Te Amo!

Te amo! É o que tenho vontade de dizer quando penso “nele”. Naquele abraço apertado que me aquece e me acomoda generosamente no seu peito. Ele, que me chama de “puta” e me olha com ternura quando me vê escovar os dentes. Ele, que está aí quando eu preciso e quando não preciso também, mas quero. Ele, que me deixa com vontade e que não me satisfaz sempre, só para me dar um gosto de quero mais. Ele, que me sufoca de tesão e que me estimula a ser mais. Ele, que me dá o que eu nem pedi. Ele que me quer mesmo com o cabelo despenteado e a depilação atrasada. Ele, que não se importa pelas futilidades do dia-a-dia e que não exige o conhecimento político-financeiro do cotidiano, mas que me faz ler mais do que eu necessitaria para me sentir culta. Ele, que me faz parir para perpetuar a nossa linhagem pelo Mundo. Ele, que me cheira inteira e sorri de satisfação. Ele, que é muito mais do que um amigo e um pouco menos que um amante. Ele, que consegue encontrar o equilíbrio perfeito entre os hemisférios norte e sul do meu corpo.

Para ele eu digo: Te amo!

Fui! (amar muito…)

Estou de Saída

eu

Já fui! Fui correr pelos campos verdes e me enveredar de paixão pela vida que muda a cada instante. Fui me inteirar das notícias, mas elas também mudam com a velocidade dos ventos. São tantas transformações, são tantas novidades…

O Mundo é mais cruel que a minha ira, mais violento que meus impulsos e mais brando que a minha voz rouca. Sou eu quem tenta girar a roda da vida, mas ela me empurra para mais longe dos meus objetivos cada vez que chego perto. E quando estou quase lá, desisto. Em um movimento quase inexplicável, me atenho a mim, em um compasso descompassado de dúvidas e indecisões, sigo escolhendo a liberdade de não ser eu, mas um monte de mim em busca de alguma coisa que ainda não sei ao certo…

São lamúrias do passado que gritam pelo futuro. Sou eu, em uma versão melhorada nas entrelinhas, e mais gasta nas solas do sapato velho, desta caminhada cansativa e ao mesmo tempo inebriante…

Fui! (tentar entender o que eu quero, mas sem deixar de buscar algo… seja lá o que for!)

“Mais”

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“Mais”. Às vezes, tudo o que eu quero é um pouquinho “mais”. Um pouquinho mais de tempo, de carinho, de abraços. Um pouquinho mais de você, que foi embora tão cedo… queria mais do seu sorriso, das suas opiniões. Queria “mais”.

Mais da sua sensibilidade, mais do seu senso de humor. Você me deu tanto, mas ainda foi tão pouco. Sigo em passos largos atrás de um pouquinho mais de você, busco em outras pessoas algo que me faça lembrar seus gestos, sua ideologia, sua visão da vida. Procuro em todas as partes fragmentos de você, partes pequenas que, juntas, poderiam formar um mosaico com suas cores e formas. Algo próximo ao que vivemos, a tudo que você me deu. Mas percebo que a grandiosidade do seu “eu” só será enorme se for você, na sua versão plena e verdadeira. 

Hoje você virou uma lembrança, mas é a lembrança mais real que eu tenho. Aquela que me faz despertar todos os dias com um gosto de “um pouquinho mais de você”…

Fui! (vivenciar você nas minhas mais deliciosas lembranças…)  

Meus Pecados

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Ai… cansei. Cansei de correr atrás do peso ideal, do parceiro perfeito e da casa arrumada. Cansei de tentar ser um exemplo para mim mesma, um alguém que eu pudesse seguir pelo simples fato de admirar. Mas eu não me admiro quando estou molhada de suor, sofrendo em cima de uma máquina feita para me fazer correr para lugar algum. Não me admiro quando resisto a um doce delicioso porque ele vai matar minha auto-estima. Me mata mais ter que deixá-lo à espreita, apodrecendo em um canto da cozinha porque eu “não posso”, ou “não deveria”.

Não, eu não me orgulho de mim quando, de novo, deixo de fazer o que eu gosto para acompanhar meu amor no seu programa preferido. O amor é meu, mas o programa é dele. Não aguento mais sorrir quando não estou com vontade, concordar quando discordo e me doar quando na verdade eu quero mesmo é dormir…

Realmente, não me importo com sua dor, ela é sua e não minha. Não me importo com o sofrimento alheio, me importo com o meu sofrimento, bem egoísta, bem mesquinho, bem “meu”. Sou mais antipática do que aparento e mais real do que imaginam. Sou errada em várias formas e pior em minha profundidade mais avassaladora. Sou péssima, mas finjo ser “normal” quando estou de dieta, treinando e amando. Controlo diariamente meus demônios para que eles não me tirem do caminho certo da paz social. Me entendo com eles nas exceções, onde posso confidenciar a meus amigos Gula, Raiva, Ganância, Avareza, Luxúria e Preguiça todos os pecados que eu queria ter cometido mas não consegui. 

