (Reverenciar sua existência…)

O Vento

agosto 25, 2019

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O vento que passa por mim congelando minhas extremidades e ofuscando minha respiração, limpa minha mente de tudo o que que me faz triste. Este vento, que é rápido e fagueiro, traz um compasso de felicidade nos poucos segundos em que invade meu corpo machucado de tantas cicatrizes que carrego pelo caminho…

É ele quem dita o ritmo da chuva de pensamentos que vão vigorar fortes em um compasso de alegria e dor, em relances de boas recordações e pinceladas de abandono e negação, todas encobertas pelo manto sagrado da minha autoestima, que me faz valente em meio aos medos de reprovação dos que amo.

Junto-me ao vento que insiste em soprar novas memórias, de bons momentos que estão chegando, dos passos que serão dados rumo a algum lugar que ainda desconheço, mas que anseio por ele com a mesma vontade com que me sinto confortável nessa nuvem congelante que me abraça sem pudor até alcançar a parte mais profunda da minha alma melancólica e carente. 

Ao final, despeço-me dele como se suas bênçãos, por fim, tivessem surtido efeito, ou como se estas me fizessem acreditar que a brisa quente, que chegará em breve, será mais amena e menos forte que a tarde fria que limpou minhas feridas e renovou minha fé na vida…

Fui! (Abraçar o vento…)

Ainda Sinto…

agosto 16, 2019

balanco

Ainda sinto aquele seu abraço quente, exalando carinho e bem-querer; ainda sinto seu cheiro fresco de limpeza, que exala hortelã com notas doces de alfazema. Sinto seus cabelos molhados respingarem gotas geladas no contorno do meu rosto jovem,  e sinto suas mãos me segurarem firmes para que eu não caia, para que eu não me machuque…

Ainda sinto você, tão presente e tão viva, que não consigo entender como você pode não estar aqui, cantando suas músicas melancólicas e cheias de dor e saudade… sinto sua presença nos momentos mais abstratos e mais calados, naqueles em que eu estou em paz com a minha teimosia, em paz com a minha alma inquieta e cheia de projetos a serem feitos e conquistas a serem alcançadas. 

E são nesses momentos que encontro seu olhar cuidadoso, aquele que enxergava em mim uma versão melhor, que sempre esteve aqui dentro, mas que até hoje eu não consigo acessar… só alcanço essa versão através do seu olhar e, desta forma, me sinto completa. Me sinto “eu” de um modo mais intenso e mais pleno, como se estivesse sentada novamente naquele balanço, como se estivesse voando baixo com os empurrões que você costumava me dar, com aquele sol do final das tardes frias do outono, que esquentavam o corpo sem queimar a pele…

Sim, ainda sinto sua energia, sinto sua presença e sinto seu olhar acompanhar de longe e brevemente, meus passos barulhentos em busca do meu sucesso; e quando paro, fico em silêncio e não penso em nada, me sento novamente naquele balanço e sinto intensamente aquele momento em que dividimos o mesmo bronzeado…

Fui! (sentir você, um pouquinho mais…)

Pai de Verdade

agosto 11, 2019

Pai…

Hoje vejo pais que não se parecem com os pais de antigamente… eles se parecem com irmãos, professores, avôs e, muitas vezes, se parecem muito mais com mães do que com pais!

São eles, os pais modernos, que aplaudem o sucesso do filho bailarino, que não se envergonham do filho homossexual, ou transexual, ou “multisexual”… esses pais andam lado a lado com os filhos excepcionais, descobrindo a maravilha que é pertencer ao mundo deles.

Eles são os pais que adotam crianças que nada têm a ver com a sua genética clara e fina, e que, ainda assim, conseguem enxergar a mais perfeita semelhança entre as espécies, ao olhar no fundo dos seus olhos.

São os pais modernos que não têm medo de assumir tarefas femininas só para poder participar ativamente do universo dos “seus”; são eles que buscam os filhos no mundo das drogas, que os retiram dele, e que, às vezes, morrem um pouquinho a cada dia com eles…

São os pais que adoecem junto com seus filhos, que sofrem a dor deles sem poderem se deitar nas suas camas, que enxugam as lágrimas e que vão à luta todos os dias, mesmo não querendo, mesmo quase não conseguindo, mesmo não suportando, mas ainda assim, vão.

São para esses pais, para os que são pais em hora integral, ou em hora em que lhes é possível ou permitido ser; para os pais que não são perfeitos, mas que são possíveis e reais; para aqueles pais que abrem um sorriso largo e profundo quando falam dos seus filhos; para os pais que sentem orgulho e os que não conseguem se orgulhar, mas ainda assim tentam; para todos esses pais, que são pais de verdade, o meu aplauso.

