“Rótulos”

Divulgação - Giovana Consorte

Uma vez me perguntaram se eu gostava de homens ou de mulheres. Eu respondi: eu gosto de pessoas. E pessoas não têm rótulos, têm nomes. Têm também uma história de vida, têm hábitos, têm gostos, têm essência. E também têm cara, claro. Mas se a cara é bonita ou feia, é apenas uma questão de percepção… Na contramão da escola de marketing atual, eu gosto é de “desclassificar” tudo o que é classificável. Gosto de desconstruir o que é certo, porque esse certo, muitas vezes, só é certo para quem é “sócio do clube”… Gosto de não ter que gostar porque é bom, porque é devido. Gosto de gostar simplesmente porque quero. E quero mais do que um rosto bonito enfeitando minha mesa no jantar. Quero gente com cheiro de gente. E, se for cachorro, o quero com todos os pelos e desconfortos que um animal pode trazer. E também com as alegrias mais que humanas…
Quero errar sem tanto medo da cobrança, porque é assim que muitas vezes se consegue chegar no acerto. E esse acerto é o ponto de partida para descobrir que posso viver sem “rótulos”. Descobrir que, nas enormes prateleiras deste supermercado, existe mais do que uma única opção, um único sabor. Eu posso querer variar ou comer sempre o meu “pão de cada dia”. Se vale a pena ou não, se é caro ou barato, isso quem vai dizer é a minha consciência. E o “preço” de cada escolha, esse, nós vamos saber lá no final, no último caixa da grande loja…
Se sou esposa consagrada ou amante “mal dita”, se sou correta ou errada, bendita ou puta, sou só o que sou, nessa imensidão de valores, categorizados em um rol de promiscuidades mais baixas que os vilões do senso crítico. Sou um ser que não utiliza rótulos para o Mundo. Para esse mesmo Mundo que teima em me dizer com quantas letras devo escrever meu nome…
Fui! (Viver mais e me preocupar cada vez menos…)

Melhor Ângulo

mirim

Na fogueira das vaidades vale tudo: de efeitos de botox propalados em perfeitas peles, também artificialmente maquiadas e magistralmente retocadas em singulares programas de computador. Vale o efeito das luzes que não iluminam plenamente, do dourado que reluz a ouro e do preto que emagrece. O evento é o melhor de todos, desde que com nome e sobrenome de lugar famoso, acompanhado de mimos que vêm com etiqueta e comidas bonitas, não necessariamente saborosas. É tudo meio utópico se enquadrado na moldura limitante de uma vida monitorada e “adequada”.

Mas dentro de toda fantasia irreal de uma vida (quase) perfeita, existe também o grupo de criaturas espontâneas e irritantemente felizes, que consagram, em uma mesa com concha de plástico e toalha de flores, alguma comida com sabor maravilhoso, mas bem mais simples do que uma foto divulgada mereceria retratar. Outras não se intimidam com sua profusão de rugas e gorduras saltitantes, desfazendo-se da vaidade itinerante que nos rodeia e aprisiona. É a “cara lavada” que se mostra, muitas vezes sem a preocupação de resplandecer felicidade, só a vontade de ser assim, feia ou bonita, feliz ou triste, mas sempre: livre.

E quanto mais fotos despretenciosas eu vejo publicadas, mais admiração eu tenho por quem não se esconde atrás do seu narcisismo…

Se eu vou “entrar nesta onda”? Claro que não! Até o “lado B” da minha vida só aparece de óculos escuros e à meia luz…

Fui! (Tirar foto do meu melhor ângulo, porque o pior, só mesmo a minha depiladora e cabeleireira conhecem…)

 

Momentos…

trem

Momentos. É só o que temos no final. E no final, é quando descobrimos que toda a nossa vida foi um gigante mosaico de momentos importantes. Momentos simples ou complexos, intensos ou suaves, são todos eles importantes, desde que sejam lembrados. E quando lembrados, mesmo os momentos que foram vergonhosos, são todos legitimados na condição de pilares que sustentam as nossas crenças e atitudes, muito provavelmente modificadas pelos péssimos momentos passados. E os bons? São eles que nos ajudam a reforçar os nossos ideais, e a nossa busca (seja lá pelo que for…).

São eles, os momentos vividos, que formam a base do que somos hoje, e foram “eles” que ajudaram a construir o que chamamos de “nossa vida”. E por isso, se você me disser que um dia me afetou de forma a me fazer contar uma história diferente do que seria, digo que não. O que me tocou foi o momento que vivi ao seu lado, que mudou o caminho do meu trilho e me fez entender você participando da minha história…

Fui! (Viver meus novos momentos e guardar os antigos só pra mim…)