Hebe Scarlet

Homenagem da Maria Scarlet para uma das maiores artistas de todos os tempos: Hebe Camargo

Hebe Estrela. Engraçada, desbocada, escancarada. Ela é assim, “enorme”. Seu riso engole todos os outros, sua generosidade se expande para todos que buscam inspiração. Ela é “muito”, é “mais”… É a Hebe gracinha, a Hebe Rainha, a Hebe do povo.

É a “Hebe Grande” que hoje dá boa noite do alto de um camarote, ao lado de todos os maiores artistas que já passaram pelo palco da vida.

Para a Hebe “Scarlet” Camargo, os nossos inesgotáveis aplausos!

Fui!
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Partida de Futebol

A vida, muitas vezes, imita a arte. E se não imita a arte, imita o jogo. Quantas bolas na trave não damos quando tentamos acertar no trabalho? E no campo do amor, quantas bolas ficam na área sem ninguém pra cabecear? E quantas “faltas” sofremos durante o jogo? Milhões…

Às vezes,  corremos mais rápido e marcamos um gol. Mas esse gol não é festejado porque estávamos “impedidos”. E os juízes da nossa vida não querem saber se nos esforçamos muito ou pouco, eles querem que sigamos as regras do jogo. E se, por esse caminho você está impedido, melhor dar um passo atrás e tentar de novo, pelo outro lado. Na sabedoria do (bom) futebol mais vale sair da mira do adversário do que enfrentá-lo. E “fugir” no contexto desse jogo não significa fraqueza, mas sim estratégia. Afinal, o que importa é fazer gol. E se é “gol de placa”, melhor ainda, porque além do mérito, ainda recebemos os aplausos da torcida…

Mas fazer gol não significa ganhar o jogo. Às vezes, para ganhar, é preciso trocar alguns integrantes, mexer no meio de campo, fortalecer a defesa, marcar junto ao oponente. É preciso esfriar a cabeça no intervalo e esquentar no campo. E mais do que o preparo físico ou as artimanhas de um craque, o que vale mesmo no final da partida,  é ganhar o jogo.

Fui! (treinar mais meus pênaltis…)

Reinvenção

Estudamos, trabalhamos, casamos, amamos, erramos. E no final da caminhada pensamos que a grande descoberta desta vida é “nos encontrar”. Somos tão ingênuos que muitas vezes não nos damos conta de que o mais importante não é encontrar a nossa essência, mas sim “criá-la”. Inventar a si mesmo uma, duas, milhões de vezes. E quando essa invenção não dá muito certo, existe ainda a possibilidade de nos reinventarmos. De novo, “novos”.

Descobrir o que há debaixo dos milhões de panos que escondem a nossa essência pode ser uma busca dolorosa com uma recompensa fantástica. Mas nos limitarmos a aceitar esse alguém que foi criado a base de “arroz e feijão” pode ser mesquinho e até cruel. Esse alguém pode, e deve, ter a oportunidade de ver refletido em sua dieta outros ingredientes mais sofisticados e delicados…

Mas como o resultado final só vemos mesmo é no final, podemos pensar que não somos reféns desse molde que o destino nos preparou. Que temos ao nosso redor muitos “cirurgiões plásticos” prontos a operar nosso núcleo e transformá-lo em algo sublime, do qual um dia ainda vamos nos orgulhar de ver, quando chegar a hora desse encontro.

E até lá, ainda temos tempo para nos inventarmos melhores, a cada dia. De novo…

Fui! (Me criar mais “eu” da forma que quero me ver…)

Quadrada

É… Sou assim: “quadradinha”… Já fui saidinha, moderninha e até safadinha, mas hoje sou mesmo é quadrada! Gosto de educação, de boas maneiras. Sou fã de comida saudável e aprendi a cuidar do meu corpo como meu “santuário”. Sinto falta dos amigos verdadeiros, das coisas simples da vida. Valorizo a família, priorizo o sonho dos meus filhos. Não quero mais ser bem sucedida, quero notas altas para as crianças no fim do período.

Hoje sou contra a legalização da maconha, e andar de moto deixou de ser sinônimo de aventura e passou a significar risco. Tenho novos amigos que são o triglicerídio, o colesterol e a insulina. Me arrisco a penetrar no incrível mundo da leitura e tenho (muito) interesse em saber o que se passa no mundo, além da novelinha da noite…

Passei a me interessar pelos aniversários dos filhos dos meus amigos, depois que descobri o quão importante é essa lembrança. E, junto com as alegrias de tantas descobertas, vieram também novos companheiros de noitada: a culpa e o remorso. Mas uma notícia boa, de que um dos “meus” ganhou ou realizou algo, já é motivo para mudar a canção na rádio do carro…

E a “caretice” me rendeu, ainda, outras maravilhosas dádivas, como a “deseducação” para declinar firme e secamente de convites indecentes ou cantadas de mau gosto. O singelo sorriso de antes, da menina encantadora, hoje dá  espaço para o olhar sério da mulher “quadrada”, que exige que o seu bom dia seja derivado em tom bem alto. E que o seu boa noite seja entre gemidos e sussurros… (mas só nas sextas e sábados porque durante a semana acordo cedo!)

Fui! (tomar uma cervejinha porque além de quadrada também sou filha de Deus!)

Molde

Sempre fui impulsiva. E, ainda que minhas atitudes cotidianas não reflitam essa condição, creio que sempre vou ser impulsiva… Isso porque lá dentro, em algum lugar no meu DNA, ou mesmo no meu EAI (Ensinamentos Assimilados na Infância), essa ideia está marcada para sempre na minha essência.  Assim acredito, acontece com todo mundo… As pessoas não mudam simplesmente, elas se “moldam”. Se moldam a um casamento, a uma condição financeira, a um trabalho, a um status, a um preconceito, a uma imposição a si próprias.
Esses “mutantes” se redescobrem mais gentis, mais estratégicos, mais humanos. Se encontram com um eu muito mais afável, mais centrado socialmente, mais enquadrado. Se “resultam” mais maduros, depois das provas de recuperação da vida…
Mas a índole essencialmente boa ou má, essa índole de fofoqueiro, de puta, de brigador, de implicante, de dependente, e de tantas outras “essências”, essa não muda. Ela se esconde, se camufla. E nós mudamos aparentemente. Quase sempre para melhor, se é aparente.
E o risco que corremos é um dia precisar dessa essência transbordando na superície e não conseguir localizá-la debaixo das espessas camadas de cimento que utilizamos para “moldar” nossa paisagem…
Fui! (me resgatar debaixo dos escombros… Preciso da minha impulsividade de volta…)