Mais uma Vez…

nuapulando

Depois de anos da minha morte terrena, desejaria voltar à vida mais uma vez. Desejaria reencarnar como uma pessoa normal, sem excesso de nada, nem de beleza, e nem de riqueza. Não me pouparia o luxo de ter alguns mimos, e o benefício de uma imagem que me deixasse confortável à frente de um espelho. Mas não, não forçaria meu corpo a entregar mais do que ele naturalmente já me proporcionaria. Não gastaria meus preciosos minutos em me manter conectada ao que não me fosse essencial. E, mesmo nas banalidades fúteis da vida, me encarregaria de assegurar que fossem legítimas em me fazerem relaxar. Seria mais preocupada em ler o que mantivesse minha mente atenta e curiosa, e não simplesmente ler o que me faria mais culta aos olhos de quem nunca realmente vai enxergar.  Não seria um “engodo” para mim, poderia até sê-lo para todos os outros agentes que fazem da vida cotidiana um lugar mais complexo do que deveria. Seria autêntica. Seria eu, em um corpo de verdade. E curtiria a sensação de poder me apaixonar sem medo de sofrer, comeria o que tivesse vontade, e começaria toda segunda-feira uma nova dieta. Seguiria caminhos alternativos, pegaria bifurcações, cometeria erros e acertos e, em se tratando de mim, provavelmente seriam mais erros do que acertos… Seria, talvez, mais benevolente com “meu tempo”, pois não o deixaria esperando por mim por tanto tempo. Seria eu quem iria ao encontro dele. Eu o buscaria, e o trataria melhor desta vez. Nessa vida seria um alguém menos rabugento, um ser menos difícil e menos rancoroso. Mas claro, teria a minha essência viva e flamejante, louca para brigar pelo que acreditasse e ao mesmo tempo, rápida para mudar minhas crenças e verdades. Seria mais ousada e mais contraditória do que nunca, mas seria também mais compreensiva com as opiniões alheias. Não odiaria tanto e envelheceria com calma. Seria mais verdadeira comigo nas minhas escolhas. E no final, quando as luzes se apagassem novamente para mim, eu gostaria apenas de ter um único pensamento sobre essa vida: “Desfrutei muito”.

Fui! (Mas um dia eu volto…)

Imunda

Daemian-Christine-1

Nas cores da sua pele manchada estão os desbotados de suor e vergonha, que inundam seu corpo quente de forma explícita e indecorosa. São lembranças feias de uma vida suja, onde verdades se camuflam em um passado sem pai, e sem lei.
São as manchas que não limpam, a umidade que não seca, e a dor que não passa. É o abismo sem fim em que você se encontra com eles, seus erros. E errantes, se tornam amigos de caminhada dos falsificadores de histórias, e dos contadores de novos enredos. E a vida passa assim, sem desmentir o que lhe é favorável e manipulando o que pode ser escondido, mas traduzindo sempre no melhor tom possível.
Onde está a fórmula da junventude? Lá atrás, em um passado distante, onde não havia erro que fosse impune, e verdades que pertencessem a um único dono. Ali, bem no meio da mesa do café, eu comia sossegada um pedaço de bolo, sem culpa e sem pudor. Era eu e minha vontade. E não havia nessa mesa nenhum pedaço roubado, nem nenhum sonho que não pudesse ser perdoado. Ali, os pecados eram todos jovens, e minha pele, ainda não sofria com os efeitos do “meu” sol…
Fui! (tomar um bom “banho” e passar protetor… )