Com Classe

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Diante de todas as grosserias do mundo contemporâneo, só tenho mesmo uma resposta direta e objetiva a todas elas: “um sorriso”. E esse singelo sorriso não é um ato de covardia, como poderia soar, é um ato de renegação completa aos abusos vocais e gestuais que insistem em permanecer intactos na vil convivência social.

É errado calar-se, mas na contramão da auto defesa, mais sensato é ocultar-se debaixo de toda a elegância nata e difusa dos contornados caminhos do bem-estar social. Já diziam os antigos do meu tempo que “O homem é um ser social”, mais além, digo que o homem é um ser social quando doutrinado por uma arte mais antiga ainda: a doutrina da boa educação. Ser cordial e gentil frente a uma ofensa ostensiva, até mesmo quando não se está errado, é sinal de classe. 

E “classe” é algo que não se encontra em qualquer esquina, nem nas dos endereços mais caros…

Fui! (Subir no meu salto e sorrir para tudo de vulgar que esteja fora da minha cama…)

Reencontro

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Largos horizontes nos fazem caminhar muito e para bem longe. E muitas vezes nem nos damos conta de que nos perdemos em alguma esquina…  Quando paramos, finalmente, nos descobrimos sem rumo, sem norte. E a orientação que precisamos não vem com uma bússola para indicar nos o caminho a seguir, mas com o retorno ao velho caminho para encontrar os fragmentos de nós que deixamos no acostamento.

E repensar nossos novos valores em busca dos velhos, ou reencontrarmos a nós, mesmo em uma versão mais careta e ultrapassada, pode nos ajudar a modelar o novo “eu” que queremos construir. Porque nem tudo o que ficou para trás é pior ou menos providencial. O antigo, às vezes, funciona melhor que o moderno quando escalamos os atributos que nos classificam como um alguém “melhor”.

O parâmetro ou ponto de vista menos oportuno no passado pode ser, e muitas vezes é, o ideal para o nosso momento futuro. Sermos realistas e menos exigentes não nos torna acomodados, nos torna possíveis.

E a possibilidade de me reinventar todas as vezes que me reencontro com meu passado é o que me motiva a seguir em frente, com horizontes mais amplos e desafiadores.

Fui! (me reencontrar no ponto de táxi em que me perdi, um pouco antes do carnaval…)

Iludidos

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Ser iludido, muitas vezes, é bom. Acreditar em algo que nos faça bem, redundantemente, nos faz bem. As ilusões, muitas vezes tidas como vilãs da vida real são, na verdade magistrais psicólogas do cotidiano que abaixam o véu para melhorar a bagunça da vida.

Viver nos dias de hoje está realmente difícil. A realidade, quando não entra em nossas casas, nos comove da janela. Somos todos vítimas e culpados de um sistema sem solução. O real tornou-se vazio demais, escuro demais, difícil demais. Na realidade “nua e crua” vemos muito amigo egoísta, parceiro infiel, bandido letrado, pessoas se ofendendo de graça e o caos dominando a nossa colapsada e falida geração. Temos a oportunidade de lutar, mas a verdade é que a causa já está perdida. Temos a oportunidade de melhorar, mas a melhora não vai influenciar verdadeiramente a vida de nenhum dos agentes fiéis ao “sistema”. Temos ainda a oportunidade de tirar o véu e ver exatamente, com mais nitidez, o que se passa por trás dele. E para quê?

A verdade é que acreditar em algumas ilusões não é sinal de covardia, mas sim de estratégia de vida. Ilusão e esperança caminham de mãos dadas em tempos diferentes. Enquanto a esperança projeta algo para o futuro, a ilusão trasforma sua realidade atual em algo mais brando e mais fácil.

E vamos combinar algo? Vamos aceitar o que não pode ser mudado, mas sempre com um acessório ao lado para nos ajudar a enxergar um pouquinho mais embaçado…

Fui! (comprar meus óculos escuros e minha garrafa de Whisky Double Black…)

Mutação

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No âmbito das mudanças sociais, econômicas e políticas que vivenciamos, a mudança interna dos valores que nos acompanham é a mais drástica e difícil de se perceber. Mudamos de hino, de discurso, de amor, mas dificilmente mudamos a nossa essência, seja ela careta ou louca. 

Mudamos o Mundo ao nosso redor e mudamos a vida mais perto de nós, só que não percebemos que “mudamos mesmo” quando muda a vida, ou o próprio Mundo. E de agentes passamos a meros espectadores de um filme desconhecido, mas com final previsível.

