Não Importa…

não importa

Não importa realmente se você foi embora… continuo agradecendo a você, todos os segundos em que me senti olhada com a verdade dos seus olhos. Agradeço os instantes em que você tocou o meu corpo e os segundos de felicidade que conjugamos ao rir das nossas piadas inventadas.

Não importa se você resolveu ir embora da minha vida; você foi, mas eu fiquei com tanto de você… fiquei com o seu tom de voz nasalado ecoando suave na minha mente barulhenta, com a sua mania de pontualidade que me irritava, mas que me mantinha nos trilhos. Fiquei também com a sua forma um pouco louca de olhar a vida, aquela que me instigava a fugir do controle que eu mantinha sobre os patamares firmes da minha vida.

Realmente não importa mais se a sua vida se enraizou em outro local que não é a minha cama, não importa se você hoje admira um outro alguém e ama uma pessoa com outro colorido, mais vivo e mais natural que o tom pesado que cobre os meus cabelos brancos; não importa… eu sei que nós dois fomos feitos exatamente para nós dois, e, ainda que você não enxergue isso, ainda que você diga o contrário, é essa verdade que consola o vazio que você deixou do lado esquerdo do meu carro ou do lado esquerdo do meu corpo; é essa verdade que esquenta o frio da minha alma, todas as vezes em que me levanto com o pensamento de tudo que vivemos e de tudo o que eu havia desenhado para viver ao seu lado. Era um presente que estava sendo feito com todas as nuances mais caretas, aquelas que encontrariam seu sorriso no final de uma viagem ou depois de uma noite sem dormir, cuidando da vida de um fruto que seria nosso, mas que hoje é uma outra história.

Mas tudo bem, já não importa mais. O que importa é que o que eu consegui guardar de você é tanto, mas tanto, que me enche de felicidade pensar nesses momentos, que foram poucos, mas que eu consegui transformar em uma eternidade ao seu lado. Esses momentos renderam uma vida inteira sentindo seu perfume, amando seu sorriso e desejando boa noite apenas com o toque que você me ensinou…

Fui! (amar você da forma que eu sei…)  

“Pensei que Podia…”

emcimadomuro

Quando era criança pensava que podia fazer o que quisesse; pensava que ia dominar o mundo, sem saber que “Ele” me engoliria em questão de segundos… pensava que podia, que seria eu contra todos os maus, aqueles que me acusavam e me irritavam. Pensava que eu era inteira luz, cercada de anjos bons que só me aconselhavam a seguir pelo melhor caminho possível.

Não sabia que eu também era escuridão e que os caminhos errados que tomaria seriam guiada pela minha própria voz interior, uma voz poderosa que dizia sempre que a melhor alternativa era a mais distante, a mais cara e a que se vestia melhor…

Pensava que podia encontrar razão nas notas desafinadas da melodia que eu mesma havia composto, mesmo sem ter certeza de como orquestrar essa sinfonia cheia de agudos e graves que é a vida da gente, com altos e baixos, com encontros e despedidas…

Fui eu quem escolheu as cores cinzas do cotidiano que envolve meus sonhos não realizados e minhas frustrações adormecidas, mas fui eu também quem resolveu perdoar o maestro e quem pediu licença ao tempo para desenhar outra história, uma mais cheia de cores e mais possível de se viver nesse mundo, que não é meu, mas que é onde ainda habita essa criança que um dia pensou que podia…

Fui! (Pensar que eu posso…)

O Que Eu Quero

beijo

Se você me perguntar o que eu quero neste momento, te responderei apenas com meu corpo. 

Quero beijar a superfície carnuda e macia dos seus lábios generosos; quero abraçar seu corpo inteiro, com a fartura das suas dobras e peles, com a maciez das partes molhadas e a aspereza das partes mais acessíveis.

Quero encontrar as dobras que se escondem dos olhares curiosos de todos que convivem com o seu carisma, e quero salpicar um pouco da minha saliva para marcar esses espaços com o meu gosto mais peculiar, aquele que tem um cheiro doce e um paladar amargo…

Quero vasculhar seus sentidos até encontrar aquele ponto que faz você se contorcer com pequenos espasmos musculares e que faz seus olhos flutuarem sozinhos nas órbitas que geralmente estão cheias de imagens do cotidiano,  mas que nesse momento estará plena de mim, enorme e envolvente.

Quero entrar dentro do seu corpo com uma pequena dose de brutalidade, que vai fazer você gemer de prazer na mesma intensidade em que você vai se entregar para mim, em movimentos possíveis e reais, em um ritmo constante e vulgar.

Quero te deixar desconcertado, cheio de vontade de mim, com uma temperatura mais quente no centro do seu corpo e com as suas extremidades mais frias, com lampejos de tesão, com gotas de prazer e com lágrimas de alegria…

É isso que eu quero.

Fui! (buscar…)