E o Orgulho? Esse eu o agradei, todos os dias, na rotina entediante da minha vida politicamente perfeita…

Fui! (comer e dormir direito…)

Tudo de Volta…

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Às vezes eu quero que tudo volte para o lugar de início. Quero tudo novo, de novo. Quero assim, com o laço ainda preso no embrulho, pronto para ser desenlaçado. Quero a vida intocada e imaculada. Quero assim, sem cicatrizes e sem traumas. 

Quero ver de novo o sorriso da vovó, aquele bem largo e sincero, de quando ainda fazíamos as palhaçadas preferidas dela. Quero ver meu tio bebendo seu whisky como se o mundo fosse acabar amanhã… o nosso mundo não acabou, mas o dele sim, depois que a pancreatite o visitou naquela terça-feira. Quero ver a mamãe agradecendo a sua Santa, a vida dos seus filhos, mais saudáveis que todas as crianças de um comercial de danoninho… a Santa ajudou, mas foi a mamãe quem nos alimentou e protegeu.

Quero ver de novo o meu primeiro namorado, aquele que me ensinou que eu teria que me esforçar muito se quisesse ser amada e respeitada por um alguém que não dividisse a mesma carga genética comigo… quero poder olhar em seus olhos e dizer que sim, eu consegui um alguém que me ama e me respeita, e eu não tive que fazer tanto esforço para conseguir isso. Bastou ser eu mesma.

Queria poder voltar o tempo e encontrar aquela amiga que me disse que seríamos amigas para sempre. Queria poder dizer a ela que não guardo mágoas por ela ter se afastado. Que ela sempre será a minha melhor amiga da juventude e que hoje eu fabriquei uma melhor amiga mais amiga ainda, minha filha. E encontrei no meu passado mais remoto outras grandes amigas, mais perfeitas e completas: a minha mãe, a minha avó e a minha tia. 

Queria poder voltar ao ponto de partida, ao início dessa caminhada mas não posso. Posso me lembrar com carinho dos bons momentos e com amargura dos momentos vergonhosos que presenciei ou causei… queria poder dizer mais uma vez o quanto amo algumas pessoas e queria poder nunca ter dito nada sobre amor para outras… 

Queria modificar muitas coisas do meu passado, ou, simplesmente, vivencia-las novamente. Mas a verdade é que o caminho que foi percorrido já não existe mais. Ele se esvaiu atrás de mim como uma nuvem de poeira que se forma atrás de um grande caminhão de mudança. A estrada foi engolida pelo precipício ao lado, logo depois que eu passei. 

E os presentes que nunca foram abertos permaneceram lá, intocados e esquecidos…

Fui! (abrir todos os presentes que a vida me dá… hoje!)

Todos os Beijos

Beijo

Quando uma data que celebra o amor se aproxima eu me lembro de todos os beijos que recebi durante a minha vida. Me lembro dos beijos bons e dos que não foram tão bons assim, me lembro dos beijos desejados e dos roubados. Me lembro da sensação de beijar quem eu tanto amava e de beijar quem eu acreditava ser impossível… esses beijos foram sem dúvida, os melhores.

Mas o que dizer do beijo no altar do meu casamento? Ou o primeiro beijo, aquele realmente inesquecível? O que dizer dos beijos molhados, aqueles trocados embaixo de um chuveiro quentinho ou em mar aberto, com gosto de sal e maresia?

São os beijos as melhores partes das nossas histórias de amor, das histórias que carregamos nas nossas lembranças mais doces. E quando penso nas pessoas que vivenciaram esses beijos comigo, penso que suas bocas eram minhas durante os segundos em que estavam grudadas no meu corpo, acariciando meus lábios e entrando dentro de mim, no espaço onde minha vida encontra o sabor e o gosto de tudo o que é delicioso…

Fui! (Beijar muito, porque o tempo pede e porque eu adoro!)

O Possível

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Por um momento pensei em sair às ruas e gritar. Por um momento pensei em esquecer meu passado de desgostos e viver o presente que é possível viver. Por um momento entendi a dimensão do “possível”. 

Não estive satisfeita com o que tinha até o momento em que perdi esse pouco, que era tanto, mas que se mostrava insuficiente frente a minha ganância. E é atrás desse pouco que agora corro em passos largos, tentando reaver minha história, ou ao menos fragmentos dela. Sou mais forte e mais veloz quando percebo que tenho mais a perder do que imaginava. E no meio de tantas batalhas, no meio de tantas guerras, busco uma trégua com eles, meus desejos insensatos e irracionais. 

Hoje sou menos fútil e mais verdadeira. Conquistei a liberdade dos meus sonhos mais encantadores, aqueles que me aprisionavam em uma vida que jamais existiria, que vivia somente na minha imaginação.

Sou sim, do tamanho dos meus sonhos. Mas sou do tamanho dos sonhos possíveis, aqueles que não me machucam quando penso neles. Aqueles sonhos que serão, muito provavelmente, realizados. Os sonhos concretos que me trarão o conforto de poder abraçá-los ao final da caminhada.

Sonho com o “possível”, que além de original, também é lindo.

Fui! (Buscar o meu “possível”…)