Humildade

mulhernua

Humildade é algo lindo de se ver. De se ter. De saber que alguém a tem. Ser humilde é profundamente libertador quando o foco está na percepção do outro. E é igualmente delicioso entender-se como alguém sem porte de prepotência, sem fonte de argumentos indecorosos, sem o saber infinito de verdades e justiças… 

Mas como já dizia minha bisa, “quem muito se abaixa mostra mais do que deveria”, e mostrando algo tão precioso como a nossa mais absoluta pureza de intenções, a sensação que se dá é que estamos expostos. E que o caminho escada abaixo não é somente o mais certo, mas também o melhor a seguir. Afinal, somos humildes aos olhos dos bons e, como bons, soltramos o alfabeto sem sotaque e decretamos a mostra coletiva da nossa  “humilde derrière”.

Mas como sempre dirijo na contramão, sou categórica em afirmar que sim, sou boa, sou linda e sou especial. Sou tudo o que não se pode dizer em voz alta, mas sou. E sou mais do que penso que sou, bem além das expectativas humildes da minha singela posição social. E se eu me curvo à enfastiada razão alheia? Claro que sim, quando estou com calcinha nova…

Fui! (levantar minha cabeça porque me curvar demais me dá cãimbra…)

Artesanato

bonecadepano

Artesanato é lindo. Na casa alheia. Bonecas de pano, sapatos com cheiro de couro virgem, bolsas com emaranhados aparentes, coisas sem muito acabamento… Artesanato é a inspiração humana transformada nas mãos de talentosos artistas… Parabéns para eles, mas por favor, não me venha com um “presentinho artesanal” no dia do meu aniversário!!! Presente para mim começa com um embrulho bem sofisticado e rebuscado. O conteúdo pode ser simples, mas desenvolvido por várias mãos em várias máquinas potentes… A história de um objeto feito com dedicação é encantadora, mas não me encanta. Quero é distância de armazéns e lojas de fundo de quintal!

“Pano de xita” é bonitinho em terra tupiniquim com calor de 40 graus e água de coco pra refrescar…

Eu gosto de ver a arte florecer, a indústria caseira funcionar e gerar lucros, de ver pessoas criando. É lindo, mas não para estar decorando a estante da minha casa, nem para compor as peças de roupas do meu armário.

Artesanato pra mim é que nem sacolé, bom no momento em que chupa e horrível na consiência engordativa… Melhor, me dá uma Coca Zero e embrulha uma Barbie pra presente, por favor. Mas com um papel “beeem plastificado”, ok?

Fui! (pra bem longe dessas feiras de artesanato…)