“Mais Uma vez…”

Me sento tranquila em uma esquina fria para tomar mais uma xícara de café. Sinto a saudade invadir a minha alma ao mesmo tempo em que paro e escuto meu coração. São tantas memórias, tantos momentos, que nada parece afastar a sua lembrança.

Mas à medida em que saboreio o gosto amargo do meu café preto, sinto um calor me abraçar por inteira, como se o vento gelado assoprasse afagos e não calafrios. Escuto as mensagens de um outro dia; elas foram editadas, mas seu conteúdo permanece o mesmo, a espera de um sinal, a espera de nós… se fui vazia ou se fui relapsa, saiba que fui tão somente, verdadeira. Mas fui amante e fui fiel ao que sentia, então não te peço perdão, te peço apenas “mais uma vez”.

E se esse mais não vier nunca, escuto de novo o vazio do vento, em sinais de renovação e esperança. 

Enquanto isso, sigo tomando meu café amargo, que fica cada vez mais doce à medida em que o tempo passa…

Fui! (pedir um pouco mais…) 

 

Um Pouco de Mel…

De todos os sorrisos de satisfação que encontro pelo caminho, escolho o seu sorriso de esperança. Me contento em ter você no reflexo da minha mente, esperando por mim em algum lugar que não consigo descrever…

Sou eu, na versão mãe e amiga que se despede de você na sua versão adulta e segura. Sou eu, entregue às memórias tão doces, que agora gritam o gosto amargo de não ter você dependente de mim. 

Somos eternos passantes que exploram o mundo com diferentes olhares, mas o meu está sempre apontando para você. Sou eu, a admiradora da sua vida, aquela que está ali, contando os segundos para saber as novidades da sua vida e que demora para dormir pensando se você está bem, mesmo sabendo lá no fundo, que você está ótima…

Acredito nas suas escolhas, confio na sua força e aprecio a sua segurança; mas confesso que não consigo me acostumar a viver sem o seu chamado constante, aquele que ecoa até as esquinas mais apagadas da minha mente e que me faz querer voltar por um caminho que já se desfez.

Sigo apreciando o sabor doce de ter você na minha vida, e aprendo a cada dia a conviver com as doses amargas da sua ausência nela…

Fui! (saborear meus doces momentos ao seu lado…)

Eu Vou

caminhotorto

Me diga onde é o norte que eu vou. Apenas me ajude a achar o caminho e eu serei eternamente grata pela dica. Muitas vezes, a única coisa que precisamos é de algumas palavras que nos indiquem para onde ir e por qual bifurcação não nos perderemos tão facilmente…

Sutilmente troco de sapatos quando percebo que o terreno é arenoso e, ainda que chova, continuarei a andar até encontrar o que busco. Sou mais eu, em uma versão menos perdida que te agradece a ajuda, mas que permanece à espreita, aguardando alguma carona para aliviar o peso dos meus pés cansados de tanto correr.

E quando chego ao destino final, já é tão tarde que não me dou conta de que esse caminho não era o certo, que eu deveria ter seguido pela outra estrada, aquela com mais paradas e distrações. Percebo que deveria ter sido mais leve em minha caminhada, ter dado mais risadas e relaxado mais… então volto a seguir meu caminho, agora em uma nova estrada, onde tento aproveitar melhor a paisagem que insiste em me saudar em um entardecer alaranjado e cheio de vida.

Vou seguir até o ponto em que me sinta cansada e, depois de descansar, vou caminhando por aí até encontrar o fim. E, quando este chegar, vou tentar de novo e sempre…

Afinal, o norte está bem ao lado e o rumo da nossa vida está aí, na ponta dos nossos pés…

Fui! (seguir para o norte…)