Nada de “Virgin River”, eu quero é “Fauda!”

Sorrisos sinceros, músicas alto-astral e a vida com suas cores vibrantes. Tudo isso embalado para presente com um lindo laço de fita. Seria o cenário perfeito de uma novela das 6, mas meus desejos estão mais próximos de um filme de guerra, com tiros e bombas que me fazem genuinamente relaxar no aconchego do meu sofá e no patamar acirrado do meu mais profundo bruxismo.

São singelos detalhes do cotidiano que me obrigam a olhar para a singularidade da minha alma sem gênero oportuno que a consiga definir. Sou eu, um estereótipo de mim, com todas as nuances mais agressivas e dissonantes do universo que prego, mas que se desvincula do tipo de calmante que conversa com minha essência diversa.

São os sons roucos e estridentes da Pink, da Lady Gaga e da Sia que ecoam fortes no fundo da minha mente inquieta; são seus gritos que me emocionam, que me fazem imergir no subconsciente da minha meditação mais profunda, que me libertam de todo caos que impera no oceano vasto do meu eu. São as mulheres com suas expressões brutas que chamam minha atenção e são os homens com olhar profundo, sem muita sensibilidade, mas com atitude, que me cativam; são os amantes do preto, os que falam da dor e os que não têm medo de se expor que conquistam meus aplausos verdadeiros. São todos os públicos que têm algo a dizer de forma direta, que caminham pelos arabescos da verdade, com cuidado para não caírem do meio-fio que os sustentam, que recebem minha atenção mais generosa, e são eles, os seriados tensos que aliviam um pouco do peso que carrego no peito, com doses de terror e feiúra, mas com coragem para expor a crueldade que vive do lado de lá dos muros da boa educação.

Então, por favor, não me ofereça chá nem espumante; pois somente o café preto e forte consegue me acordar do sono eterno que tenho todas as vezes em que encaro uma pia cheia de pratos ou um tanque cheio de roupas… e é a sensação de frescor que só uma cerveja bem gelada consegue me proporcionar, ou o gosto marcante do whisky que meu corpo pede, em todas as vezes que preciso relaxar…

Realmente, não me interesso pela Melinda Monroe ou pela Emily Cooper; não me cativam suas risadas sem graça, muito menos suas vidas tediosas e enfadonhamente chatas. Não me atraem as cores das paisagens nem seus romances virginais e pouco criativos. Gosto mesmo é do Doron e sua dor dilacerante, da sua raiva e do sentido que direciona sua vida em busca de vingança; gosto do choro sentido todas as vezes em que percebe seus erros, que por sinal são quase infinitos, e, acima de tudo gosto da sua perseverança e da fé que mantém em si mesmo. O seriado “Fauda” mostra o lado sombrio do terror, daquele terror real que circunda nossa vida e que está presente no cotidiano de todos, afinal, basta olhar atentamente para encontrarmos ao nosso redor os homens-bomba que nos esperam à espreita, os traidores, os fanáticos e os anjos guerreiros que estão prontos para nos salvar do nosso próprio inferno, mesmo quando tudo parece perdido, mesmo quando não conseguimos mais ter esperança…

By Cris Coelho

Cris Coelho

A minha literatura é livre de estereótipos, padrões e convenções. Ela entrega poesia onde há cotidiano. E renova minha fé em mim e no mundo. Cris Coelho, Escritora & Poetisa

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