Ela Pode Tudo…

Ela pode tudo, só não sabe ainda. Ela pode andar pelos becos mais escuros e frios, e ainda assim encontrar a solução para os seus inúmeros problemas; pode experimentar os venenos mais cruéis e perigosos, que seu corpo se encarregará de eliminá-los somente com a vontade que ela tem de viver. Ela pode se lembrar dos desastres que superou ou pensar nos perigos iminentes que a cercam, que ainda estará segura dentro da sua esfera protetora chamada fé.


Ela pode tudo que quiser, só não percebeu ainda até onde suas mãos alcançam e a que distância seus pés conseguem chegar. Ela pode tudo, só não entendeu direito o que é mesmo esse “tudo”, que parece tão grande, mas que se esconde dentro dos arbustos da sua vaidade louca, aquela que insiste em desmerecer seu sorriso sincero, cada vez que encontra uma ruga no canto direito do seu rosto bonito.


Ela pode tudo, até virar poesia no meio de uma cidade cinza, cheia de pessoas egoístas e sentimentos diversos; cheia de amor escondido dentro de corpos enclausurados de medo… ela pode ver através do olhar dos seus amores, mas se esquece de contemplar a beleza que é a vida vista de outro ângulo, porque geralmente está ocupada com o horário ou com o novo modismo da estação.


Ela pode tudo, só não consegue decifrar a importância de poder tanto, em meio ao caos da sua pacata vida, em meio aos dramas que acometem os mártires das suas vinganças cotidianas e da sua saliva pesada, que deságua contratempos e discórdias em momentos de alegria genuína.


Ela pode tudo, mas não pode saber disso. Ela poderia tornar-se absoluta demais e se esquecer da sua verdadeira essência, aquela que planeja algo mais simples e bem menos importante que a soberba que a acompanha. Ela pode tudo, mas não sabe disso. Ainda bem…


Fui! (Silenciar o que sei e agradecer pela sua ignorância…)

O Que Eu Posso Te Dizer?

oque euposso te dizer

O que eu poderia te dizer, se já não estivesse por aqui?

Como encontraria as palavras certas para te contar o que eu realmente sinto por você? Acho que seria muita prepotência resumir uma imensidão de sentimentos bons em uma pequena carta… mas, ainda assim, eu tentaria, em mais um dos milhões de gestos que fiz em nome do que você precisava escutar. 

Acho que começaria dizendo que muito do que eu exigi de você foi “em vão”; isso porque você sempre soube que era capaz de entregar muito mais do que entregava e, toda a sua preguiça era apenas mais uma das gracinhas que você fazia para tentar descobrir até onde ia a minha paciência. Mal sabia você que a minha paciência sempre foi muito maior que a sua preguiça em estudar…

Tudo o que eu disse e fiz foi para o seu bem, ao menos eu acreditava nisso…  é certo que nem tudo foi “exatamente” para o seu bem, mas sim para a minha própria satisfação. Sim, eu não resistia ao benefício de saber que você estaria seguro e agasalhado, mesmo que isso te custasse algumas diversões e experiências a menos…

E também gostaria de dizer que, na verdade, as comidas que eu exigia que você consumisse, as atividades que te forcei a fazer, aquela bagunça de sempre que eu te punia quando o obrigava a arrumar, tudo isso foi necessário para o seu crescimento, mas, foram ainda mais importantes para a minha consciência, para que eu conseguisse dormir tranquila com a sensação de que o meu dever estava sendo feito. 

Eu sei, essa era uma batalha que eu travava comigo mesma, era a minha cobrança como mãe. Eu tinha resolvido que seria a melhor mãe que você poderia ter e, mesmo sem ter aprendido este ofício, eu busquei criar uma metodologia própria, uma que fosse bem padrão e ao mesmo tempo, totalmente personalizada para as suas necessidades. Sei que não cumpri todas as minhas metas ou que não fui a mãe perfeita que eu idealizei… tenho todas as estatísticas no fundo da minha vasta memória, de todas as broncas despropositadas que te dei, de todos os gritos desmedidos e de todos os “nãos” desmerecidos que te entreguei. Tenho tudo armazenado aqui no meu dolorido e, ao mesmo tempo, maravilhoso “HD”. 

