Somos Ouro

Depois de muito, muito tempo, encontramos nosso orgulho escondido nos arbustos da nossa vaidade cotidiana. Corremos atrás de todas as bolas, enfrentamos ondas turbulentas, golpeamos nossos adversários e pulamos o mais alto que pudemos. Choramos, suamos, tentamos. Fizemos tudo que estava ao nosso alcance e sim, triunfamos.

Descobrimo-nos ouro quando o Mundo, e nós mesmos, não acreditávamos que seria possível. E conquistamos nosso lugar no pódio todas as vezes em que nossos conterrâneos subiram neste pedestal. Subimos juntos e vangloriamos a honra que é poder cantar esse hino em um som uníssono, com todas as vozes ecoando nosso idioma, nossa melodia e nossa paixão.

Vislumbramos por alguns segundos, que pareciam eternos, a possibilidade de sermos nós, brasileiros, aqueles que compartilhavam o mesmo espaço. As cores verde e amarelo traduziram a nossa força, conjugaram a nossa harmonia e uniram o nosso discurso; elas eram soberanas a todas as outras, demarcando o nosso espaço com soberania cada vez em que a bola caía debochada do outro lado da quadra.

Os aplausos para o homem simples que veio da Baía Formosa, para a menina saltitante com apelido de Fadinha, para a dupla de velejadoras que pareciam bailarinas do mar, para a menina de sorriso largo e piruetas perfeitas que encantou o mundo com o seu Baile de Favela, para a menina e o menino gaúchos de peso meio-leve e meio-pesado que derrubaram seus oponentes, para as paulistas que rebateram todas as bolas no tênis, para a menina de cabelos coloridos da cor do Brasil que venceu uma maratona, para o menino que nadou 200 metros com toda a força dos seus pulmões de 23 anos e para o menino que já não é mais tão menino, mas que conseguiu ultrapassar a barreira do improvável, para todos eles e os que ainda conquistarão valiosas medalhas, os merecidos aplausos que agora são compartilhados por nós, com doses de orgulho e pitadas de união.

Somos ouro quando conseguimos colocar nossas diferenças históricas de lado para comemorar nossas vitórias. Somos ouro quando superamos nossos desafios e nossas próprias batalhas.

Viva o Brasil! Viva os Brasileiros, de todas as cores, de todas as ideologias e de uma só nação!

Fui! (Comemorar…)

Cris Coelho

A minha literatura é livre de estereótipos, padrões e convenções. Ela entrega poesia onde há cotidiano. E renova minha fé em mim e no mundo. Cris Coelho, Escritora & Poetisa