A desconstrução dos nossos ideais de vida são postos à prova quando ele, o magistral professor de nome Destino, simplesmente “decide”. E nos cabe sentir e evoluir. Nos cabe aceitar ou nos revoltar.  Podemos mudar tudo, inclusive as formas que compõem nosso corpo-santuário, mas não mudamos a forma em que nos enxergamos dentro deste universo limitado. Somos todos vítimas da perfeição imperfeita do nosso ser errante. Somos todos um amontoado de ferros retorcidos dentro de sociedades hipócritas e ditadoras. Somos todos reféns de nós mesmos, que nos permitimos mudar sempre e quando é conveniente, de preferência no horário comercial e em canal aberto, para garantir os aplausos patenteados e esperados…

Fui! (Mudar de novo e sempre que for possível! Mas com o cuidado de observar se é isso que eu quero ou é isso que eu espero de mim…)

Egoísmo

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Seja egoísta! Sim, Egoísta. Depois de muito caminhar por esse Mundo e ver coisas que até Deus (e o Diabo também) duvida, sugiro mesmo que você seja “egoísta”.  E egoísta não significa, em hipótese alguma, ser uma pessoa má. Significa apenas, ser partidário do seu time. A benevolência está aí, parada na esquina para te pedir esmola e, ao mesmo tempo, preparada para reclamar da pouca esmola que recebeu. Não digo que todo e qualquer tipo de caridade seja algo prejudicial à saúde, mas o uso indiscriminado dela traz sim muitos malefícios à sua prosperidade matriarcal, conjugal e, até material.

Ser cuidadoso com a aceitação de pedidos de ajuda limita o risco de fracasso, seja no campo de trabalho ou mesmo no pessoal. Não vamos generalizar ou ampliar a gama de deserviços à sociedade, mas vamos nos ater à produtividade da nossa vida, buscando em nossa essência o que nos traz felicidade, realmente e coerentemente. Sejamos todos adultos para entender que ajudar não significa anular-se, e que dizer não, muitas vezes, não é pecado inconfessável ou motivo de vergonha social irreparável. Isso porque não ser prestativo a outra pessoa não significa ser um alguém “imprestável”. A prestação de contas está muito mais na nossa mente culpada do que nos nossos “não-atos”. Sermos autênticos no que nos faz feliz dentro de toda a nossa preguiça é mais legítimo do que se esforçar para entregar o que nosso corpo e, muitas vezes, nossa alma pede para guardar.

Vamos ser solidários em causas que nos comovam, vamos ser sociais em eventos que nos estimulem, mesmo optando por uma festa fútil e não beneficente.

Mas vale viver de forma correta com seus interesses e princípios do que construir uma imagem aprovada por institutos falidos e já descredenciados da verdade e regra de etiqueta.

Se sou egoísta? Completamente. Comigo e com os meus. Meu cercado é enorme e com um cadeado reforçado. Mas também o abro para caridade. Aos sábados, porque domingo é meu dia de não fazer nada para ninguém, só para mim…

Fui! (ser mais egoísta e menos hipócrita…)

Dia da Mulher. Por quê?

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“Dia da Mulher”. Um dia para comemorar a existência de tão sublime ser, muito importante na sociedade e que exerce o papel de mãe, cuidadora, companheira, objeto sexual, e que também, trabalha. Esse extraordinário “Ser” é muitas vezes violentado no seio da sociedade machista, muitas vezes em países com religião islâmica ou muçulmana e em países africanos. Em outros países a mulher também sofre discriminação em algum grau específico. Coitadas delas e Direitos Humanos neles!!!

Mas o que me intriga, mesmo sendo uma pomba-gira ambulante que transita no espaço cósmico depois de ter me prostituído e aliciado a prostituição de várias putas famintas em um Bordel no século XVIII, é o fato deste país chamado Brasil comemorar o “dia da Mulher”. Posso estar enganada, mas pelo que eu tenho visto o que não falta nesta sociedade são direitos para a mulher: para começar existe o direito dado pela lei à guarda do filho, ainda que compartilhada, sempre é a mãe que possui o direito de ter a “guarda prioritária”, além disso, o direito a qualquer cargo em empresa pública ou privada, com o mesmo salário equivalente (ainda que em alguns lugares existam distorções, o direito é garantido). Não bastasse, existe o direito de defesa, exclusivo para mulheres, com a criação da Lei Maria da Penha, além de vários outros direitos e benefícios, tanto aos olhos da lei como aos olhos da sociedade. São direitos legítimos, com toda certeza (embora nem sempre cumpram esse papel exato), mas o que faz com que a mulher, linda em curvas e formas, receba uma flor por um dia especial que é a homenagem da sociedade ao fato de tão bela criatura simplesmente “existir”???

Como já dizia um professor antigo, o costume faz isso. Faz com que a sociedade aja de forma rotineira sem nem saber ao certo o motivo dos atos, ou mesmo sabendo, sem questionar o porquê de ainda hoje, século XXI, em uma sociedade dita moderna, com tantos gritos pró-igualdade de sexos e raças, ainda exista o Dia da Mulher, o Dia do Índio e o Dia do Negro.

Falta criar ainda o Dia do Anão, o Dia do “TransMultiSexual” e, finalmente, o Dia do Heterosexual (raça mais discriminada do momento!).

Fui!!! (tratar de temas mais relevantes do que os dias em que toda a sociedade que não é branca e máscula é homenageada… )