Que sorte a minha…

Amantes2

Que sorte a minha ter você ao meu lado. Que sorte poder acordar com seu corpo quente, sempre pronto para me dar um abraço de bom dia. Sorte saber que você pensa em mim quando vai almoçar em um lugar cheio de saladas ou quando prova um pudim dos sonhos, que eu amaria experimentar. 

Muita sorte saber que você vai me ligar para saber como está minha rotina, mesmo quando ela está completamente sem graça e sem cor…

Que sorte eu tenho por compartilhar minha vida com alguém como você, que me coloca em um lugar de destaque, aquele restrito à sua companheira de vida. Que sorte ter você ao meu lado, essa pessoa que me ama com todos os meus discursos ácidos e meus ataques de histeria; que me entrega um sorriso sincero quando descobre minhas infinitas falhas; que se inspira nos textos que escrevo e que enobrece minhas histórias, mesmo quando estas são prováveis candidatas a um lugar calmo na estante mais próxima. 

Que sorte ter você como meu amigo mais fiel, meu cúmplice nas aventuras mais doidas e meu companheiro de filmes e séries assistidas no conforto da nossa cama encantada. Muita, mas muita sorte poder compartilhar os meus gens com os seus e criar a maravilha que são os nossos filhos, aqueles projetos de puro amor que deram tão certo justamente pelos passos não planejados da nossa história confusa e feliz. 

Que sorte me trouxe aquele dia chuvoso, naquele momento em que você me pediu para percorrermos juntos um caminho desconhecido. Que sorte a minha ter recebido esse convite…

Fui! (comemorar mais um ano ao seu lado…)

Ah, se eles soubessem…

Ah, se eles soubessem

Por vezes sigo questionando o quanto eles sabem sobre a vida que os cerca. Será que aprenderam a construir seu império de marcas a partir de rótulos antigos? Ou compraram novos pacotes com funcionalidades mais atuais? Ah… se eles soubessem! Se soubessem que não se trata de encontrar a sua própria sintonia, mas de saber viver com a sua música em um compasso que combine com a letra que toca na casa ao lado, eles seriam, certamente, muito mais felizes.

Se soubessem que sua luta diária para fazer crer que seus vários quilos são legítimos, entenderiam que não se trata de algo político, mas de uma forma decente de encontrar a beleza com suavidade e elegância. Afinal, não é necessário mostrar aquilo que nem nós mesmos, na nossa maior intimidade, gostamos de ver. Não é necessário satisfazermos nosso ego com elogios que não nos pertencem nem fazer o possível para merecer o que não foi destinado a nós. 

Não precisamos de consolo o tempo todo. Às vezes só precisamos chorar um pouco a dor que nos acompanha a passos lentos e insistentes. Às vezes, precisamos de um pouco de verdade e de realidade para acordarmos deste sonho interminável que é colorido demais para nossos olhos otimistas. 

Facilmente nos esquecemos de agradecer a reza que se concretizou, a que não foi pra frente e a que descartamos porque perdeu o sentido. Mas sempre nos lembramos de cobrar pelo que não conseguimos, mesmo que esse algo seja mera vaidade ou mera questão de tempo. E se esse algo não chegar nunca, não devia ser caso de revolta ou sentimento de injustiça; devia ser mais um motivo para lamentar pelo que não foi ou que nunca será e, jamais uma causa para indignação. 

Ah… se eles soubessem como é fácil a vida de quem não arruma confusão ou de quem não lamenta sem razão. Se soubessem que o tempo que temos parece muito, mas na verdade é tão pouco… 

E se soubessem o bem que fazem a si próprios quando optam por não fazer seus intermináveis discursos sobre o que é certo ou errado na sociedade em que vivem, talvez aprenderiam que viver está muito além de expor as suas verdades ou não abrir mão das suas convicções. 

Fui! (aprender…)