“Humanofobia”

humanofobia

Que os Deuses me ajudem a superar o horror que começo a sentir da raça humana. De tudo que vem dela, e em especial, do desconforto ao confiar que minha presença será tolerada, que meus entes queridos serão respeitados e que, juntos, receberemos o mérito por tentarmos ser exemplo de “boa fé” na espécie humana. 

Que seja louvável a minha persistência em transformar projetos de pessoas em representantes da boa vida; da vida que é possível de ser vivida dentro das arestas cerceadoras da moral e do social. Que minha força de vontade seja mais plena que a deles, que insistem em denegrir o pequeno espaço que chamo de “Mundo”. 

Que meus anjos digam “amém” cada vez que me encontro com eles nos sonhos que imagino serem dignos de mim, ou de nós.

Que todos os meus companheiros de estrada percorram o labirinto que existe até chegarmos a nós mesmos e que, cada lacuna desta vida humana, seja uma oportunidade para aprendermos a ser melhores que os obstáculos que se sobrepõem à nossa vontade.

Que os humanos sejam cada vez menos humanos e que conheçam um pouco mais do sagrado que lhes espera ao final da jornada. Que possam desfrutar por antecipação as boas novas da nova geração de filhos pródigos, que se encantam por poder compartilhar o que ganharam por merecimento, e que não se importam em abrir mão do que seria seu, mas que preferem que seja do Mundo todo…

Fui! (rezar com mais fé…)

Ao Seu Lado

amigos

Caminhando ao seu lado por todo o percurso, chego ao ponto em que percebo que já não estamos mais no mesmo ritmo. Me causa dor e tristeza ter que deixá-lo para trás, sem saber se algum dia retomaremos a nossa caminhada da mesma forma fácil e leve com que conquistamos cada quilômetro dessa estrada.

Percebo que seus pés estão calejados e cheios de arranhões; diferentes dos meus, que se mantém fortes, ásperos e duros. Sua pele sempre foi mais fina e sua disposição, igualmente, mais debilitada. Sua saúde sempre deixou um pouco a desejar e sabemos que você jamais seria um corredor nato. Eu sei que são milhões as diferenças que nos afastam, mas são tantas as semelhanças que nos aproximam também…

Posso ser mais forte fisicamente, mas muito da minha força vem de você, do olhar doce e suave com que você sempre me incentivou a continuar, a atravessar meu oceanos de incertezas e meus desertos de angústias. Hoje sou mais forte porque tenho esse seu olhar de admiração, de incentivo e de perdão.

Sou mais eu, em passos largos, do que jamais fui durante todos os passos pequenos que dei ao seu lado. Mas esses passos só são possíveis porque a solidão que sinto é incompleta. Você está aí, em algum lugar lá atrás, olhando o caminho que se estende à frente e desejando que eu conquiste os novos quilômetros com força e sabedoria.

Fui! (caminhar…)

 

Até Logo!

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É estranho acordar e pensar que você não está mais aqui. É estranho saber que seu corpo se foi e que sua alma está livre em algum lugar que não consigo enxergar. É bem estranho pensar em você em um outro local que não aqui, sentado ao meu lado tomando seu café. 

Não sei o que você pensa sobre destino, sobre reencontros e sobre caminhos que se cruzam. Não sei ao certo se você consegue ver que estamos indo na mesma direção, só que você está um pouco mais adiantado… 

Queria tanto saber o que você já descobriu,  contemplar o que os seus novos olhos estão vendo, vivenciar essa nova vida que você foi convidado a participar. Queria tanto estar ao seu lado, onde quer que você esteja. Mas ao mesmo tempo, olho para trás e percebo que os nossos ainda estão aqui e que eles não estão preparados para perder nós dois… então, entendo que temos que nos separar um pouquinho para vivermos essas vidas sozinhos. 

E apesar do futuro ser incerto, é certo que nos encontraremos de novo, em alguma esquina, em algum canto, prontos para saborearmos de novo o nosso café…

Fui! (pensar em você…)

 

Não Quero a Sua Cura!

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Quero caminhar ao meu encontro. Quero experimentar as maravilhas da vida. As maravilhas que eu enxergo, da vida que é minha. Quero andar por caminhos tortos e construir meus rastros por esse mundo igualmente torto. Quero ser eu em meu corpo durante toda a caminhada e não, não quero a “cura” para as minhas opções.

Porque são as minhas escolhas que me definem. Quero ser definido por elas e não por quem insiste em dizer que minhas escolhas estão erradas. Se sou um “mal” para a sociedade em que vivo, serei esse mal para sempre, e serei cada vez mais “mau”. Porque vários podem tentar me acorrentar, vários podem tentar me modificar e vários podem tentar acabar com a minha essência. Mas eu digo: não vão conseguir. Eu não vou mudar. E eu não quero mudar…

Essa pele é a pele em que eu habito, e esse corpo é o corpo que contempla meus desejos. E meus desejos são todos reflexos da minha representação, do meu eu mais profundo e honesto. É nesse corpo que vou carregar o peso das contrariedades e despropósitos de um mundo sem sentido, mas um mundo que é meu também. E é nesse corpo que gritarei mais alto, que jamais me curvarei aos que desejam minha abnegação. 

