Máscaras

lara

Vivemos todos os dias a fantasia de sermos alguém. Somos pais, namorados, empregados, sócios. Somos a imagem e semelhança do nosso Deus, mesmo sem saber ao certo o que isso significa. Somos vários, de inúmeras formas diferentes, em todo o momento.

Mas é certo que seguimos algum padrão. Porque, se não, nos perderíamos no caos da nossa alma confusa…

Muitas vezes, nos encontramos em uma encruzilhada em temos que escolher qual caminho seguir. Mas, na verdade, a escolha é de qual personagem devemos incorporar e, a partir daí, a escolha do caminho se torna fácil.

Achamos que quando estamos com nossos corpos nus, estamos descobertos de todos os subterfúlgios dos nossos personagens, mas não. Estamos despidos de verdade quando sentimos dor, medo e arrependimento. Estamos “nus” quando estamos enfraquecidos, quando sentimos que podemos quebrar. É nesse momento que descobrimos nosso personagem mais básico, aquele que não usa máscaras e não possui vaidade. É esse personagem que nos assusta, e do qual fugimos sempre.

E essa nossa “cara lavada” só mostramos mesmo para quem mais confiamos. Mas a mostramos à meia luz, tarde da noite e depois de umas 2 taças de vinho…

Fui! (escolher meu personagem favorito: minha Maria Scarlet…)

Bússola

mao

Por tanto tempo busquei suas opiniões, conselhos e aprovações. Queria ter a certeza dos meus atos, mesmo sem saber que a minha certeza nem sempre me traria a alternativa certa. Queria mais emoção para os momentos emblemáticos, e acabei me esquecendo que a emoção verdadeira muitas vezes está nos pequenos momentos. 

Queria seguir seus passos com meus próprios pés, para poder ter a sua glória estampada no seu sorriso orgulhoso de pai. Queria ser mais do que você, em uma versão melhorada e avançada, queria disseminar a maravilha dos seus gens adaptados ao meu mundo. E queria ser parte de tudo o que você acredita…

Foi por você que muitas vezes me desencontrei de mim e segui à risca seus conselhos, sem questionar ou parar. E foi também por você que muitas vezes fiz tudo ao contrário do que mandava seu manual, só para ter o prazer de confrontá-lo com uma nova realidade, a de que o meu Mundo não estava sob seu controle.

E depois de tantos anos consigo perceber que tudo o que fiz ou deixei de fazer não teve a mínima importância para você. Porque qualquer que fosse o caminho a conclusão seria sempre a mesma: que eu sou um pedaço de você, abastecido com muitos desejos e esperanças, e conduzido para ser muito, mas muito melhor do que a versão original.

Se eu fui?

Bom, aos olhos do meu pai com certeza sim…

Fui! (agradecer…)