Reza de Ano Novo

Bebebeijo
Ano Novo! Vida nova, tudo novo… Será? Muitos pecados abolidos, muitas rezas concluídas, muitas frustações sendo escondidas às pressas, muita dívida para pagar. Somos todos reféns de uma única certeza: a de que nossos compatriotas possuem costas mais largas e melhor preparo físico para estarem à frente na linha do tiro. Se o apocalipse se aproxima, que eu seja a última a presenciar tamanho feito… Que o absurdo de ser passado para trás em uma fila por uma simples gorjeta robusta não seja presenciado do lado de cá da minha pessoa… Que a luz não acabe, mas ainda assim, se acabar, que não seja no meu bairro… Ou na minha rua… Ou pelo menos que não seja na minha casa!
Que as bênçãos sejam sorteadas em rifas especiais, mas que a minha, claro, venha ao menos com um prêmio de consolação. Que os menos favorecidos sejam agraciados, mas que a sorte que vai para eles não saia de mim, e se sair,  que seja compartilhada, mas jamais doada e esquecida! Que meu aniversário seja algo digno de louvor e nunca de pequenez cotidiana. Que nossos prazeres sejam tranformados em rotina mensal, semanal ou até diária. E que todos os nossos inimigos sejam os primeiros a serem convocados para a linha de frente da guerra santa e apocalíptica do juízo final… E até lá, que Deus me abençoe, me proteja e, principalmente, me perdoe… Mas se não perdoar tudo bem, tem Yemanjá para fazer isso também!
Fui! (Correr para bater meu tambor e pedir chuva, muita chuva para me livrar do pecado que é viver “pecando”…)

Natal Patrocinado

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Natal é tempo de festa! De renovação dos votos familiares e laços de amizade. É tempo de amar e ser amado. Tempo de acreditar. É lindo. Emocionante…
Mas mais lindo ainda seria se os patrocínios por trás de toda a beleza natalina não fossem reflexo da busca desenfreada pelo poder financeiro, político e religioso. O poder de comandar o desejo de multidões, sejam eles desejos de ganhar presentes, desejos de acreditar nas histórias de mais de 2.000 anos ou simplesmente desejos de comer rabanada e peru de Natal…
Se Jesus nasceu mesmo no dia 25 de dezembro, bem perto do final do ano no calendário católico, nunca vamos ter certeza absoluta, mas podemos acreditar. Se Papai Noel existe mesmo em algum lugar do Polo Norte também nunca vamos saber, mas vamos imaginar que ele não existe. Isso porque somos todos adultos e, como adultos, pensamos livremente com a nossa cabeça patrocinada pelas diferentes indústrias.
Se eu gosto de Natal? Claro que não. Mas não porque não acredito na força do amor. Acredito (e muito!). Acredito até mais que muitos católicos fervorosos e racistas, pois acredito em toda e qualquer forma de amor, independente do sexo, idade ou condição social. 
Mas acredito no amor o ano inteiro e de forma espontânea e descompromissada de datas e eventos. Acredito em “Natal sem Patrocínio” porque não existe dia para boas ações, assim como não existe dia para ligar para alguém importante na sua vida e dizer que você se lembra dele. Só que o ser humano é por essência desorganizado e complicado. Ele precisa de marcações e responsabilidades. Precisa de calendário para separar o momento de parar e agradecer. O ser humano precisa de rituais. E é isso que ganhamos ao acreditar na história de que Jesus nasceu mesmo nesse dia (mesmo já tendo sido levantada a hipótese de que ele teria nascido em outra data).  É isso que ganhamos ao celebrar o Natal com um pinheiro gigante no meio da nossa sala e milhões de presentes para (até mesmo!) quem repetiu de ano: ganhamos o presente de um ritual. Não importa se a Coca-Cola ou a Igreja Católica ganhem qualquer tipo de poder nessa época nos fazendo crer que esses símbolos, reais ou hipotéticos, são importantes. Importa que eles nos remetem a algo realmente substancial: a nossa fé. A fé nas pessoas que nos são importantes.
E é por isso, que mesmo não gostando de “datas marcadas” me rendo aos encantos natalinos e em prosa e verso recorro ao tradicional “Feliz Natal”… Sempre com muito amor, peru e rabanada.
Fui! (esperar ansiosa o meu presente, porque Natal sem presente não rola!!!!)

Vulgar

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Não tem jeito… Algumas coisas não mudam e algumas pessoas também não. Objetos que foram desenhados com cuidado e perfeição não podem ser vendidos na mesma estante em que outros, produzidos de qualquer forma, em larga escala, estão à venda. Ainda que possuam a mesma função, alguns “pequenos grandes” detalhes fazem toda a diferença.
E esse detalhe pode ser marcado por uma atitude divisora de águas: a vulgaridade. Vulgar todo aquele que expõe suas prematuras emoções sem esperar o tempo certo de maturação. E mais vulgar ainda é aquele que não reconhece os limites entre o “ser” e o “mostrar que é”.
E é por isso que na corrida desenfreada por um  relacionamento sério vários candidatos se perdem no passo correto da entrega. Porque comida sem o tempero certo perde a graça…
Fui! (colocar minha melhor calcinha bem coberta por baixo do meu jeans preferido, afinal já tem muita bunda de fora por aí…)