Roda Viva

“Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião” já dizia a canção do querido Chico. E, se Chico soubesse como a letra de sua música conta verdades incontestáveis sobre o comportamento humano não seria ele, Chico cantor. Seria Chico doutor. Ou Chico Deus…
Muitas vezes pensamos que somos soberanos, grandes. Aí vem a roda da vida, que nos derruba e nos acorda. Nos mostra que ninguém sabe “tudo de tudo”. E que o poder a nós concedido é, meramente, transitório. Nos ensina que não somos donos de nada nem de ninguém.
Essa roda funciona para nos dar o equilíbrio do hemisfério central, da coerência, da humildade. Se vamos ao céu, descemos à terra. E se nela já estamos, aí o caminho é só subida. Mas se subimos muito rápido, a roda gira mais rápido ainda, e escorregamos…
E bom mesmo é saber que, se hoje somos pagadores das ofensas e mágoas que gerimos, no outro dia, um dia, que pode ser amanhã ou daqui a dez anos, somos nós que vamos poder cobrar as ingratidões e imperfeições dos antigos cobradores. E, se ainda assim não os encontramos, não importa. A culpa deles já é suficiente para o troco, e a gorjeta fica por conta…
Fui! (parar de cobrar o que um dia eu vou ficar devendo…)

Babacas!

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Há pessoas que são assim: “babacas”. Simplesmente não conseguem conceber a felicidade alheia. Mais ainda, eu diria, não conseguem escutar a “melodia do samba” alheio. Funcionam da seguinte forma: não importa o que elas ganhem, o importante é que você não ganhe. Não importa quanto dinheiro elas tenham na conta bancária, o importante é que você não tenha. E não importa quanto amor elas recebam de um alguém incomum, o importante é que você receba, proporcionalmente, menor amor deste ser…
Porque no mundo há sim pessoas más. Pessoas mesquinhas. Pessoas “babacas”. Mas a malemolência do babaca é a força do sambista, que pisa na Avenida sem se preocupar com o tamanho da alegoria ao lado.
Ainda bem que nós não deixamos o samba morrer! E, se os “babacas” ao lado não conseguem sambar, não importa, a vida ensina…
Fui!

Chefe

“Quem tem chefe é índio!” Já dizia o antigo ditado… E, de uma certa forma, todos nós somos um pouco “índios” em algum momento. Lidar com essa figura faz parte da vida, e os conflitos relacionados a “ele”, o todo poderoso “chefe” do nosso labor, é parte inerente do nosso crescimento profissional…
Quem nunca teve um chefe que se insinuou? E quantas vezes tivemos que nos controlar para não mandá-lo àquele lugar? Maledicências à parte, curioso é que no inconsciente (e também no consciente) coletivo, o “chefe” é sempre aquele que nos priva, que nos cerceia, que nos coíbe. Ele é o juiz dos nossos tribunais fora de casa, que nos estimula ou nos extirpa (depende do ponto de vista) até conseguirmos uma promoção.  Tudo bem, afinal chegar a uma promoção é um bom final para um enredo cheio de altos e baixos, entre dominador e dominado.
Enquanto estamos na terra das disputas de ego, do poder da última palavra e da vaidade do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, ok… O problema é quando chegamos no perigoso estágio da disputa de habilidades, de competências. Aí mesmo é que o “cacique” resolve fumar… E a vida laboral do pobre cidadão pode virar um verdadeiro inferno. Muitas vezes, melhor mesmo é parecer-se  incompleto para evitar dores de cabeça (ou na bunda!).
Mas como toda boa tribo, sempre tem o dia em que o “chefe” passa o bastão. E nos dias atuais, o chefe, muitas vezes, é o próprio “bastão”…
Fui! (fumar meu cachimbo da paz…)