E para todos os outros que não são: vocês não sabem o que estão perdendo…

Fui! (agradecer…)

 

(crônica originalmente publicada em 2015 em Mariascarlet.com )

Deixe-me Ir…

agosto 8, 2019

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Quando chegar a minha hora, deixe que eu siga meu caminho. Não me impeça de buscar aquilo que preencherá o vazio que minha alma carregou por tantos anos e não dificulte ainda mais a minha despedida; saiba que eu vou feliz e que seguirei em paz se tiver a certeza de que você ficará bem sem a minha presença ao seu lado.

Entenda, por favor, que eu não estou indo embora, apenas mudando de posição. Neste exato momento eu passo a fazer parte de você, em um cantinho muito especial que você reservou, do lado esquerdo do seu corpo. A partir de agora, eu serei a luz que rutilará lampejos de verdade nos momentos mais difíceis, serei aquele sopro de esperança que vai encorajá-la a buscar algo além do que você consegue enxergar e, por fim, serei a sua inspiração transformada em sexto-sentido, que dirá exatamente qual caminho você deve escolher para encontrar a si mesma em uma versão ainda melhor.

Então, de novo, não me prenda dentro da sua angústia e não me faça prisioneira do seu egoísmo. Deixe-ir com a certeza de que você continuará a sua caminhada com menos peso do que quando estive ao seu lado; deixe-me levar um pouco dessa bagagem e ajudá-lo a cruzar esta estrada, que é difícil, mas ao mesmo tempo, apaixonante…

Fui! (ali na frente…)

Atrás das Nuvens

agosto 4, 2019

atrasdaNuvem

Atrás das nuvens se escondem meus diversos segredos,  todos encobertos com o dom da minha vaidade e com a perversidade dos meus pecados. Estão ali, escondidos de mim e do mundo que construí para esse novo “eu”, que caminha descalço em terras desertas, sem destino certo e sem garantias de receber o bônus que havia encomendado naquela época em que era apenas uma menina indefesa…

Foi ali atrás, depois das nuvens cinzas, que escondi as verdades sinceras que me faziam mal, que perturbavam a minha mente inquieta em busca de consolo, e que me diziam a todo momento, o quanto meu pranto era insuficiente para apagar as marcas que havia deixado naquela estrada batida de terra… 

Foi ali, entre os vales com pouca luz e o desfiladeiro estreito que enterrei os segredos que minha alma carregava, aqueles que não quero lembrar enquanto estiver caminhando com estas pernas faceiras e com esses pés cheios de calos, que pisam a terra úmida e suave do novo caminho que escolhi percorrer; do caminho seguro e providencial que acolhe minha nova verdade e que canta o hino que escolhi para o enredo da minha nova vida.

E sigo feliz com essas novas verdades que se encaixaram na minha mente anestesiada de tanto tentar esquecer. E as minhas verdades antigas? Estas nem eu consigo mais encontrar; elas estão presas dentro daquelas nuvens densas e pesadas. Das nuvens que bloquearam a minha visão para que eu pudesse seguir um novo rumo.

Fui! (Seguir…)

Ela Pode Tudo…

julho 24, 2019

Ela pode tudo, só não sabe ainda. Ela pode andar pelos becos mais escuros e frios, e ainda assim encontrar a solução para os seus inúmeros problemas; pode experimentar os venenos mais cruéis e perigosos, que seu corpo se encarregará de eliminá-los somente com a vontade que ela tem de viver. Ela pode se lembrar dos desastres que superou ou pensar nos perigos iminentes que a cercam, que ainda estará segura dentro da sua esfera protetora chamada fé.


Ela pode tudo que quiser, só não percebeu ainda até onde suas mãos alcançam e a que distância seus pés conseguem chegar. Ela pode tudo, só não entendeu direito o que é mesmo esse “tudo”, que parece tão grande, mas que se esconde dentro dos arbustos da sua vaidade louca, aquela que insiste em desmerecer seu sorriso sincero, cada vez que encontra uma ruga no canto direito do seu rosto bonito.


Ela pode tudo, até virar poesia no meio de uma cidade cinza, cheia de pessoas egoístas e sentimentos diversos; cheia de amor escondido dentro de corpos enclausurados de medo… ela pode ver através do olhar dos seus amores, mas se esquece de contemplar a beleza que é a vida vista de outro ângulo, porque geralmente está ocupada com o horário ou com o novo modismo da estação.


Ela pode tudo, só não consegue decifrar a importância de poder tanto, em meio ao caos da sua pacata vida, em meio aos dramas que acometem os mártires das suas vinganças cotidianas e da sua saliva pesada, que deságua contratempos e discórdias em momentos de alegria genuína.


Ela pode tudo, mas não pode saber disso. Ela poderia tornar-se absoluta demais e se esquecer da sua verdadeira essência, aquela que planeja algo mais simples e bem menos importante que a soberba que a acompanha. Ela pode tudo, mas não sabe disso. Ainda bem…


Fui! (Silenciar o que sei e agradecer pela sua ignorância…)