Que sorte a minha…

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Que sorte a minha ter você ao meu lado. Que sorte ser casada com o meu melhor amigo, aquele que está sempre ali, em todos os momentos em que o tédio invade os espaços sagrados da nossa vida e que transformamos em festa com a arte de rir de nós mesmos, da vida que nos cerca e nos abraça.

Que sorte a minha ver estampado nos rostos desses pequenos os nossos gens, os meus mais valentes e os seus mais inteligentes. Que sorte contar com você para me ajudar a educá-los, a cuidar deles, a mantê-los firmes no caminho certo, aquele que eu mesma, às vezes, não encontro com tanta clareza.

Que sorte, mas que sorte mesmo, ter você ao meu lado para aplaudir a beleza que é a minha vida, rodeada de palavras bonitas e frases de efeito, uma vida perfeita que vale a pena ser vivida porque é ao seu lado que acordo todos os dias, em anos que consagro com o valor de uma vida inteira.

Que sorte a minha ter você para me olhar, mesmo quando eu mesma não quero ver a tristeza que salta do fundo da minha alma, de um passado que você não pertenceu, mas que, de alguma forma, me ajudou a conviver com ele. Que sorte ter você para amparar minhas dores, que não são tantas, mas que machucam; que sorte ter você para me curar de mim mesma, toda vez que insisto em pegar o caminho contrário, aquele que me leva ao lado mais distante da minha essência.

Que sorte saber que você está aí, ao lado do telefone, esperando pela minha ligação. Sorte demais perceber que, de todos os lugares incríveis no mundo, nos quais a maioria dos meus amigos está viajando, eu preferia mesmo estar ao seu lado, seja nesses lugares, seja no paraíso da nossa cama.

Que sorte amar você com toda a vontade da minha alma, que clama por um pouco mais da sua companhia, sempre que busco abrigo no corpo que cultuo com o meu mais puro querer.

Que sorte a minha ser sua…

Fui! (Comemorar…)

Todas as Minhas Cores

Quero acessar todas as minhas cores. Quero sentir a paz dos tons amenos dos meus azuis, sentir a vibração dos meus amarelos e até mesmo a força dos meus vermelhos.

Quero ser branca quando estiver com os que amo e escura quando precisar camuflar-me nos arbustos de alguma esquina perigosa.

Quero ser violeta para respirar o perfume que exala dela, cada vez que me lembro da minha infância encantada; quero ser rosa para sentir que o universo ainda dança comigo, em compassos de leveza e harmonia, cada vez que movimento meu corpo. Quero ser verde para abraçar a flora que me cerca, aquela que se entrelaça nas minhas veias e leva saúde em doses plenas ao bater das asas de todas as minhas borboletas.

Quero ser negra em toda a profundidade que meus sentimentos permitirem, quero ser cinza enquanto puder fingir que não escuto as agressões cotidianas que insistem em cercar-me a cada porta que se fecha e quero ser rubra para encobrir os excessos que infringi ao meu valente e resignado corpo.

Quero ser essa imensidão de tons que cercam minha vida, cada vez que escuto a canção da alvorada convidar minha alma para passear pelo inconsciente de beges das areias vazias da minha saudade.

Quero ser colorida na proporção perfeita de tudo que combina com o meu doce jeito, na sintonia fina de todos os tons que completam a minha não tão simples existência…

Fui! (Pintar…)

O que te emociona?

De todos os sonhos que não vivi, de todas as buscas em que não encontrei o que havia perseguido e de todos os momentos que gostaria de esquecer, eu encontro uma razão para olhar para fora e sair deste castelo de amarguras que construí em torno de mim mesma.

Sou eu quem deve enfrentar a escuridão das esquinas pelas quais minha alma insiste em vagar, nas horas em que minha mente se distrai e me deixa livre para sofrer um pouquinho por aqueles momentos que não deveriam ter acontecido, mas que existiram. E, para todos aqueles momentos que deveriam ser eternizados em fotos emblemáticas, mas, que por alguma razão o destino não quis lhes dar vida, eu os saúdo no labirinto da minha mente criativa, aquela que não me permite encontrar tristeza nas várias lágrimas salgadas que brindam meu rosto com seu calor refrescante e ácido.

Se me lembro bem de mim, quando fiz os planos que agora não me acompanham no avançar dos meus anos, eu era mais ingênua e menos machucada. Era mais leve e mais confiante. Era eu em uma versão milhões de vezes mais frágil, mas, igualmente, mais apaixonada.

Hoje sou dona dos meus passos, dona dos que deram certo, dos que não existiram e dos que não foram muito “simétricos”; Sou dona de mim e da vida que uso para estampar a superfície do meu olhar, ofuscado, às vezes, por esse cisco que os outros chamam de “emoção”.

E nos descompassos da minha existência, não idealizo mais tantos sonhos para realizar, ao invés, espero as coisas acontecerem para me surpreender; também não busco com tanto afinco realizar as minhas metas; hoje em dia, prefiro deixar que elas me encontrem pelo caminho… 

E os momentos que gostaria de esquecer? Desisti de esquecê-los. Convivo com eles, juntamente com todos os fracassos que se acumulam no armário da minha despensa. Descobri que é melhor deixá-los guardados e vivos, em vez de tentar matar o que um dia fez parte da minha performance nessa estrada, que eu costumo chamar de “vida”. 

Fui! (Me emocionar…)