Porque eu não quero curar a minha alma, ainda que lhe pareça suja ou imoral. É a alma que carrego dentro do meu corpo, que é meu santuário, escoltado pelos desejos que me tornam humano. 

Não, eu não quero a sua cura. 

Não preciso da sua cura. 

Preciso apenas do seu respeito.

Fui! (gritar…)

“Menininha”

menininha

Adoro você assim: bem menininha. Delicada, feminina, colorida. Adoro suas travessuras, seu sorriso tímido, seu jeitinho leve e cheio de charme. Adoro sua bossa, aquela que encanta e suaviza o ambiente. Adoro a forma que você caminha, que requebra levemente os quadris, como se estivesse dançando, quase flutuando…

Adoro você, menininha. E peço que, depois de adulta, você continue assim, com cheiro de flor. Daquelas flores doces, que desabrocham sem perder a graça. Que encantam sem agredir. E que sabem usar seus espinhos, se forem arrancadas do seu lugar de origem. Porque eu sei que de frágil você não tem nada, aliás, foi invenção de um alguém desavisado que menina com mãos pequenas e olhos amendoados, que se vestem com roupa cor-de-rosa, não sabem se defender.

A sua “arma” é a forma sorrateira que você usa seu sorriso, a maleabilidade que você tem quando muda o tom de voz para pedir algo e a suavidade dos seus passos quando você quer sair sem chamar a atenção.

Mesmo sabendo que você um dia vai crescer e vai mudar, continuarei a admirar a sua ternura, aquela que não vai embora nunca. A sua essência doce e suave, delicada e leve…  a sua “menininha”.

Fui! (Me encantar cada vez mais com você…)

Borboletas

borboletas

Haverá um tempo em que você não precisará mais se preocupar com a sua aparência. Nesse tempo, você será livre para ser bonita da forma que é, sem precisar de dietas malucas ou maquiagens excessivas. Você poderá experimentar o sabor dos temperos e o doce gosto do que hoje lhe é proibido. Poderá usar o que lhe agrada, sem parecer ridícula aos olhos de quem te julga. 

Um dia, você poderá fazer o que quiser com seu corpo, poderá usá-lo livremente sem se importar com o pensamento alheio. Mas lembre-se que o corpo é seu, o mundo, não. As pessoas provavelmente ainda não estarão prontas para enxergar o mundo através do seu olhar, então, cuidado para não magoá-las com palavras indevidas e com manifestos de ódio pelo que elas cultuam uma vida inteira…

Saiba caminhar na linha que divide o seu direito de se expressar com o universo limitador dos mais retrógrados. Não se ganha uma guerra destruindo o inimigo, se ganha uma guerra dominando o seu território. E no seu caso, lembre-se, você não está em guerra com ninguém. Você só quer o seu espaço.

Então divida os territórios e mapeie os locais onde suas palavras terão a liberdade de voarem como borboletas, e os lugares em que elas devem pousar e esperar. 

Seja paciente com o Mundo em que você vive. Com elegância e educação você conseguirá tudo o que quiser. E suas borboletas voarão mais alto…

Fui! (encontrar a minha linha e soltar minhas borboletas…)

 

Preguiça…

preguiça

Preguiçosa, eu? Não… o que eu sinto é “falta de disposição”. Não consigo me exercitar no frio, porque meus ossos parecem congelar, mas no calor intenso também é impossível porque minha pressão baixa drasticamente…
 
Não é, definitivamente, um tema de preguiça, mas é muito mais fácil fritar alguma coisa, qualquer coisa, do que cozinhar em banho-maria. Eu também sei que os orgânicos são mais saudáveis, mas os congelados já vem “prontinhos”…
 
Ainda no tema da comida, eu sei que não deveria consumir tanto açúcar, mas não consigo resistir ao pecado da gula quando vejo um inocente brigadeiro, a alguns centímetros das minhas mãos (e da minha boca)…
 
E depois que como um docinho, quase sempre tenho algum “pico de glicemia” que me derruba e me manda dar uma piscadinha amiga para meu sono. Esse sono que me acompanha por todo tempo, que está grudado em mim no comecinho da manhã, se despede um pouquinho lá pelas dez, mas que volta com força total às duas da tarde! E à noite? Bom, de noite eu aguento bem, até umas oito, nove da noite… depois disso meus cílios começam a pesar uma tonelada e caem indecentemente em cima das minhas cansadas olheiras.
 
Eu queria me exercitar, queria mesmo. Queria fazer uma dieta e seguir o exemplo das pessoas fitness que frequentam a minha rede social, mas a verdade é que me dá uma preguiça…
 
Fui! (assistir TV, com um controle remoto à mão…)