“Mais”

O grito

Mais. Muito mais. Eu quero mais. Mais do que bom, eu quero mais ainda. Mais do que eu tenho, mais do que quero. Mais do melhor e mais da vida. Quero mais. Mas “mais” sem pudor, sem culpa. Quero mais sem olhar para o “menos” ao lado. Quero mais. Mais para mim e para os meus. Mais do que somente o suficiente. Mais amor com sexo e mais sexo sem amor. Mais motor no carro e mais futilidade na geladeira. Mais egos satisfeitos e mais saldo na conta bancária. Mais tempo na academia e mais longe de qualquer hospital. Mais espaço para viver e mais “bugingangas” para encher as frestas que sobram. Mais festas e mais escolhas. Mais histórias e mais fotos para guardar. Mais, muito mais.

Quero tanto “mais” que acabo esquecendo do “mais” que é mais necessário: Mais tempo para viver todos os mais da minha vida.

Fui! (buscar menos e simplesmente viver mais…)

Pecados Capitais

alma

Às vezes me sinto assim: queimando. Pode ser porque fui uma prostituta, porque sou uma dona de bordel ou porque, na verdade, o que existe hoje é minha alma pecadora, cheia de passivos, lotadas de erros do passado. Queimo de remorso e, às vezes, queimo de raiva por não ter me dado a chance de sentir remorso hoje. Queimo de vontade de gritar e de implicar. Queimo de preguiça de obedecer ao bom senso. Queimo por não aparecer para quem eu quero que me veja, queimo por não me fazer sentir por quem eu esperei por uma eternidade. Queimo pela minha soberba, em pensar que sou a melhor para mim e para quem deveria me acompanhar nessa caminhada. Queimo por não existir como eu gostaria, como eu queria. Queimo de inveja de quem pode ou de quem poderá o que eu já não posso mais. Queimo de tesão pela luxúria em que vivia, sem leis ou mandamentos. Queimo de avareza por ter o que é fútil e perdulário. Queimo pelo mundo material, carnal e pecaminoso. Queimo pelo adjetivo mundano, da vida difamada e quente. Queimo de vontade de amar sem culpa ou sem parâmetros. Queimo pela gula da vida de verdade, do álcool na veia e da gordura da fritura proibida. Queimo pela vaidade absoluta de todo meu ser que é belo aos meus lindos olhos, mesmo que apenas em um reflexo pelo espelho da minha alma. Queimo pela redenção dos meus pecados. E pela vida eterna. Amém.
Fui! (buscar gelo…)

Voltar

nuu3

Tão importante quanto ir é, muitas vezes, voltar. Voltar para onde saímos. Voltar para nossa casa. Voltar para nossa essência, para nosso núcleo. Voltar para encontrar o que já está perdido há muito tempo, voltar para nos encontrarmos. Voltar para nós mesmos.

É sempre bom saber que nós sempre vamos estar aí, a nossa espera. A nossa vida gira em torno de muitas pessoas, de muitas situações e emoções. Somos coadjuvantes de muitos protagonistas, mas temos sempre o nosso próprio roteiro quando sabemos procurá-lo. E ele está ali, bem guardado em alguma estante velha da “nossa casa”.

Por mais distantes que estivermos de nós mesmos, sempre podemos voltar. E só o fato de sabermos disso já nos faz (mais) confiantes e seguros. Saber que sempre existe um lugar que é só nosso e que podemos visitar sempre que quisermos é o acessório mais importante para encarar a estrada que seguimos adiante. Saber que podemos voltar sempre que for necessário reabastecermos nosso combustível, reavaliar nossa vida, trocar de personagem e até mesmo nos prepararmos para um papel principal. Voltar para respirar ou simplesmente, para agradecer e sorrir.

Fui! (Voltar para casa um pouquinho só…)

Saudade

saudade

Às vezes sinto saudade. Saudade do tempo em que era um alguém cheio de curiosidades e cheio de dúvidas também. Sinto saudade do cheiro da comida da avó, da brincadeira dos amigos, da mochila velha do colégio. Sinto saudade do leque de possibilidades que eu tinha, saudade da dúvida do que viria a seguir. 

Sinto saudade sim, saudade “dele”, do meu futuro. De um futuro que era tão enigmático e estimulante. De um futuro que se tornou tão diferente e ao mesmo tempo tão próximo dos meus sonhos. De um futuro que era alto, jovem, forte e rico. Sinto falta de imaginá-lo assim: grande.

O meu futuro não mudou de rosto, só chegou mais perto para que eu pudesse enxergá-lo com todas as suas rugas e pequenos defeitos. Se fez presente e me fez lembrar da casa onde eu me sentia segura, que agora está longe. E quanto mais perto “ele” se aproxima, mais saudade eu sinto e mais de longe eu vejo toda essa minha saudade…

Fui! (comprar uns óculos escuros…)