Ensina-me a Viver

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Nas estradas da vida, por vezes, acabamos nos perdendo. E ao nos perdermos, acabamos desaprendendo como viver. E temos que reaprender, sempre que tentamos retomar o curso da nossa história…

Buscamos orientações sobre como relaxar, como nos alimentar, como andar de forma correta. Precisamos de conselhos para tudo, até mesmo para o que deveria ser intuitivo. Aprendemos através dos bons conselhos como devemos criar nossos próprios filhos. Só esquecemos que os filhos são nossos, e que talvez por isso, a melhor cura para os problemas deles esteja dentro de nós mesmos, “pais”.

Aprendemos a nos comportar em grupos, a falar e escrever adequadamente, aprendemos a viver como manda o protocolo. Somos todos escravos invisíveis do domínio do outro, que exerce força maior sobre nossas vidas do que conseguimos imaginar.

Somos menores e mais fracos a cada ordem cumprida e, aos poucos, não identificamos mais a diferença entre um “conselho saudável” e uma necessidade compulsória de comandos.

Pagamos para sermos orientados e esquecemos que a melhor parte da vida é “experimentar”.

Mas não ousamos experimentar, tentar, vivenciar. Por vezes preferimos, simplesmente, replicar o que já foi testado e aprovado.

E nesse caminho tortuoso, cheio de terra batita e areia no rosto, estamos sempre buscando uma estrada de asfalto, mais sinalizada e mais segura… Será?

Fui! (encontrar meu próprio caminho…)

Pai de Verdade

Pai

Pai…

Hoje vejo pais que não se parecem com os pais de antigamente… Se parecem com irmãos, professores, avôs e, muitas vezes, se parecem muito mais com mães do que com pais!

São eles, os pais modernos, que aplaudem o sucesso do filho bailarino, que não se envergonham do filho homossexual, ou transexual, ou “multisexual”… Esses pais andam lado a lado com os filhos excepcionais, descobrindo a maravilha que é pertencer ao mundo deles.

Eles são os pais que adotam crianças que nada têm a ver com a sua genética clara e fina, e que, ainda assim, conseguem enxergar a mais perfeita semelhança entre as espécies, ao olhar no fundo dos seus olhos.

São eles, os pais modernos, que não têm medo de assumir tarefas femininas só para poder participar ativamente do universo dos “seus”; são os pais que buscam os filhos no mundo das drogas, que os retiram dele, e que, às vezes, morrem um pouquinho a cada dia com eles…

São os pais que adoecem junto com seus filhos, que sofrem a dor deles sem poderem se deitar nas suas camas, que enxugam as lágrimas e que vão à luta todos os dias, mesmo não querendo, mesmo quase não conseguindo, mesmo não suportando, mas ainda assim, vão.

São para esses pais, para os que são pais em hora integral, ou em hora em que lhes é possível ou permitido ser; para os pais que não são perfeitos, mas que são possíveis e reais; para aqueles pais que abrem um sorriso largo e profundo quando falam dos seus filhos; para os pais que sentem orgulho e os que não conseguem se orgulhar, mas ainda assim tentam; para todos esses pais, que são pais de verdade, o meu aplauso.

E para todos os outros que não são: vocês não sabem o que estão perdendo…

Fui! (reencarnar só para poder ter um “pai dos dias atuais”, mas um de verdade…)

Renego

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Em oposição a todos os bons e fiéis, eu renego muitos, vários.

Renego todos os que me fazem mal. Renego aqueles que não me fazem mal, mas que também não me causam emoção. Os renego sem pena e sem pudor. Não os quero perto nem longe. Simplesmente não os quero. Penso que o Mundo é muito maior do que alcançam meus olhos, mas ainda assim não os quero na minha paisagem.

Renego os que não são “meus”, meus amigos ou meus inimigos, todos os que não fazem parte da minha história. Renego causas boas que não compactuam com minha mente preconceituosa. Renego todos e tudo o que não conversam com a minha alma infantil e pequena. Sou mais livre amando e odiando na mesma proporção, sem medo de relatar minhas angústias e preconceitos, e sem um tom certo para os agudos que gritam dentro de mim ao renegar quem não compactua com as minhas crenças

Fui! (renegar todas as sombras que insistem em caminhar a meu lado e buscar meu sol, onde quer que ele esteja…)