Meu Pensamento Pessimista

MeuPensamentoPessimista

Dentro da bolha da minha vida estabeleci estratégias de sobrevivência que fogem do discurso natural e das leis da disciplina do pensamento saudável, aquele que vem com um suco de laranja e doses de otimismo cotidiano…

Planejo cada dia como se fosse a última oportunidade de deixar minha marca, ainda que uma marca barulhenta ou uma marca com cores um pouco mais escuras do que os tons amenos do bom discurso correlato e inflexível. Abuso da negatividade em sua forma mais poderosa de proteção, em toda a sua cápsula criativa que traduz o poder da possível perda. Sim, do possível e nunca do eminente dano, porque sempre estamos suscetíveis a ele, seja em maior ou menor grau.

Então, abraço minha esfera pessimista com o máximo de esforço para que ela não me permita escapar dos meus objetivos mais pungentes. Faço dela minha oração diária para ajudar-me a controlar minha ira, a encontrar razão no perdão que não quero conceder e a seguir em frente com todos os desajustes que teriam sido consertados se tivesse olhado por um ângulo mais cuidadoso.

Despeço-me do otimismo gordo que enobrece os discursos calorosos de grandes mestres e encaro a dura subida de uma ladeira cujo nome se chama “cautela” e o sobrenome “cuidado”. Finjo tranquilidade nos momentos em que cito as palavras de que tudo vai dar muito certo sempre, mas anoto em meu caderno minhas rotas de fuga e meus protocolos de segurança.

Sou mais grata e mais feliz desta forma: beijando os que amo como se fosse a última vez que meu corpo os toca, para assim, festejar, em seguida, as próximas oportunidades de beijá-los de novo. E de novo. E de novo…

Fui! (agradecer a todas as inúmeras vezes em que a vida me surpreende…)

Várias de Mim

Várias de mim

Dentro de mim existe uma imensidão de sentimentos, todos povoados por lembranças peculiares e vontades genuínas, embalados na esperança de que um dia volte aquilo que me fez tão bem e que se vá para muito longe todo sofrimento que me levou embora o meu “eu” mais alegre.

Despeço-me de algumas histórias para dar lugar à outras mais recentes, mas sei que ainda existo nas lembranças que escondi de mim, em lugares tão inacessíveis quanto minha vaidade egoísta ou minha fraqueza habitual.

E se procuro melhor, consigo encontrar este lugar singelo em que habita não uma, mas várias de mim, em uma dimensão difícil de explicar, mas tão verdadeira quanto a minha voz mais rouca… são elas, as versões mais verdadeiras e menos complicadas, que se esforçam para sanar as dores que não consigo esconder de mim, e que me fortalecem à medida em que respiram o mesmo ar poluído que eu.

Sou inteira essa profusão de sentidos, todos inebriantes e cansativos como um pedido de desculpas ambulante; sou plena e vasta quando enxergo todas as milhões de vezes em que posso ser eu mesma, e em que posso sentir essas várias versões tomarem forma com o rosto que costumo olhar todos os dias no espelho da minha casa…

Fui… (“Reunir-me”)