E sim, lembro-me bem daquela tirolesa que não te deixei ir, daquela que era tão alta que me dava calafrios só de olhar… não permiti que você fosse naquele dia porque eu tive medo e não deixei que você enfrentasse o seu medo como eu (talvez) o enfrentaria se tivesse a sua idade na época. Sim, o medo era nosso e, ao invés de te estimular a vencê-lo, naquele momento eu te encolhi dentro do abraço quente da minha proteção entediante e claustrofóbica. Assim como quando falei tão mal daquela menina ruiva, daquela que tinha mais personalidade que eu, que ia te fazer sofrer cada vez que você se abrisse e mostrasse esse seu coração bom e generoso… eu sei que ela ia te fazer mal, sim ela ia, mas não fez porque eu a ajudei a ir embora da sua vida. E no final, você não teve a oportunidade de se tornar aquele homem cheio de experiências ruins, que te fariam olhar melhor para a mulher certa, quando ela aparecesse… 

Ah, meu filho! Se eu fosse escrever esta carta eu te diria tanta coisa… te diria que, a cada dia que passa, sinto mais orgulho da pessoa que você se tornou, e que a medida em que você replica meus atos, você dignifica o meu amor por você, que sempre foi gigante, independente de tantos erros que eu posso ter cometido… diria também que todas as suas atitudes diferentes das minhas do passado, repudiam uma parte de mim que não era tão boa, ou tão adequada para você, e isso me faz igualmente feliz. Saber que você é esse ser pleno de tudo o que há de melhor no mundo, com pitadas de responsabilidade, amor intenso na cor ruiva ou com todas as cores, um pouco de loucura por aventuras em tirolesas e alguns fragmentos de mim, é tudo o que eu preciso para entender que minha vida valeu (muito) à pena!

Então, de novo, se eu fosse te dizer algo, seria: obrigada por todo o amor que você me deu, por tudo que você me ensinou e por ter me tornado a pessoa que hoje escreve essa carta, com o coração cheio de amor e a mente cheia de recordações maravilhosas.

Fui! (Admirar a maravilha que é a sua vida…)

 

Não Perca o Controle!

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Não perca o controle! Seja lá onde ele se esconda, seja lá o que você pense estar fazendo em meio às suas ideias um pouco loucas ou um tanto desconexas da realidade. O fato é: vivemos neste mundo cheio de ilusões e amores passageiros, o que é moda hoje nunca será referência na próxima estação e sim, você, impreterivelmente, vai envelhecer…

Então, se eu puder te dar um conselho, apenas um em um momento de tantas dicas de pessoas famosas que na realidade não têm nada a ver com a sua alma inquieta e careta, este conselho seria: “faça o que quiser, só não perca o controle”. Ame quem seu corpo desejar, vista as roupas que sua alma pede e coma o que sua mente programou para você querer, mas nunca, jamais, perca o controle das sua emoções. Porque a razão que nos orienta nos deixa secos e acinzentados, mas a emoção que sentimos, reais ou fabricadas, são as piores conselheiras na hora de voltar para a rotina entediante e ao mesmo tempo segura da nossa vida aparentemente sem graça…

Viva com plenitude tudo o que você quiser, mas nunca se esqueça de que é você quem deve estar no controle desta plenitude. Porque tudo passa, tudo acaba… então viva o hoje e o amanhã em compassos certeiros de alegria e estabilidade emocional; conviva bem com o seu passado também e, ao invés de se lamentar pelos fatos que você já não pode mudar, transforme-os em pontos de fortaleza para que você não volte a cometê-los. E lembre-se: nunca, jamais, perca o controle.

É esse controle que vai fazer você voltar do abismo que te seduz, todas as vezes em que você vai passear por lá, no meio da noite ou mesmo no meio de uma tarde um tanto sem graça, em uma terça-feira cheia de saudades, lamentos e frustrações… mantenha-se firme neste controle providencial, que não é absoluto nem intransponível, mas que te mantém forte até o dia seguinte ou até o próximo capítulo de um livro denso e contagiante.

Fui! (aprender a me controlar…)