Eu Acredito

atleta

Vejo atletas chegando. Vejo uma arena sendo montada. Vejo pessoas esperando.

Sou sarcástica, irônica, realista. Não acredito muito na boa fé da humanidade, mas, ainda assim, acredito nas pessoas. Acredito que podemos mudar. Acredito que o fim é muitas vezes uma oportunidade de um novo recomeço.

Não sou “olímpica” nem quando era viva, mas vivo uma olimpíada diária ao tentar proteger os meus do pecado da ganância.  Os incentivo à luxúria da alma, mas jamais à briga de rua, ao confronto impiedoso, ao sangue dos justos pelos injustos.

Tento ser melhor do que jamais fui, mas confesso que não consigo vislumbrar um cenário de glória. O brilho do cobiçado ouro é ofuscado pelo preto do luto em que jaz a “Cidade tantas vezes Maravilhosa”, e o cheiro do medo impregna os olfatos de quem se assusta com a própria sombra.

Hoje os seres humanos são menores que seus ideais e a esperança… Bem, a esperança é sempre a última que morre.

Então percebo que o “espírito olímpico” se confunde com o “espírito natalino”, na crença de que, ao menos por alguns segundos, é possível se esquecerem do caos em que vivem e subirem todos juntos no pódio dos vencedores.

Que venham as Olimpíadas 2016! E que tragam algo bom para este povo tão sofrido…

Fui!!! (torcer, vibrar e conquistar algumas medalhas…)

Por um pouco mais de Nicotina…

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Acordo e vejo vultos. Vultos de mim mesma girando em círculos para tentar encontrar as respostas dos infinitos questionamentos da minha alma. Sou eu que me tranco dentro de todas as escolhas saudáveis, e sou eu também que oriento meus filhos a aprender mais e sempre, mesmo que esses aprendizados não lhes tenham serventia alguma…

Meus vultos me mostram o quanto caminhei sem chegar a lugar nenhum e o quanto ainda terei que caminhar para descobrir o simples prazer de uma barra de chocolate… Assim como os temperos que encantam feijoadas e moquecas, os nossos vícios proibidos nos encantam pelo prazer de salpicar algo indevido em um dia comum.

São as marcas de quem muito fez que não deixam esquecer a essência que dorme, mas que não jaz sem fim até que se esgote sua última gota de energia. Essas marcas são as que ficam escondidas atrás das roupas da moda e em cima do sangue puro e limpo que corre por veias desobstruídas, gritando por um pouco de gordura animal, ou por um pouco de álcool… Ou, ainda, por um pouco mais de nicotina…

E de que adianta ensinar seu filho a ser poliglota se ele não souber pronunciar nem um simples “obrigado” ? Meus vultos me ensinam o que não aprendi, e me mostram o que o caminho certo é muitas vezes aquele que julgamos ser a pior opção.

Fui! (ensinar a meus filhos que antes de aprenderem a matemática da vida, precisam aprender a viver de verdade…)

Respirar

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Às vezes, tudo e só o que precisamos, é RESPIRAR. 

Respirar com calma, com profundidade. Respirar antes de responder. Respirar para pensar melhor. Precisamos respirar para ventilar e circular a energia que está aí, estacionada. Precisamos respirar para poder enfrentar os fantasmas que nos perseguem. 

Respirar para viver, em seu sentido mais profundo da palavra. “Respirar para viver”, que é bem diferente de “respirar para não morrer”. 

Respirar, só respirar. Às vezes, e quase sempre também, é o que precisamos para acordar. Precisamos respirar para rever nossos conceitos, para aceitar darmos um passo para trás, para nos permitirmos pedir desculpas. Respirar para mudar o que está errado, e o que está certo também, mas que podia estar melhor. Respirar para melhorar. 

Respirar para permitir-nos também nada fazer, em circunstância alguma. Respirar para sentir nosso corpo. Respirar para nos ouvir. Respirar para nos encontrarmos de novo, em algum ponto perdido em que ficamos sufocados, e esquecemos de respirar…

Fui! (Respirar para me buscar…)