“Fora da Lei”

Por tanto tempo busquei me encontrar. Por tanto tempo achei que queria quebrar barreiras, que queria destruir o chão firme em que meus pés se apoiavam, só para poder mostrar a mim mesma o poder que eu tinha para ser diferente. E entendi que meu lugar no mundo era ser aquela que faria oposição, utilizando o arquétipo “Fora da Lei” para reverenciar minha individualidade genial, aquela que me fazia gritar em meio a uma multidão de crentes.

Eu achava que era feliz utilizando o controverso para estabelecer-me como autoridade de algo, pensava ser mais forte quando pleiteava um desconto ou tocava um reboliço em meio a uma simples reunião familiar. Eu acreditava que ser da oposição faria com que minha voz ecoasse mais firme pelos corredores da boa fé, sempre alicerçados pela minha graça genuína em rir das adversidades e zombar da minha sorte e juventude.

Fiz-me de rogada todas as vezes em que cruzei a esfera do bom tom e retrocedi quando vi os olhos da minha mãe marejados de tristeza cotidiana. Era eu, um alguém pequeno, mas cheio de ideias, que vislumbrava um oceano de possibilidades, apenas com a sua reles opinião a tiracolo. E era eu também enorme, quando conseguia seguir adiante com meus pensamentos pouco nítidos, mas cheios de vontade de descobrir o que havia além do que eu enxergava.

Não fui exatamente a boa moça que eles esperavam, mas fui, certamente, muito melhor do que eu imaginei, na minha conturbada visão da vida, quando tentava me encontrar nos braços de muitos, que me foram providenciais abrigos em terras inóspitas e distantes…

E quando achei que havia finalmente chegado em casa, encontrei de novo a imagem daquela menina destemida, com olhos curiosos e vontade de sobra para conquistar o mundo todo. Percebi que meus sonhos nunca morreram, eles só aumentaram de tamanho. E minha rebeldia? Essa habita meu ser desde sempre, e sai de vez em quando para me lembrar como é bom gritar por liberdade, todas as vezes em que o momento exige que eu me curve e eu, acintosamente, me levanto, alcançando uma altura inimaginável.

Fui! (Reverenciar meu eu que grita por liberdade…)

Cris Coelho

A minha literatura é livre de estereótipos, padrões e convenções. Ela entrega poesia onde há cotidiano. E renova minha fé em mim e no mundo. Cris Coelho, Escritora & Poetisa