Quem somos nós, afinal?

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Depois de séculos de evolução nos encontramos involuídos… Somos todos omissos ao dizer sim, quando deveríamos dizer não. Somos omissos ao não dizer nada. E somos omissos por permitir que a violência entre em nossoas vidas através do nosso olhar negligenciado do Mundo.

Somos todos culpados. Somos culpados por não frear a insistente força que permanece entre nós, seres humanos. A força pela sobrevivência da espécie se solidificou em um “nós” que não mais reconhecemos. São aqueles conselhos da vovó, aqueles velhos e com cheiro de naftalina que sopram providenciais códigos para a nossa já tão esquecida “civilidade”.

Somos mais vicerais e menos, muito menos, formais. A educação esbarra no quesito prazer e se transforma em praticidade, em uma licença poética sem fim. Estamos amargurados e estressados. Precisamos de drogas para nos mantermos de pé. Precisamos de drogas para dormir. E, muitas vezes,  precisamos de drogas até para respirar.

Somos todos medrosos diante da ameaça, mas valentes diante do oportuno. Somos a massa movida em peso pelo sabor da gula, com doses cavalares de manteiga e açúcar. Mas nos esquecemos que precisamos somente de “bom senso”. O bom senso para entender que é urgente nos readequarmos, nos reinventarmos, nos reanimarmos diante da vida.

Usamos a sobrevida que nos resta, diante dos horrores apocalípticos do final deste Mundo condenado.

Estamos todos condenados a sucumbir pelos pecados alheios, sem nos darmos conta de que, ao falarmos sobre estes, estamos nós mesmos atribuindo a eles a nossa descrença e a nossa indiferença.

E a cada indifereça pela dor do outro é um pouco mais da nossa culpa que deixamos pelo caminho.

Fui! (rezar…)

Quem Sou Eu

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“Eu sou a luz, mas posso ser a escuridão se você não me ouvir.

Sou a razão, e às vezes, a falta dela para te proteger.

Sou a calmaria, mas viro tempestade quando mexem com você.

Sou a força viva, mas também tenho fraquezas.

Sou a exigência, a cobrança, a chatice. Mas também sei sorrir e brincar como se tivesse a sua idade.

Sou o regulamento que não pode ser quebrado, mas abro exceções para você.

Você acha que sou o centro, mas na verdade sou apenas uma parte do todo, localizado no canto esquerdo.

Sou a parte que apóia, que ajuda, que admite seus erros.

Sou quem te julga e te pune, mas a pena… Esta geralmente é mais amena do que nos tribunais do lado de fora.

Sou aquela que te força a seguir uma linha reta, sem desvios. A linha que eu mesma desenhei, aquela perfeita.

Sou a solução de muitos problemas seus, e sou o consolo para os problemas que não têm solução.

Sou aquela parte que fica atrás da coxia, calada e observadora, que assiste por trás da cortina, o espetáculo da sua vida.

Sou aquela que reza sem falar, todos os instantes em que pensa na sua proteção.

Sou a sensação que acompanha suas dores e que saúda suas alegrias.

Quem sou eu?

Sua mãe.”

Fui! (Agradecer…)

Traídos pelo Ego

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Por anos e anos vejo amores se despedaçarem por caprichos infundados e egos inflados… Sou testemunha dos infortúnios que as traições deflagradas instauram na alma e na vida de um casal feliz. Não raras são as tentativas de reconciliação, também desmanteladas pelo caminho da raiva e da dor.

É claro que ser traído não faz bem ao coração. Mas e quanto ao resto? Se a autoestima piora, o amor, quem sabe, melhora…

Se não o amor, as tentativas que seguem. Ou ainda, quando cessam as tentativas e a vida segue só, abordada por convites dispensáveis de alegrias momentâneas e fúteis, é que nos entendemos fruto do nosso próprio reflexo de perfeição. Só que, se não somos perfeitos nem para o nosso próprio espelho, por que esperar que a perfeição venha justo dele, o “sobrecarregado relacionamento”??

Porque as expectativas são todas, ou quase todas, sobre a forma que queremos ser amados, e não do amor em si. E se, por algum momento, o “seu” amor seguir alguma via controversa? Não existe atalho que conserte esse desvio malfeito?

Vivi muito para ver pobres almas vagando sozinhas por esse mundo de solidão, porque um dia preferiram buscar a razão em suas desavenças, sem notar que pior do que o corpo que se esquenta em camas de outrem é o corpo que jaz só em uma cama fria, no final de uma vida.

Se existe a traição, também existe, e é fato, o perdão.

Existe também algo mais valioso do que a “indignação”, e se chama: inteligência.

Inteligência para não sucumbir à vaidade, inteligência para ver mais longe, inteligência para escolher uma vida feita ao lado de pessoas e não de ilusões…

Fui! (Dormir ao lado do meu, quentinha e coberta de sonhos…)