Salve Jorge!

imagem-classica-so-jorge-matando-o-drago-26cm-de-altura-14059-MLB234970714_8356-OSalve Jorge! Santo da Igreja Católica que é guerreiro. A ele é permitido matar os demônios que existem em forma de dragão. Sendo o dragão, suposta uma criatura mitológica, não estaria ele, guerreiro Jorge, matando nada que fosse concebido por Deus. Mas ainda assim (insisto!) está representando um soldado medieval, adornado em uma armadura de ferro, com lança e capa. É um soldado de Deus, pronto para acabar (literalmente) com o inimigo. É claro que muito do que cremos é nada mais do que uma representação metafórica dos ícones que associamos ao bem e ao mal.

O Santo Jorge, ou orixá Ogum, é um arquétipo de guerreiro que representa a luta do lado branco contra o lado negro.E é por isso que eu gosto dele! Pelo senso de justiça que evoca ao matar, excluir, eliminar todo ser que não está de acordo com os parâmetros do seu “certo”. Com ele não há meio termo. E no seu reino, os inimigos devem ser eliminados, sem exceção, sem pena e sem habeas-corpus. Se fosse no Reino de Jorge, os “dragões” que assassinam diariamente os vários “Bernardos” de 11 anos espalhados pelo Brasil estariam com a lança encravada na garganta. Aqueles outros que estupram, que maltratam, e, que (até mesmo!) esquartejam, esses seriam dignos de misericórdia pela pena que sofreriam. Coitados deles se estivessem no Reino de Jorge… E quanto aos pedófilos? E os traficantes que acabam com a vida de famílias inteiras?Julgamento? Não… No Reino de Jorge duvido que existiria algum julgamento… A condenação viria a galope e a morte seria imediata. Sem torturas, sem dúvidas e sem liberdade condicional.

Assim seria no Reino de Jorge. Um maravilhoso Reino banhado com o sangue dos pecadores, onde imperaria a justiça divina! Mas a realidade é que não vivemos no Reino de Jorge, e sim, no Reino dos Homens, que é muito, mas muito mais cruel…

Salve Jorge!

Fui! (pro Reino de Jorge…)

Simples

bege

Simples. Muitas vezes sinto falta de ver e sentir o “simples”. Aquele simples que não cansa, que não grita, que não incomoda. O simples que vai bem com todos os gostos, que combina com todos os ritmos, que não causa mal estar quando está na sala. Sinto falta da pessoa simples, daquela que não faz um drama para contar seus “causos” e que também não explode em textos intermináveis para defender uma posição política ou social. O simples muitas vezes parece ser mal-educado, mas na verdade é, tão somente, mais sincero.
É o simples “não” ou o simples “sim”, que facilitaria muito a vida dos prolixos usuais. O simples gostar sem a preocupação se será correspondido, ou o simples comer sem a culpa dos quilos que virão. É o “simples” que me encanta quando o percebo em um rabo de cavalo descuidado ou em um sorriso franco. O simples bege que falta nos milhões de tons complexos da nossa conturbada vida cotidiana. Somos sempre seres tão exigentes com nós mesmos que não aproveitamos a simplicidade maravilhosa que podemos desfrutar quando não usamos tantas “crases e vírgulas”.
O simples está em falta nos dias atuais, se escondendo em lacunas cheias de palavras difíceis e currículos rebuscados. Temos títulos e méritos, compramos propostas rebuscadas em receitas padronizadas de felicidade, e temos a certeza do que queremos, sempre quando esse querer está contemplado em um manual de como viver bem.
Só que nos esquecemos de que a “vida boa” não está descrita em manuais e não possui regras específicas. A “vida” é algo bem mais simples…
Fui! (simplificar…)