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Mãe

mae14

Mãe, minha mãe. Hoje me sinto mais forte e mais segura; me sinto mais capaz e mais determinada. Hoje sou eu quem reclama da bagunça na casa, quem regula a quantidade de açúcar e quem reza para pedir a proteção dos meus, toda vez que saem por essa porta.

Mãe, hoje eu enxergo todas as manhas que fiz e besteiras que falei; hoje entendo que tudo o que você fez foi sempre pensando no meu bem, ainda que indiretamente. Hoje entendo o quanto o meu barulho em excesso te incomodava e imagino o quanto o meu silêncio, na minha saída de casa, te deixou aflita…

Mãe, hoje eu sei o porquê daquele olhar ameaçador: porque você queria que eu pensasse que você seria cruel comigo, para que eu não descobrisse o quanto o mundo é cruel de verdade. Hoje sei que o almoço sem graça que você me dava durante a semana era para eu valorizar as delícias que viriam no final de semana. Percebo que a vovó era boa demais porque você a havia transformado em uma espécie de “Santa”, uma muito especial que podia quase tudo, menos sobreviver à própria partida.

Eu me lembro do sabor da minha infância, recheado de paz e harmonia, e rodeado de dramas que me pareciam distantes, apesar de se passarem bem na minha frente. Lembro-me de você me dizer que estava tudo bem, mesmo quando não estava… não consigo esquecer daquela vez em que te vi chorando no quarto, abraçada com a almofada de crochê que a dinda te deu, depois que cheguei da casa da vovó. Você nunca me disse o que havia acontecido, só me falou que tudo ficaria bem.

E, desde então, todas as vezes em que estou triste penso nas suas palavras, vejo você e enxergo em seus olhos o conforto que tanto busco. Você não vai me trazer a solução para os meus problemas, mas vai me mostrar o caminho que tenho que percorrer até lá dentro da minha alma, para encontrar a fortaleza que você ajudou a construir…

Fui! (Respirar um pouco de você…)

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