Destino

Carmas e Dharmas. Livre arbítrio. Destino.
Nunca sabemos ao certo até que ponto somos os responsáveis pelo nosso caos, ou se esse caos já estava programado há muito tempo, em outros tribunais e conselhos. Por que algumas mães são premiadas com filhos “perfeitos” enquanto outras trazem o fardo pesado de ver sua cria sem as mesmas oportunidades que saltitantes e energéticas crianças? Por que algumas pessoas simplesmente não dão certo na vida profissional? São preguiçosas ou apenas sem sorte? Por que muita gente, apesar de tentar com todas as suas forças, termina sempre só no final do domingo? Culpa delas ou do destino?
Em contraponto existem os felizes, os sortudos, os realizados na vida. Esses são a exceção invejada de uma vida cobiçada. São a dura constatação de que o céu é o limite para alguns, enquanto a realidade de tantos outros é bem diferente. Para fazer de um limão uma “boa” limonada é necessário açúcar e gelo, não somente boa vontade… E assim empresas do mundo todo fazem rios de dinheiro, investindo em “sonhos” para ajudar a muitos, a fugir, ainda que temporariamente, do seu carma. São elas, empresas de cosméticos, de produtos light & diet, de informática, de cigarro, de remédios, de novelas, de criação de ídolos. Há sempre um produto certo para alguém que precisa amenizar as cicratizes da sua vida.
E há, por fim, o melhor de todos os produtos para curar ou tratar as dores da alma, de um destino irreparavelmente, bege: a espiritualidade. Ela nos ajuda a compreender melhor os porquês da vida e, se ainda assim, não conseguimos entendê-los, há sempre aquela frase reconfortante que diz que o “destino” era esse…
Fui! (comprar quilos de chocolate para compensar meus dramas carmáticos…)

 

Malandragem

Malandro que é malandro esconde o jogo… Segura a melhor carta até o ponto em que pode dar a volta por cima. Malandro não tem pressa, não tem apuro, não se desespera. Malandro planeja com cuidado, “escolhe”. Malandro não ama, se apaixona. Não se deixa levar, conduz. E se salta aos olhos pode-se dizer que é um galanteador. Mas não passa de um menino maduro que sabe cantar. Amiga para ele é pinga, as outras ele devora…

Todos nós temos um quê de malandro dentro de nós. Temos a possibilidade de escolher, planejar, acertar. “É isso aí” já dizia a canção de um malandro… E com um tom bem calmo descreve que não se precisa correr contra o tempo para realizar o que o tempo só vai querer te dar na hora certa dele. Nos deparamos muitas vezes questionando o amor que sentimos e o que recebemos, quando na verdade, o melhor mesmo é estar apaixonado. Ainda que sempre pela mesma pessoa, que, na verdade, nunca é a mesma pessoa com o passar dos anos…

Tal qual um bom malandro, não devíamos deixar a vida nos levar, devíamos conduzí-la, sempre. Ser levados é o mesmo que concordar que a nossa fraqueza é mais forte do que a nossa vontade, e que a preguiça de mudar um triste fim é maior do que a certeza de virar o jogo na hora certa. Mas ter as melhores cartas não é o mais importante no contexto desse jogo. Não fazemos nada com as melhores cartas, se não sabemos usá-las adequadamente, na hora certa e com a pessoa certa.

E ainda assim, se entre uma dança e outra errarmos o passo, é sempre bom termos ao lado nossa amiga “pinga” para conversar… Até voltarmos no passo certo.

Fui! (me apaixonar de novo pela mesma pessoa, acertar o passo da minha dança e aprender a jogar um bom carteado!)

Matriz e Filial

Mãe é bom. Mãe é lindo. Mãe é divino.
Mas mãe também é só mãe. Simples e finita. É assim que as “mães do mundo” deviam se portar: finitas em si. Se comportanto como “Serviços exclusivos” que têm assistência pós-venda e que disponibilizam um telefone de call center para qualquer emergência emocional.

O problema de muitos filhos é que a sua mãe não se limitou a pari-lo, criá-lo, educá-lo e amá-lo. Ela quis mais. Quis que seu filho fosse, tal qual “Deus”, sua “imagem e semelhança”. É sua filial no mundo. Só que uma filial modernizada, automatizada e produtiva. Seu Business Plan projeta o sucesso, mas o padrão de negócios é sempre o mesmo da “Matriz”. A presidência pode pertencer ao filho, detentor utópico das rédeas da sua vida. Mas no Conselho de Administração da Holding sempre está aí, sentada em posição de acionista majoritária, sua mãe. Doce e frágil. Dominadora e imponente. Se não em presença física, com certeza em pensamento.

Há filhos que se revoltam e escolhem um padrão justamente contrário ao da Matriz imposta. Há os filhos que aceitam passivamente o controle acionário e vivem conforme o padrão involucrado. Há outros que nem se percebem nessa roda-viva do seu relacionamento materno. Há também, e por fim, os sortudos. Aqueles que são livres para escolher ser uma Apple ou um salão de cabeleireiros. Livres para escolherem ser o que quiserem. Esses, levam da sua “Fábrica Materna”, não um manual de instruções, mas um aprendizado para a vida deles: a satisfação de todos os clientes que conviveram com essa maravilhosa empresa que desenvolve “empreendedores”: sua mãe.

Fui! (Pensar na possibilidade de não ter mais filial…)